ANÁLISE

DE CARRO POR AÍ

Mobi pode superar má impressão inicial


Vendas do mais compacto dos Fiat começam a crescer


Usualmente lançamentos de produtos provocam compras iniciais turbinadas pela emoção e após baixam à linha de normalidade, permitindo previsão de consumo pelo mercado. O advérbio usualmente é bem válido, e por presunção ocorrerá com o Renault Kwid a ser apresentado ao início de agosto. Mas há exceções, e o inusual ocorre com o concorrente Fiat Mobi.

Não se localiza com precisão a causa de sua baixa demanda inicial, mas com certeza resulta da soma de dois fatores: primeiro, o tíbio retorno da imprensa especializada, mídia gratuita e primeiro passo em lançamento de veículos, alguns textos contaminados pela má apresentação. Segundo, à mostra nova direção da FCA insistiu em juntar públicos não miscíveis: jornalistas especializados e novo segmento blogueiro. Este, dentro de sua especialidade superficial, nos canais sociais cobriu o lançamento exibindo fotos do tipo “Eu e o Mobi”, sem maiores informações quanto ao produto. Como adição, na festa de lançamento no segundo grupo viu-se o desconhecido, arrepios e abrasões. E pela aparente nova óptica suprimiu-se explanação técnica – exigência básica da primeira categoria, óbvia desnecessidade à segunda.

Outro problema foi lançá-lo com antigo motor Fire 1 litro, 75 cv, quatro cilindros, em última evolução, fim de linha. Os dois eventos não instigaram os consumidores e em junho de 2016 o Mobi foi comprado em poucas 2.822 unidades. Logo a empresa aplicou como opção o novo motor Firefly 3 cilindros, também 1 litro, 6 válvulas, 72/77 cv e 10,4/10,9 mkgf de torque (gasálcool/etanol). Medida soprou ar favorável sobre o carro, fazendo crescer a demanda, sedimentando a consciência de ser adequado ao uso citatino, bem-disposto, e até o momento um dos mais econômicos do país.

Mais recente incremento é combinar o sistema automatizador do câmbio antes chamado Dualogic e agora GSR, com aletas de acionamento apostas sob o volante, com motor tricilíndrico. O sistema inclui adjutório para identificar pressão no acelerador para ultrapassagens, busca marcha inferior e mantém o motor em alta rotação. No pacote manteve a função creeping, para partir e manobrar sem necessidade de premer o acelerador. Identifica a versão como Drive GSR, e o conforto da desnecessidade de múltiplos acionamento do pedal da embreagem no trânsito. Há versão com caixa de acionamento mecânico, 5 velocidades, com o antigo motor Fire.

Na ascensão, um ano depois o Mobi registrou mês passado 6.562 vendas a varejo, bem superando o VW up!, até então a referência num segmento muito particular do mercado, o dos subcompactos. Aparentemente, houve lento entender do significado do produto, a consciência de não ser um Uno mais barato, apesar do nome bem achado para exprimir “mobilidade urbana”.

É para andar nas cidades, parar nas vagas menores, cumprir agenda de solteiros ou famílias pequenas e com filhos de pouca altura, porta-malas para necessidades especificamente urbanas. O motor Firefly de projeto novo é bem-disposto, ávaro em consumo. Freios bem dimensionados; estabilidade e acertos de suspensão primorosos, como o são os da marca; bom casamento entre motor e transmissão automatizada com passagem de marchas sem trancos. É um carro urbano. Andar na estrada é concessão, não é vocação.


Mobi reagiu no mercado, liderou vendas do segmento em junho

MAIS PERTO DA AUTONOMIA

Audi apresentou em seu Audi Summit, uma reunião de tecnologia para mostrar conquistas a público externo, o sedã A8, primeiro carro com Nível 3 de automação produzido em série no mundo – o famoso “andar sozinho” é o Nível 4.

É evolução de tecnologias já disponíveis, factíveis por 12 sensores ultrassônicos, lendo placas de sinalização, faixas pintadas nas vias, tomando informações do curso dos carros à frente e atrás, radares e um scanner a laser.

