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Opinião | Francisco Sarkis |

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Francisco Sarkis

26/05/2020

A felicidade 2.0 que se encontra no trabalho 2.0

No ambiente digital, cada um poderá mergulhar em seu potencial e identificar aquilo que permite uma entrega diferenciada

Anteriormente, o trabalho era medido por tempo e pela capacidade de produção. Hoje temos a valorização do trabalho intelectual e a migração da produção para os serviços, uma vez que os robôs passaram a fazer parte do trabalho humano.

Essa mudança nos leva ao início de outro tipo de relação com as organizações, pois a diferença está na criatividade e na motivação. É necessária outra velocidade, que exige mudanças contínuas, nas quais a criatividade é muito mais relevante. O mundo exigia um trabalhador que repetia; quer agora um que muda, que inova.

Portanto, muda-se a forma de medição. Perde-se também o sentido de espaço físico, horas trabalhadas. Cada um de nós passa a valer pelo que cria, independentemente das horas que está no escritório.

Não é possível ter certeza de que as pessoas estejam levando suas melhores ideias, criatividade ou relacionamento para o escritório. Hoje os valores mais admirados são respeito, confiança, acreditar no propósito da organização e, principalmente, princípios.

A despeito da pandemia de Covid-19, o home office já ganhava espaço. Estive conversando com a liderança da área de atendimento de duas grandes seguradoras. Em dias chuvosos, em que a dificuldade para chegar ao escritório é cada vez maior nas grandes cidades, e consequentemente o nível de serviço despenca nas centrais de atendimento, a produtividade para quem investiu em atendimento “sem muros” aumenta em até 15%.

Estamos caminhando para o mundo onde os negócios estarão inseridos nas plataformas digitais, em que o cliente interfere diretamente nas empresas. Aquelas mais imersas nesta realidade já incorporaram a avalição dos clientes por likes, cliques e estrelas.

É necessário rever o papel da liderança (chefe). Afinal, se não houver desempenho satisfatório, o colaborador nem vai receber serviço. Esta já é, aliás, a realidade dos quase 4,5 milhões de brasileiros que trabalham com aplicativos de entregas como Rappi, Ifood e Uber.

A liderança, por sua vez, precisa se preocupar com a manutenção do ecossistema de negócios propício para a inovação competitiva. O foco estará em tirar entraves, ajudando a equipe nos ambientes culturais, financeiros, tecnológicos, legais e articular para que o ambiente se torne favorável.

Entra em decadência então essa história de achar que o poder está em demitir ou contratar e depois orientar e controlar os colaboradores. Isso não faz mais sentido. No ambiente digital, cada colaborador poderá mergulhar mais fundo no seu potencial e identificar aquilo que o destaca dos demais e que permite a ele dar uma entrega diferenciada para encontrar sua felicidade, buscar seu projeto de vida com mais autonomia.

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