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Opinião | Zeca Chaves |

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Zeca Chaves

16/03/2020

Por que a Volkswagen se tornará líder este ano

O recente crescimento vertiginoso nas vendas e a chegada do SUV Nivus farão a marca ultrapassar a GM no Brasil em 2020

Quando o Virtus foi lançado, lembro bem da discussão que tomou conta da redação da Quatro Rodas. Era janeiro de 2018 e na época eu dirigia a revista. A polêmica era porque a Volkswagen afirmara que a versão topo de linha Highline teria baixa participação no mix de vendas. A redação discordava: o painel digital (opcional da Highline) tinha potencial para fazer o sedã disparar. E foi o que ocorreu. Na estreia do T-Cross, a avaliação da redação cravou que o SUV tinha grandes chances de chegar à liderança do segmento. Dito e certo!

Sabe qual é agora o novo comentário que ouço de alguns colegas da mídia especializada? Que logo a Volkswagen alcançará a liderança do mercado brasileiro, o que não acontece desde 2000. Concordo com essa análise. E, por favor, não me acusem de ser fã da marca. Essa conclusão nada tem de emocional. É só uma leitura racional do mercado, baseada em três aspectos, que explico a seguir.

1) Crescimento recente das vendas
Analisando o quadro acima, é fácil ver como a Volkswagen cresce muito mais do que a GM, atual líder. O gráfico detalha a participação dos principais fabricantes no acumulado de vendas no ano, entre automóveis e comerciais leves, segundo a Fenabrave. A variação é a cada seis meses, menos no último item, que só tem o acumulado até fevereiro de 2020.

Vamos fazer agora um exercício de imaginação e projetar as linhas até fim deste ano seguindo o ritmo de avanço de cada uma. Enquanto a GM tem no acumulado de fevereiro quase a mesma participação que já tinha em dezembro de 2017, a VW não parou de crescer nos últimos dois anos. Se não houver uma grande alteração no atual cenário, veremos a VW como líder de mercado em alguns meses de 2020, fechando o acumulado do ano bem perto da fabricante norte-americana. Ou até mesmo conseguindo ultrapassá-la. Já em 2021, certamente a VW levará o título.

2) Ausência de grandes ameaças na concorrência
Claro que a projeção do gráfico acima pode mudar em função da chegada de carros que ameacem a VW e favoreçam a GM. Mas, olhando para as grandes estreias de 2020, isso dificilmente deve acontecer.

O primeiro grande lançamento é a nova Fiat Strada, agora em abril. Essa estreia deve, no máximo, tirar alguns compradores da Saveiro, que é apenas o quarto modelo mais vendido da marca e hoje já está bem atrás da picape da Fiat (6.443 contra 10.609).

O segundo é a nova versão do Tracker, que chega às concessionárias também em abril. Este é um SUV que, apesar do ótimo custo-benefício e de sempre ter vencido comparativos da imprensa especializada, nunca decolou nas vendas, mesmo nas gerações anteriores. É um nome que não pegou no Brasil. Além disso, a GM tem mostrado grande dificuldade de emplacar veículos de segmentos superiores nos últimos anos. Ela só consegue vender bem a família de entrada Onix. Mas a razão disso eu explico direitinho numa próxima coluna.

Outro grande lançamento do ano será a nova geração do Peugeot 208, que promete ser um belíssimo projeto, especialmente pelo design. Ele pode até roubar alguns interessados do Polo, mas não passa disso, já que compradores de VW e Peugeot costumam ter perfis bem diferentes. E fontes dentro da marca dizem que o hatch deve ser lançado inicialmente só com o mesmo 1.6 aspirado que já existe hoje, o que vai reduzir seu potencial de dano.

Do lado da GM, nenhum grande perigo à vista. Entre os lançamentos com grande força de vendas, temos mesmo só o já comentado Tracker. E no único Chevrolet que vende de fato (e vende muito!), a família Onix, a tendência é haver uma pequena redução nas vendas. De um lado, porque começa a reduzir agora aquela grande a empolgação que houve no lançamento. Do outro, porque a Chevrolet anunciou em março um aumento de preços de até R$ 2.870 em todas as versões. Considerando que é a linha de entrada da GM, isso pode ter um efeito considerável nas vendas.

3) Lançamento do Nivus


Nivus será o maior trunfo da Volkswagen para aumentar sua participação de mercado

Já está confirmado para o início de maio o lançamento do Nivus, aquele que será o SUV (ou pelo menos assim será vendido) mais barato da Volkswagen.

Agora é hora de fazer outro exercício de dedução. Se o T-Cross, que é reconhecidamente caro, foi o sucesso que vimos (nono carro mais vendido do país e líder dos SUVs em fevereiro), o que devemos esperar de um modelo que custará menos, teve seu design projetado pela equipe brasileira (ele terá estilo cupê) e virá com painel digital de série?

Isso quer dizer que o Nivus tem o potencial para abocanhar uma nova fatia do mercado e aumentar o tamanho do bolo da VW. Numa história muito parecida como eu vi naquele distante janeiro de 2018.