Se a ociosidade fizer o motorista dormir, um alarme o despertará; em caso de situação de trânsito exigir sua atenção, dá alguns segundos para assumir o comando. Caso contrário inicia diminuir a velocidade até parar no acostamento. É capaz de seguir com autonomia até os 60 km/hora. Pelo celular, de fora do carro, pode-se comandar seu estacionamento.

Sistema de varredura frontal adotado pelo Mercedes S há três anos foi incorporado, permitindo identificar buracos e acertar a suspensão para enfrentá-los e, como aprimoramento, radares identificam possibilidade de colisão lateral, elevando o carro em 8 cm, oferecendo à colisão a parte mais rígida da carroceria.

Mal e bem
Desgastado dito popular diz: “Há males que vem para o bem”. Parece o caso deste e de outros Volkswagen – Audi é empresa do Grupo VW. Como consequência do dieselgate, o escândalo dos poluentes motores diesel da marca, VW quer içar a bandeira da tecnologia disponível para reconquistar confiança.


Audi A8: quase autônomo

TESLA 3 INICIA PRODUÇÃO. UM NOVO TEMPO

Polêmico, o novo modelo Tesla 3 entrou em produção. É o primeiro elétrico a reunir características especiais como bom desenho, conforto, boa autonomia e bom preço – estimado em US$ 35 mil, equivalendo a R$ 112 mil. Acima de tudo conta com um enorme aval: há 400.000 pedidos sinalizados. O número é absolutamente invulgar na história da indústria automobilística e demonstra o acerto do caminho tomado pelo líder da companhia, Elon Musk. É empresário vitorioso, dono do sistema de pagamentos internéticos Paypal.

Promessa de Musk é fazer o modelo inicial para atingir grandes números e grande massa de compradores, mudando o desenho dos usuários, ecologistas e ex-hippies. Produção se inicia com enormes pulos: 100 unidades em agosto, 1.500 em setembro, 20.000 em dezembro e projetados 500.000 em 2018. Atualmente Tesla tem pequena fabricação e preços elevados, operando dentro do figurino dos outros concorrentes, como produto de nicho. Mas a instalação da nova fábrica quer mudar o panorama.

Início da produção foi antecipada em duas semanas por razões promo-sentimentais: a primeira unidade não foi separada para a garagem de Musk, mas comprada por Ira Ehrenpreis, diretor da empresa – vai presenteá-lo a Musk à data de seu aniversário, o 28 de julho marcando o lançamento do 3.

O número não é gracioso. A relação de produtos Tesla, do sedã maior ao modelo conversível, todos têm traço de parte do time de design da BMW, contratado para formatar o produto. O 3 indica ser concorrente para a faixa de mercado onde estão BMW 3, Audis 3 e 4, Mercedes Série C, Jaguar F, e se afigura como concorrente ao BMW Series 3 All-Electric.

Como adequado a procedimentos vanguardistas, Musk fez, por si só, pré-apresentação: fotografou e mandou textos por Tweeter. Pelas fotos foram mantidas as linhas do protótipo apresentado como atração às vendas; terá tração simples na série inicial; interior não revelado sabendo-se apenas de grande tela no painel de instrumentos; dois porta-malas; ausência de grade no painel frontal. Embora seja referência dos primórdios do automóvel, para caracterizar a tomada de ar para refrigeração do motor, é totalmente desnecessária com a nova arquitetura operacional. Lançamento formal ao final do mês.


Tesla 3. História do automóvel se desvia aqui.

RODA-A-RODA

Mais uma – Utilitários esportivos deixaram de ser mera opção de carroceria transformando-se em moda de larga duração. Ao momento representam nos maiores mercados um quarto das vendas totais no segmento de veículos leves.

Todas – Aston Martin, Bentley, Jaguar, Lamborghini, Rolls-Royce, ícones de luxo e performance, características muito distantes do utilitarismo, aderiram à oportunidade de mercado.

