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Opinião | Fernando Calmon |

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Fernando Calmon

13/03/2019

Um salão ainda atraente

Apesar da ausência de alguns fabricantes, Genebra teve mais novidades que em edições anteriores

De uns tempos para cá formou-se uma onda de opiniões pessimistas sobre o esvaziamento inexorável dos salões de automóveis. De fato, alguns fabricantes reviram suas participações por diferentes motivos, desde a falta de novidades para o público específico do país em que se realiza a exposição até corte de despesas em meio aos pesados investimentos necessários em eletrificação, carros autônomos, conectividade e compartilhamento de veículos. Tudo isso e de forma simultânea vem exaurindo financeiramente as empresas. O público, no entanto, não tem deixado de comparecer a ponto de abalar seriamente os eventos.

A exposição de Detroit, por exemplo, tenta se reinventar mudando do inverno para o verão, a partir de 2020. O Salão de Genebra continua anual, mas em 2019 sofreu baixas (Ford, Hyundai, Infiniti, Jaguar, Land Rover, Mini, Opel e Volvo estão fora). Apresentou, porém, muito mais novidades do que em outras edições. Esta segue até o próximo dia 17.

A Fiat completa 120 anos de fundação e o Grupo FCA tem participação marcante. Do novo SUV conceitual (mas quase pronto) Alfa Romeo Tonale ao Centoventi focado em discutir novas ideias para o futuro Panda. Mike Manley, CEO da FCA, cumpriu o prometido de apresentar versões híbridas plugáveis do Renegade e Compass, voltou a advertir sobre o fim de subsídios das fabricantes aos elétricos e admitiu que novas fusões não estão descartadas (com a PSA Peugeot Citroën traria muitas sinergias). A própria PSA se aproximou bastante da GM, depois que esta lhe vendeu a Opel.

Impressionou, em especial, o número de carros esporte novos. Desde o inacreditavelmente caro e único Bugatti La Voiture Noire por R$ 47 milhões, em conversão direta sem impostos (claro, alguém encomendou antes), ao relativamente discreto Ferrari Tributo. A lista inclui os ingleses Aston Martin Vanquish Vision e AMB-RB 03, o sueco Koenigsegg Jesko (adepto de um motor a etanol de 1.600 cv), o elétrico italiano Pininfarina Battista (1.900 cv dão para o gasto?) e o dinamarquês Zenvo TSR-S. Até o bisneto de Ferdinand Porsche, Anton Piëch, se insinuou com o Piëch Mark Zero que tanto poderá ser elétrico puro, híbrido ou movido por motor convencional, ou seja, para onde soprarem os ventos.

A história mais curiosa são dois modelos que procuram reviver a marca Hispano Suiza: um se chama Carmen e outro Maguari HS1 GTC. Duas empresas acham-se donas da famosa marca espanhola, fundada em 1904. Produziu carros e motores de avião até sucumbir em 1968. Como vão resolver o imbróglio ninguém sabe.

Entre automóveis convencionais os franceses se destacaram com o novo Peugeot 208 (previsto para ser fabricado aqui) e o Renault Clio. Muito interessante a perua-cupê (shooting brake, em inglês) Mercedes-Benz CLA, que só tem mercado garantido na Alemanha. O Audi Q4 e-tron mostra o rápido avanço da marca alemã em sua linha puramente elétrica.

Por fim, o site do programa BBC TopGear elencou carros e nomes extravagantes que estão em Genebra. Para citar alguns: PAL-V Flying Car, Golden Sahara II, Engler F.F. Superquad, GFG Style Kangaroo, Puritalia Berlinetta, Eadon Green Zanturi e Fornasari GT 311 Gigi.

ALTA RODA


BOM sinal para as vendas da indústria em fevereiro. Melhor termômetro é a média de vendas diárias – 9.932 unidades de veículos leves e pesados ou quase 10% superior a janeiro. Esse indicador tende a neutralizar os efeitos sazonais de cada mês ou época do ano. Mas é preciso esse patamar subir para além de 11.000/dia nos próximos meses a fim de garantir um ótimo 2019.

EXPORTAÇÕES continuam em queda livre este ano: 42% ante 2018. Brasil e México precisam resolver impasse de renovação do acordo bilateral ainda em março. Mexicanos querem livre comércio, sem alterar seu índice de conteúdo local (70% das peças são americanas). Brasil discorda, pois não tem como concorrer com escala de produção de peças dos Estados Unidos.

SEDÃ médio-compacto Jetta, importado do México, ganhou fôlego nas vendas graças à estreia da versão de entrada. Motor turboflex (150 cv) e câmbio automático (pontos altos do modelo) não mudaram. Rodas de liga leve de 16 polegadas tornaram o rodar até mais agradável. Alguns itens de conforto e conveniência saíram. Câmera de ré e faróis de neblina fazem falta.

APESAR de a China ser o mercado de elétricos que mais cresce no mundo, a promissora marca de SUVs Nio enfrenta dificuldades e cortou planos de construir fábrica própria (hoje utiliza a da JAC). Já nos EUA a empresa federal de correios, USPS, investe em furgões elétricos, tipo de veículo que mais se adapta no para e anda de entregas. Cummins é a fornecedora.

LATIN NCAP divulgou outro teste de colisão de um modelo que não é mais produzido. Trata-se do Volkswagen Suran (era fabricado na Argentina) ou SpaceFox, seu nome no Brasil. A entidade inclusive “rebatizou” o SpaceFox de Fox, neste caso ainda em produção, na tentativa de disfarçar o erro. Antes isso havia acontecido com o mexicano Chevrolet Aveo, em 2017.

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fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

 

 

 

 

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