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Opinião | Fernando Calmon |

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Fernando Calmon

19/06/2009

Agarre-se à vida com os cintos

A lei recentemente aprovada sobre a obrigatoriedade dos airbags frontais – ao longo de cinco anos até 2014 – para automóveis e veículos derivados chamou a atenção. Afinal, as pessoas se impressionam com as imagens convincentes das bolsas de ar protegendo os ocupantes. Sem dúvida, um recurso importante de segurança. No entanto, trata-se de dispositivo suplementar que protege pouco, sem o uso simultâneo dos cintos de segurança.

Estudos científicos demonstram: sobreviventes de uma colisão, que seria fatal, devem a vida 70% ao cinto e 30% ao airbag. Sem diminuir o valor das bolsas de ar, na realidade há grandes avanços no desenvolvimento dos cintos ainda não obrigatórios no Brasil, embora alguns modelos já ofereçam. Basta citar os pré-tensionadores e os limitadores de esforço. Ambos apresentam relação custo-benefício superior e foram esquecidos pelos legisladores.

Os primeiros cintos eram subabdominais. Depois, o tipo diagonal. O grau de proteção evoluiu, mas nada comparável à criação do cinto de três pontos de fixação. Patenteado em 1958, foi criado pelo engenheiro aeronáutico sueco Nils Bohlin que trabalhava para a Volvo. Bohlin havia recebido do presidente da empresa, Gunnar Engellau, a incumbência de melhorar a eficiência do cinto comum de dois pontos nos bancos dianteiros, após a morte de um parente em acidente.

Em 1959, saiu o primeiro carro no mundo com essa grande evolução, o Volvo Amazon, vendido de início apenas em países nórdicos. Agora completando meio século, o cinto de três pontos foi logo franqueado a qualquer fabricante de veículos. A aceitação começou lenta porque os usuários o consideravam deselegante. Cinco anos depois, incentivado pelos resultados de testes adicionais, o fabricante sueco os tornou equipamento de série em toda sua gama. E se esforçou para convencer da importância do uso também no banco traseiro.

Muitos podem achar que esses cintos pouco mudaram em 50 anos. No entanto, desde lá surgiram pelo menos 18 aperfeiçoamentos, apesar do aspecto permanecer quase inalterado. Em 1969, por exemplo, o mecanismo retrátil melhorou o manuseio, possível com apenas uma das mãos. Os pré-tensionadores aumentaram o conforto e, ao mesmo tempo, a eficiência ao suprimir a folga entre o cinto e o corpo. Sensores inerciais passaram a gerenciar o esforço de retenção em função da gravidade do acidente e interagiam com os airbags.

A lei recentemente aprovada sobre a obrigatoriedade dos airbags frontais – ao longo de cinco anos até 2014 – para automóveis e veículos derivados chamou a atenção. Afinal, as pessoas se impressionam com as imagens convincentes das bolsas de ar protegendo os ocupantes. Sem dúvida, um recurso importante de segurança. No entanto, trata-se de dispositivo suplementar que protege pouco, sem o uso simultâneo dos cintos de segurança.

Estudos científicos demonstram: sobreviventes de uma colisão, que seria fatal, devem a vida 70% ao cinto e 30% ao airbag. Sem diminuir o valor das bolsas de ar, na realidade há grandes avanços no desenvolvimento dos cintos ainda não obrigatórios no Brasil, embora alguns modelos já ofereçam. Basta citar os pré-tensionadores e os limitadores de esforço. Ambos apresentam relação custo-benefício superior e foram esquecidos pelos legisladores.

Os primeiros cintos eram subabdominais. Depois, o tipo diagonal. O grau de proteção evoluiu, mas nada comparável à criação do cinto de três pontos de fixação. Patenteado em 1958, foi criado pelo engenheiro aeronáutico sueco Nils Bohlin que trabalhava para a Volvo. Bohlin havia recebido do presidente da empresa, Gunnar Engellau, a incumbência de melhorar a eficiência do cinto comum de dois pontos nos bancos dianteiros, após a morte de um parente em acidente.

Em 1959, saiu o primeiro carro no mundo com essa grande evolução, o Volvo Amazon, vendido de início apenas em países nórdicos. Agora completando meio século, o cinto de três pontos foi logo franqueado a qualquer fabricante de veículos. A aceitação começou lenta porque os usuários o consideravam deselegante. Cinco anos depois, incentivado pelos resultados de testes adicionais, o fabricante sueco os tornou equipamento de série em toda sua gama. E se esforçou para convencer da importância do uso também no banco traseiro.

Muitos podem achar que esses cintos pouco mudaram em 50 anos. No entanto, desde lá surgiram pelo menos 18 aperfeiçoamentos, apesar do aspecto permanecer quase inalterado. Em 1969, por exemplo, o mecanismo retrátil melhorou o manuseio, possível com apenas uma das mãos. Os pré-tensionadores aumentaram o conforto e, ao mesmo tempo, a eficiência ao suprimir a folga entre o cinto e o corpo. Sensores inerciais passaram a gerenciar o esforço de retenção em função da gravidade do acidente e interagiam com os airbags.

Mais recentemente, pequenos motores elétricos são usados para puxar as fitas e manter os ocupantes na posição correta na iminência de acidente ou quando se dirige com mais empenho ao volante. Se nada de ruim acontecer, o sistema alivia a pressão automaticamente. Estão em fase de testes quatro pontos de fixação e almofadas infláveis embutidas nas fitas.

Estatísticas apontam que as chances de sobreviver a uma colisão aumentam em 50% com o uso dos cintos. Apesar da dificuldade em coordenar informações de uma frota mundial de 800 milhões de automóveis, estima-se que mais de um milhão de vidas foram salvas. Os resultados poderiam ser bem melhores se a taxa de utilização atingisse os níveis atuais dos países desenvolvidos.

Com ajuda de dispositivos simples, a exemplo de luzes e alarmes no painel, mais motoristas passariam a não esquecer de afivelar os cintos. Ainda é a maneira mais eficiente de se agarrar à vida em caso de acidente.

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