Aliás – Lambo prepara o Urus, variação crossover para ser modelo de sua maior produção. Fábrica nova, negociada, incentivada, entende mercado do novo produto igual à soma dos demais modelos da marca ora em produção.

À bala – Ao lançamento do Ferrari GTC4 Lusso, com tração nas 4 rodas, perguntaram a Sergio Marchionne, CEO da FCA e da Ferrari, quando teria um SUV. Respondeu teatralmente: “Só se atirarem em mim”.

Mudança – Parece, está comprando colete balístico. Revista inglesa Car revelou código de novo produto Ferrari: F16X. Um SUV. Divergiu da óbvia transformação do SUV Maserati Levante ou o Alfa Stelvio num Ferrari – embora plataformas e mecânica sejam idênticas. Quer se diferenciar por linhas e exclusivo motor V12.

Razão – Teria jeito “acupezado”, com ampla porta traseira em vidro, como evolução do esteticamente inexplicável e fugaz C4Lusso. O SUV deve substituí-lo em 2020. Por quê da mudança? Simples. Ferrari abriu capital, admitiu sócios – cobradores por mais lucros. É o segmento maior potencial de crescimento.

Desafio – Land Rover vive provocação séria: retomar a produção do Defender, seu modelo icônico, para trabalho, descontinuado em 2015 após seis décadas. Empresa adotou linha de ser cada vez mais automóvel e menos jipe.

Dificuldade – Problema maior é fugir da tentação de maquiar o velho Defender e, ao mesmo tempo, provocar lembranças de compradores de mais idade e compatibilizar com exigências de novos clientes, mantendo a diferença de comportamento para não concorrer com a linha atual. Opção – Fiat atravessa situação assemelhada: como mudar a picape Strada, líder em seu segmento, sem que o preço atinja a sua também picape Toro, a mais vendido do país? Protótipos têm sido construídos para encontrar caminho viável – e de custos contidos. Um deles utiliza a parte frontal do Mobi.

Pra cima – Associação dos Fabricantes de Veículos, Anfavea, revisou as projeções para o ano, considerados os últimos números de vendas no mercado externo e as exportações – caminho tomado pelas empresas para evitar uma onda de desempregos e prejuízos ainda maiores. Para estas imagina atingir 705 mil unidades vendidas a outros países, expansão de 35%. Em termos de produção acredita em 2,62 milhões de unidades no exercício, crescimento de 21,5%.

Segurança – Governo argentino quer pacote de segurança em todos os veículos produzidos no país. Reunião no palácio governamental, a Casa Rosada, acertou data de 1o de janeiro de 2018 para vigor. Dentre os equipamentos, o controle de estabilidade, ESP ou ESC.

Barreira – Empresas solicitam adiamento. No Brasil, com quem faz intenso troca-troca, tal obrigação vale apenas a partir de 2020 para novos projetos e 2022 para todos os veículos vendidos no país. O lobby dos fabricantes daqui é mais efetivo e rápido.

Ação – Fez autoridades de trânsito ignorar recomendação da Organização Mundial de Saúde para adoção do ESC em todos os veículos produzidos mundialmente.

Solução – Ministério da Saúde deveria fazer carga pela adoção, para reduzir acidentes, danos físicos e enormes custos bancados para recuperar feridos.

Case – Campanha de lançamento do Renault Kwid baliza sucesso: mais de 40 mil acessos diretos ao sítio da empresa; reservas com sinal superaram desconhecida meta da empresa; e há as feitas diretamente nos revendedores. Problema positivo, encomendas superam capacidade de produção.

Mercado – Dividirá mercado com VW up!, Fiat Mobi, Kia Picanto, Chery QQ.

Fórmula – Para diferenciar-se em consumo reduzido e maior rendimento, projeto focou na redução de peso. No emagrecimento voltou-se à solução tradicional francesa, três parafusos por roda. Aqui Dauphine, Gordini e Ford Corcel, projetos Renault, o utilizavam. E mono limpador pantográfico do para brisas.