E você, o que acha? Deixe abaixo sua opinião ou escreva para mim com seus comentários ou sugestão para próximas colunas: zeca.chaves@gmail.com

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Consultor do mercado automobilístico e jornalista especializado na área há 26 anos, Zeca Chaves é colunista do AUTOentusiastas e do portal Automotive Business; foi editor do caderno Veículos da Folha de S.Paulo e trabalhou por 19 anos na revista Quatro Rodas, onde foi redator-chefe.

Comentários

  • RodrigoGuerra

    Belotexto e uma ótima explicação sobre o crescimento da VW. Concordo que a VW será líder, só acho que ainda não é pq tem preços mais altos do que os concorrentes e ainda insiste em vender motor aspirando sendo que tem motores TSI que cabe em todos os veículos da sua família .

  • AndréSoler

    PrezadoZeca, Eu admiro seu trabalho a muito tempo e durante estes anos que acompanhei sua trajetória aprendi que em 99% das vezes você está certo, pois só torna público o que realmente tem certeza de que vai acontecer. E isso é uma virtude que tento aprender, mas é difícil quanto a briga VW e GM, como você sabe eu tive a oportunidade de testar todos os.produtos de ambas as empresas, e hoje andei com o novo CHEVROLET Traker 1.2 TURBO. A sensação que tenho é que o produto da VW apesar de ser mais caro é melhor que o da GM BA maioria dos quesitos, e a VW ainda conta com alguns produtos que a GM nem em sonho tem como o GLi e os GTS. O que deixa a VW em maior sintonia com o consumidor. O ONIX é um sucesso sim, ninguém discute isso mas ele como o CRUZE enquanto produto tornao-se limitados por falta de versões diferenciadas com um tempero a mais, e em algum momento deverão perder o fôlego de vendas. Em quanto a VW está acertando nos lançamentos, criando desejo e demanda e arrisco a falar que ela só não rouba antes o posto de n1 por conta de sua política equivocada de preços. Lhe desejo sucesso e muitos textos bacanas no portal, estarei acompanhando.

  • Ademir

    Essaavaliação, que inclui SUVs, deveria incluir também a linha Jeep como parte da FCA.

  • ROBERTOCAMARGO

    CaroZeca, apesar de você afirmar que a conclusão da VW tomar a liderança em 2020 nada ter de emocional, várias suposições descritas não tiveram dados que as suportasse. O crescimento da VW é evidente, e se justifica com o lançamento do polo, virtus e T-Cross abrindo segmentos para VW que ela não possuia, embora o gol e o voyage tenham tido seus volumes de vendas prejudicados pela proximidade dos respectivos segmentos. Mas não há duvida que o T-Cross adicionou volume para a VW, e aí você justifica a aproximação dos volumes da GM. Mas a suposição que o novo Tracker da GM não fará sucesso e o Nivus da VW será o oposto, parece mais uma aposta apaixonada do que fundamentada. Se o nome Tracker é motivo de restrição de vendas, não foi apresentado uma pesquisa mostrando isso. O fato é que a atual Tracker é importada do Mexico e tem seus volumes limitados com preços não tão competitivos, vendendo pouco. A nova Tracker terá produção local e chance da GM colocar no mercado um volume maior por um preço competitivo. O Nivus, por sua vez, lançará um novo segmento no mercado (CUV-B), que roubará clientes de outros segmentos, que poderão estar dentro da propria VW (Polo? Virtus? T-Cross? todos pelas semelhanças das carrocerias). Não foi apresentado dados para afirmar que os volumes na VW apenas crescerão com o lançamento do Nivus, sem roubar nenhum mercado da própria VW, e ainda serão capazes de superar a diferença de 2.2% com a GM (cerca de 3600 unidades mensais, considerando somente o último mês de fevereiro, favorável à VW), supondo que esta ainda não ganhe nenhum volume com a nova Tracker nas novas condições de produção e preço que terá. Dificil acreditar que esta análise está claramente fundamentada.

  • RomeuFontana

    Quebola de cristal, hein?

  • Eduardo

    Raciocíniosmuito simplistas na minha opinião. Dizer que um carro não vai ter sucesso só porque o nome nunca deu certo antes, mesmo sendo um carro totalmente novo comparado ao anterior (e fabricado no Brasil ao passo que o antecessor era importado do México), não é um argumento convincente. O novo Tracker chega com preços bem convidativos, e um design muito atraente (muito à frente do T-Cross na minha opinião), o que é muito valorizado pelo brasileiro. Acho que tem tudo para fazer tanto ou mais sucesso do que o VW. Outro raciocício que acho primário: a partiipação de mercado da VW com crescimento constante não é um indicativo firme de que ela não irá estabilizar em um patamar abaixo da GM. É o mesmo que dizer que a Bolsa de Valores de SP iria ultrapassar os 150.000 pontos só porque vinha num crescimento firme desde o ano passado. Vejam no que deu. Enfim, eu ainda acho que a GM vai manter a liderança. E não sou um "fanboy" da GM ou "hater" da VW, esta é uma análise isenta. Se for considerar minha preferência por marca, sou um "Fordista" de carteirinha, neutro quanto a GM ou VW.

  • Marcelo

    Sea VW conseguir posicionar este Nivus num patamar de preços entre Polo e T-cross vai conseguir criar um fenômeno como foi o Ecosport no passado e consequentemente a marca vai voltar a liderança. Acredito que o Nivus vai canibalizar o próprio T-cross.

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