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Opinião | Joel Leite |

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Joel Leite

08/02/2019

GM diz não ter lucro aqui, mas tem 6 modelos que sozinhos vendem mais do que muitas marcas

Se fosse uma marca, Onix seria a 6ª do ranking brasileiro de vendas

Depois das informações que davam a entender que a GM poderia deixar o Brasil, dirigentes da montadora desmentiram, mas confirmaram que vão fazer uma reestruturação visando melhorar sua lucratividade no Brasil e Mercosul. Oficialmente, a empresa declara que está concluindo o plano de investimento de R$ 13 bilhões no período de 2014 a 2019; que está negociando condições de viabilidade para investimento adicional de R$ 10 bilhões de 2020 a 2024 e, caso as negociações tenham sucesso, investiria R$ 23 bilhões entre 2014 e 2024.

Questionada pela Autoinforme, a montadora não respondeu se cogita deixar o Brasil caso não obtenha lucro este ano ou nos próximos anos e se os investimentos dependem de acordos com os parceiros.

Se a GM considera que não tem lucro em sua operação no Brasil, ela provavelmente se refere à venda do seu carro de entrada, o Onix. Difícil não ter lucro num modelo de entrada que custa de R$ 45 mil a R$ 60 mil e que vende 200 mil carros por ano, mas vamos considerar que a empresa não obtenha a margem desejada nos seus carros chamados “de entrada”, no caso de Onix e o Prisma. Mas e o restante da linha? A marca opera em outras categorias, com carros médios e grandes, onde, como se sabe, a margem de lucro é bem maior.

Além de Onix e Prisma, a GM tem mais quatro carros no ranking que são campeões de venda. Muitos deles, vendendo mais do que várias marcas que têm uma linha completa.

Se fosse uma marca, o Onix sozinho seria a sexta mais vendida, atrás apenas de Volkswagen, Fiat, Ford e Renault, além da própria GM; o Prisma seria a 12ª “marca” do País, a S-10 seria a 13ª, o Tracker a 14ª e o Spin a 15ª, todas na frente de empresas que mantêm grandes operações no Brasil e portfólios completos de produtos, como Peugeot, Citroën, Mitsubishi, Mercedes-Benz, BMW, Jaguar Land Rover, Audi, Volvo e pelo menos mais uma dezena de importadoras.

A picape S-10 vendeu 31,5 mil unidades no ano passado, mais do que toda a operação da Peugeot ou da Citroën, e mais do que Audi, Chery, Volvo e Land Rover somadas.

O monovolume Spin vendeu 25.195, mais do que todos os modelos da Kia e a BMW somados.

Juntos, Cobalt e Cruze venderam 40 mil unidades, mais do que a soma de todos os carros da JAC, Audi, Caoa Chery, Volvo, Land Rover e Suzuki.

E nenhuma dessas empresas está reclamando de beliscar um pedacinho de um dos maiores mercado de veículos do mundo.



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Este artigo foi publicado originalmente pela Agência Autoinforme
joelleite@autoinforme.com.br

Comentários

  • JOSEEDISON PARRO

    Joel MUITOBOM !!!! Abs

  • Daniel

    Paramim a GM está fazendo um "papelão". Estão tratando o poder público, fornecedores e consumidores como idiotas.

  • LuizRoberto Imparato

    Joelmuito oportuna sua análise, porém ela aborda ´só o passado recente da GM . O governo deveria considerar que dos 6 carros GM mais vendidos no país, 2 tem nota ZERO de segurança. A reserva de mercado por décadas, as isenções fiscais dos governos do PT e os financiamentos do BNDES que ainda parece fazer parte dos benefícios governamentais, não foram suficientes para evitar comentários tão injustificados por parte do board da montadora. O fato é um só, ela está muito mal e com nenhuma chance de voltar a ser a número 1 do mundo, mas a culpa não é do Brasil onde ela sempre surfou nas ondas dos privilégios e do protecionismo e sim dela mesmo. Infelizmente o governo brasileiro sempre tratou esse setor como sendo nacional daí só termos a AGRALE como marca nacional enquanto a África, apesar de não ser significativa no mercado internacional, possui 5 marcas nacionais. Já imaginou se só a AGRALE tivesse os benefícios governamentais?

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