Pimenta – Volkswagen apresentará versão Pepper em todas as suas linhas. Baseia-se em homônimo Fox. Pintados em branco, preto ou vermelho realça acessórios. Não há alteração mecânica. Marca a volta de Gustavo Schmidt à empresa, agora como vice-presidente comercial. Agosto.

Caminho – Há cinco anos quem imaginaria o Brasil comprando autopeças ou conjuntos completos da Índia. Pois o inimaginável ganhou forma: preço baixo permite BMW importar a moto 300R desmontada; Renault traz partes para o novo Kwid; motor 1.5 3-cilindros da Ford vem de lá para equipar o novo EcoSport.

Promoção – Adensar relacionamento, insuflar paixão e fidelidade à marca, vender produtos de moda ou motos novas. É o leque aberto pela Harley-Davidson em seu Garage Week, fim de semana de 14 e 15 de julho em todas suas revendas, com food trucks, bandas de rock, barbearias, estúdio de tatuagem.

Ocasião – Como negócio, itens moda/moto e modelos Roadster, Fat Boy e Softail De Luxe aceitando usadas sobrevalorizadas em R$ 5 mil. Até o fim do mês.

Foco – Governo Federal agregou Itaipu nos grupos de trabalho encarregados de formatar a Rota 2030, nova política industrial a ser adotada ao final do ano. Criou subgrupo para veículos elétricos. Itaipu é uma pequena montadora de tais produtos.

Velhos – Resolução 661/17 do Contran define procedimentos para fazer baixa cadastral em veículos. Com mais de 10 anos de não licenciamento e 25 de produção serão rotulados como “Frota Desatualizada”.

Situação – Proprietário sem tomar providências verá seu veículo baixado e sem registro no Renavam – ou seja, proibido de circular. Se o fizer, infração gravíssima, sete pontos a mais e R$ 293,47 a menos na carteira.

Caixa – Medida tem caráter administrativo interno e agrada aos estados. Sensível percentual da frota deixa de recolher taxas de manutenção de cadastro – exceto MG onde o IPVA é cobrado sobre frota antiga –, rodando à margem das regras.

TAM – Passados 10 anos do acidente com o Airbus da TAM, saindo da pista em Congonhas, SP, e explodindo em chamas, matando 199 pessoas, não há sentença condenatória, apenas exceções pontuais.

Aéreo – Com a definição de cobrar malas despachadas, consequência nos aviões tem sido aumento de malinhas e sacolas como bagagem de mão – tornando insuficientes os bagageiros de bordo.

Soluções? – Reorganize – ou ocupe os primeiros lugares nas filas de embarque. Reclame. Transporte concedido nunca traz vantagem ao consumidor/contribuinte. Só a concedente e concessionário – vide as prisões dos operadores de ônibus no RJ.

Sentimental – Ex-dona tenta achar seu antigo Lada Niva. Estava em São Paulo, é grená, ano 1993/94 e placas LAB 7090. Sabe dele? Informe à Coluna.

Aplicação – Após disparada de preço dos veículos colecionáveis no mercado dos EUA, resultados chegaram à Europa. No Índice de Investimentos de Luxo Knight Frank especializado em ativos de valor, cresceu 457%. Imóveis, 20%.

Visão – Andrew Shirley, consultor da empresa, ante visão distorcida de ganhos com ferros velhos, aconselha cautelas:
1. Nem todo modelo terá a mesma valorização;
2. Há custos significativos de armazenagem, proteção, seguros;
3. Compre o que gostará de possuir;
4. Veja o ganho de valor como um bônus.

Gente – Marco Antônio Lage, diretor da FCA, 25 anos na Fiat, resignou. OOOO Incompatibilidade entre o formulador de políticas de comunicação social, relações corporativas, sustentabilidade, e superior com visão teuto cartesiana. OOOO Mercado perde o melhor profissional do ramo, hábil a voos maiores, tipo Vale, Petrobras, governo Temer. OOOO João Ciaco, diretor de publicidade, temporariamente duplicará funções. OOOO

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