Com
o advento do motor flex no ano passado o consumo voltou a subir. E
apareceram os espertalhões prometendo
a adaptação a custo baixo que traz desperdício de
combustível e poluição. Ao mesmo tempo, ocorreu uma
procura do álcool brasileiro no exterior: as exportações
aumentaram de 8% para 14% da produção total, entre 2003
e 2004. Essa conjugação de fatores enxugou o excesso de
combustível que deprimia os preços.
Reside aí a grande vantagem do
motor flex. O brasileiro aprendeu rápido o conceito de preço
relativo. Importa hoje saber que até 70% do preço da gasolina
é vantajoso abastecer com álcool. Há cidades em que
o alternativo nunca será competitivo e aí se usa o combustível
fóssil. Foi assim que nasceu essa solução nos EUA,
onde só existe álcool em poucos postos. Flexibilidade do
abastecimento e fabricação de um único tipo de motor
são importantes. E ficará mais evidente com o aumento da
produção e investimentos em tecnologia.
No fundo, não é bom que
o álcool caia muito no pico da safra. Se custar menos de 50% que
a gasolina, estimula as misturas espúrias e as falsas conversões
para flex. As exportações são o melhor pulmão
para que o mercado funcione a contento. Para tanto 31 novas usinas estão
em construção no País, o que dará para atender
sem conflitos os mercados interno e externo. Na faixa de 60 a 65% do preço
da gasolina, nos 12 meses do ano, o álcool garante ótima
economia ao motorista no custo/quilômetro e dificulta a vida dos
espertos de boa ou má fé.
Ao mesmo tempo ninguém pode se
despreocupar com o preço da gasolina pela repercussão na
taxa de inflação. Mais de 16 milhões de veículos
(80% da frota brasileira) a utilizam sem alternativa e qualquer reajuste
dói no bolso. O que falta é transparência nas decisões
de governo sobre formação de preço. O México
é um grande exportador de petróleo e aumentou a gasolina
em quase 10% em um ano. Desconsiderar a volatilidade e as confusões
no exterior em relação ao óleo, só porque
estamos perto da auto-suficiência, é dar um tiro no pé (Fernando
Calmon, Alta Roda, 25 de novembro).