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Opinião | Paula Braga |

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Paula Braga

15/01/2019

Quem vai liderar a indústria automotiva do amanhã?

A liderança precisa estar atenta ao período de ruptura e transformação

O mundo já está acostumado a enfrentar revoluções industriais. A primeira aconteceu no século 18, com a invenção do motor a vapor e o seu uso nas fábricas. Já no século 20 a produção em série proposta por Henry Ford marcou o avanço da segunda revolução, seguida por outro progresso após a segunda Guerra Mundial, quando grandes avanços científicos passaram a se refletir nos processos fabris. Apesar da experiência dos saltos anteriores, agora, em plena quarta revolução industrial, o desafio é maior: o mundo está se digitalizando. É a era da convergência, da inteligência artificial, da manufatura avançada, da neurociência. Tudo está mais complexo.

Para acompanhar esses avanços são necessárias mudanças estruturais, o que inclui transformações de hábitos, principalmente entre as lideranças das empresas que têm o desafio de entregar estas transformações. Também é preciso que os homens em mulheres em cargos de comando estejam dispostos a acompanhar as transições frenéticas, a incorporação de novas técnicas e novos conceitos. Diante das demandas de um mundo cada vez mais conectado, a indústria precisa expandir o desafio de se reinventar para outras esferas. A começar por cima, pela liderança.

O CAMINHO PARA A INOVAÇÃO NA LIDERANÇA


Para não cair na obsolescência só há um caminho: a inovação - e isso inclui a construção de novos padrões, espelhos e modelos. No Brasil, a indústria automotiva, uma das molas propulsoras da economia do País, caminha a passos largos rumo à renovação da técnica, mas avança em ritmo tímido quando se trata da transformação dos gestores.

A pesquisa Liderança do Setor Automotivo (disponível para download gratuito aqui), feita por Automotive Business com 605 pessoas tomadoras de decisão constatou que, para acompanhar a Revolução Digital, a indústria precisa revisar sua política interna e cultura organizacional. O estudo mostrou que 90% dos líderes da alta gestão são brancos. Não há nenhum negro.

Na média gestão, 79% dos cargos do alto escalão são ocupados por pessoas brancas e apenas 1% por negros. Isso tudo ocorre em um país em que 55% da população se autodeclara negra ou parda, de acordo com dados do IBGE de 2017. Ainda que a sociedade caminhe em busca da equidade de oportunidades para todos os gêneros, o setor continua a ser majoritariamente liderado por homens: eles somam 93% na alta gestão e 85% na média. As mulheres aparecem com 6% e 12% de representatividade, respectivamente.

EXCLUSÃO NÃO COMBINA COM REVOLUÇÃO


Essas práticas excludentes se opõem à lógica de progresso e lucratividade. Preocupar-se com igualdade de gênero adicionaria US$ 12 trilhões à economia global, segundo estimativa da McKinsey & Company. A consultoria também indica que a presença de mulheres na liderança de uma empresa aumenta em 21% a chance de crescimento financeiro na organização. Quando há variedade étnica e cultural, este número sobe para 33%.

Da falta de representatividade surge a necessidade de criar ambientes propícios para o desenvolvimento de novos líderes. São eles os responsáveis por guiar uma equipe e apontar saídas. O padrão de chefia autoritária e distante dos subordinados ficou no passado. Essa é a Indústria do Amanhã, e ela precisa de pessoas corajosas, lideranças disruptivas, que tomem decisões que impactem positivamente o amanhã.

Comentários

  • ADHEMARTESTA

    Excelenteartigo, muito relevante para o momento que vivemos. Parabéns a autora!!

  • ANGELOVALDIR LANZA

    AcompanhoAUTOMOTIVEBUSINESS a muito tempo e, quero congratular-me com a Paula Braga, pelo excelente, suscinto e despojado artigo! No tocante às mulheres, todos nós sabemos o quão disciplinadas, assertivas, produtivas e líderes são elas! Portanto ...!

  • CarlosNey Castro dos Santos

    Excelentematéria, principalmente no tópico evolução da Gestão. Ainda nós deparamos no segmento automotivo de empresas patriarcais. Liderada por pessoas ultrapassadas, que utilizam métricas de análises conservadoras. Existem organizações que ainda culpa a equipe de vendas pelo mal resultado, no entanto, fica a pergunta: Quanto tempo foi utilizado para capacitação? Gestores que ainda vivem em um aquário de vidro. Por isso se faz necessário a questão evolução e reconstrução de um modelo de Gestão mais eficaz.

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