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Opinião | Fernando Calmon |

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Fernando Calmon

11/03/2020

Duster se reinventa sem alterar preços

SUV de entrada da Renault passou por profunda remodelação externa e ganhou interior mais refinado

O mercado de SUVs no mundo não para de crescer. A onda se originou nos Estados Unidos e se transformou em maremoto ao responder por 55% do mercado total de modelos leves. Os que mais sofreram foram os sedãs. Na Europa, utilitários para lazer e quotidiano já representam cerca de um terço de todas as vendas.

São veículos mais pesados e o aumento no consumo de combustível da frota de novos é relevante. Num momento em que todos os fabricantes enfrentam o rigor de regulamentações de emissões e economia. Esse problema afeta em especial modelos europeus. A hibridização tem ajudado e versões elétricas também, mas não será fácil evitar multas a fabricantes “faltosos”.

No Brasil, o fenômeno se repete. Em 2003 o Ford EcoSport foi o primeiro SUV compacto e o sucesso, crescente. O conjunto de todos os utilitários passou de 2% do total comercializado naquele ano para 20% em 2019. Se retiradas as picapes e acrescentados os “aventureiros”, que não passam de hatches enfeitados, os SUVs no Brasil chegarão a 23% em 2020. E a tendência é aumentar nos próximos anos para perto de 30%.

Essa reviravolta nas escolhas de consumidor e o aumento da oferta de novos modelos “altinhos” levaram ao acirramento da concorrência. Isso explica os investimentos da Renault no seu SUV de entrada, o Duster, que acaba de chegar às lojas. Ele enfrentará nada menos de 13 concorrentes, incluindo a nova geração do Chevrolet Tracker agora em março e o inédito VW Nivus em maio.

O Duster passou por profunda remodelação, na prática uma nova geração, ao se considerar que nenhuma peça externa se manteve sem alteração. A maior inclinação do para-brisa suavizou suas linhas, ainda inconfundíveis e robustas. Faróis e lanternas dianteiras e traseiras são novos. O capô ficou mais alto. Único pormenor destoante, o conjunto de faróis de longo alcance no pacote Outsider peca por excesso.

O interior está todo renovado com certo grau de refinamento: central multimídia de 8 polegadas, ar-condicionado de comando digital, apliques de tecido nas laterais de porta, volante com regulagem de altura (sem a incômoda queda-livre ao se liberar a trava) e agora também de distância. A vedação de portas aprimorada ajuda muito na redução de ruído.

Novos equipamentos estão disponíveis: sistema ESC, sensores de pontos cegos e crepuscular, além de quatro câmeras. Permanecem apenas dois airbags obrigatórios. Não há portas USB atrás e a tomada para 12 volts está mal localizada. O motor de 1,6 L/120 cv (etanol) não mudou e se ressente um pouco dos 40 kg extras do novo Duster. O motor de 2 L foi descontinuado. O 1,3-L turbo tricilindro chegará, porém antes no irmão mais sofisticado, Captur. O câmbio automático CVT é o único disponível nas versões intermediária e de topo (manual, só no modelo de entrada).

A assistência elétrica da direção diminuiu o esforço em manobras e melhorou o prazer de dirigir, em razão também de maior rigidez da carroceria e suspensões recalibradas. Bancos dianteiros mais confortáveis dão boa sustentação lateral. O Duster tem nada menos de 23,7 cm de altura livre do solo e o maior porta-malas do segmento, 475 litros.

Outro ponto a destacar são os preços sem alteração: de R$ 71.790 a 87.490.

ALTA RODA


Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, mantém sua aposta de que este ano o mercado de veículos leves e pesados vai passar a barreira dos 3 milhões de unidades ou 9,4% acima de 2019. As vendas acumuladas em 2020, de 1º de janeiro a 5 de março, em comparação a igual período do ano passado, subiram 7,4%. Isso indica cenário alinhado ao quarto ano seguido de recuperação.

Entidade sugeriu revisão do IOF no financiamento de veículos, pois se trata de imposto regulatório e não arrecadatório. Dentro da penúria fiscal do governo central será difícil abrir mão de qualquer tipo de receita. A Anfavea também observou ligeiro aumento nos juros cobrados por bancos, apesar da redução na inadimplência e na taxa básica Selic, o que sempre atrapalha.

Polo GTS devolve cada real de seu alto preço em termos de equipamentos (vários deles importados), além de respostas de motor (1,4 L turboflex, 150 cv e 25,5 kgfm), direção e suspensões. Ideal seria altura de rodagem mais baixa tanto em termos estéticos quanto desempenho ainda melhor em curvas. Bancos dianteiros do Volkswagen aliam estética e ótima sustentação lateral.

Salão do Automóvel de São Paulo mal foi adiado para 2021 e já surgiu a primeira desistência. General Motors alegou não participar mais de eventos em “formato analógico”. Interessante de ver como será a organização do Salão de Detroit deste ano (7 a 20 de junho), pois a empresa confirmou participação. Ótima oportunidade para descobrir as reais diferenças e até copiar, se possível...

Lâmpadas de LED para faróis da Osram introduzem novidades. Unidade de controle CAN BUS evita mensagens falsas de lâmpada queimada para o computador de bordo do veículo. A empresa desenvolveu um sistema de arrefecimento passivo a fim de diminuir a temperatura do ar dentro do farol, o que melhora desempenho e vida útil do produto.

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fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

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