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Opinião | Joel Leite |

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Joel Leite

Proposta para aumentar mortes no trânsito?

Candidatos à prefeitura prometem elevar limites de velocidade, o que gera mais acidentes fatais

Muita gente acha que a definição de velocidade máxima nas vias é aleatória, que depende do humor das autoridades de trânsito. Na verdade, a velocidade de circulação dos veículos depende de estudos onde são levadas em conta características da via e a quantidade de carro, como também o relevo do terreno e as características físicas da pista. São observados também cruzamentos, travessas, escolas, equipamentos públicos em geral.



 Mas a principal observação é o hábito dos motoristas: a princípio, a velocidade ideal é aquela praticada por 85% dos veículos naquela via. Outro critério para estabelecer a velocidade máxima é a orientação das Nações Unidas, que tem como objetivo fazer os países associados tomarem medidas para a redução dos acidentes de trânsito. A ONU recomenda que a velocidade máxima nos centros urbanos seja de 50km/h.



 A velocidade é um dos cinco fatores de risco que influenciam as mortes e lesões no trânsito. Para evitar acidentes fatais, há ainda outros que devem ser priorizados:
-Uso do capacete para motociclistas
-Não associação entre bebida alcoólica e direção
-Uso do cinto de segurança
-Uso de cadeirinhas para o transporte de crianças


O Brasil recebeu classificação positiva nesses quatro itens, mas foi reprovado no quesito “limite de velocidade urbana de até 50 Km/h”. Não atendemos a recomendação da OMS. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 59 países já implantaram o limite de 50 km/h nos centros urbanos.

Agora que cidades brasileiras começam a adotar a velocidade máxima recomendada pela ONU, candidatos em várias cidades prometem em campanha que vão aumentar a velocidade. A redução em São Paulo comprovadamente reduziu acidentes e mortes. Aumentar a velocidade é propor o aumento das ocorrências.

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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
joelleite@autoinforme.com.br

Comentários

  • Gian

    Mas foi feito todo esse estudo (velocidade de circulação dos veículos depende de estudos onde são levadas em conta características da via e a quantidade de carro, como também o relevo do terreno e as características físicas da pista. São observados também cruzamentos, travessas, escolas, equipamentos públicos em geral) FOI FEITO ? Não acredito que a grande maioria que trafega pela via expressa da marginal ande a menos de 70km/h ! ... Acredito que até pelo seu próprio nome, EXPRESSA, nesse caso não teve estudo algum e sim uma determinação empurrada goela abaixo!

  • Daniel Weber

    Para evitar mal entendido, começo dizendo que está certo o foco na gestão do trânsito ser a proteção à vida. Mas falta coerência por aqui. Só para apontar um dos dramas neste tema vejam os quebra-molas. Conhece o enredo: “Motorista enquadrado por atropelamento doloso não é cumpre pena relevante, e no dia seguinte a prefeitura faz um quebra-mola no local do acidente?” É a dupla falência do sistema ao aliviar para a exceção e punir o coletivo com a versão tupiniquim de 'stop-and-go' da F1. Penso que aceleramos mais do que devia, entre outras coisas, pela fartura de obstáculos. Se fosse possível conduzir a uma velocidade constante, poderia ser inclusive menor que 50km/h, não seria necessário recuperar o tempo que se perde em quebra-molas, buracos, veículos estacionados em fila dupla, sinaleira nas rodovias(!), entre outras 'jabuticabas'. E a OMS? Bom, eles fazem estudos na Dinamarca para demonstrar que funciona. Tudo bem, mas favor recomendar então todo o resto que há por lá!

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