ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

Demissão, o que fazer?


Por Ivan Witt

Muitos profissionais foram demitidos nesta última crise. Na lista de eventos estressantes, isso só perde para falecimento de ente querido e divórcio. Banalizar o fato é um erro bastante comum.

Num anseio de mostrar aos demais que não foi afetado pelo acontecido e que está “pronto para a próxima” o profissional se lança na busca de nova oportunidade. Mesmo sem querer, ele foi colocado num hiato reflexivo e deveria usar a oportunidade para repensar sua vida.


Muitos profissionais foram demitidos nesta última crise. Na lista de eventos estressantes, isso só perde para falecimento de ente querido e divórcio. Banalizar o fato é um erro bastante comum.

Num anseio de mostrar aos demais que não foi afetado pelo acontecido e que está “pronto para a próxima” o profissional se lança na busca de nova oportunidade. Mesmo sem querer, ele foi colocado num hiato reflexivo e deveria usar a oportunidade para repensar sua vida.

Alguns o fazem, mas a maioria prefere seguir "pedalando”, correndo atrás de uma remuneração adequada às suas necessidades ou uma “ocupação”.

Manter-se em movimento é necessário sim. Mas usar parte do tempo para analisar como foi a jornada até então, é fundamental. Inserido no contexto corporativo por tanto tempo, o profissional fica atrofiado quando o assunto não se encaixa dentro dessa perspectiva. Acostumado a cuidar de interesses de terceiros, ele se vê perdido quando precisa cuidar dos seus. A falta da rotina, da presença das pessoas que eram parte de sua vida, o deixa letárgico. Ao invés de entender as infinitas possibilidades que agora tem, lamenta a perda das poucas que tinha. O humor desaparece, e com ele a vontade de seguir adiante. A mente fervilha com pensamentos do tipo "que injustiça, porque eu?".

Imagine um profissional neste estado de espírito sendo entrevistado para uma nova posição. Sua mágoa pode permear a entrevista, passando ao selecionador uma imagem distorcida da sua personalidade. A ansiedade para recomeçar talvez lhe afaste de uma função mais adequada a seus talentos e propósitos.

É preciso refletir sobre o que ocorreu. Ir fundo nas razões. De preferência com a ajuda de um profissional ou amigo que possa adotar uma posição imparcial e auxiliar no diagnóstico dos porquês. Mais, capitalizar sobre esse aprendizado e usar isso no desenho do futuro que ele busca.

Tem que enfrentar a pergunta mais importante! Qual é o futuro que ele sonha? A resposta não pode estar somente no âmbito do trabalho. Tem que levar em conta a saúde, vida emocional, a família e amigos, a espiritualidade. Não é uma análise simplista. É a vida dele que esta em jogo!

Com as respostas em mãos, vai ficar muito mais fácil traçar a rota. Encarar a jornada como uma oportunidade impar de crescimento. Ao buscar seu caminho, com propósitos definidos, sua atitude mudará, seu humor se restabelecerá e o equilíbrio voltará. Nesse momento, é hora de voltar a pedalar.

Mas é bom descer da bicicleta de vez em quando, mesmo estando empregado, para revisitar os planos, fazer correções, cuidar de si mesmo. E não falo só da carreira, mas de todas as dimensões da sua vida.


Ivan Carlos Witt é sócio-presidente da Steer Recursos Humanos, empresa que fundou em 2002. Ocupava antes o cargo de diretor de compras para a América do Sul da Ford Motor Company, onde trabalhou por 20 anos. Atuou 10 anos no exterior (México, Estados Unidos, Espanha, Inglaterra e Alemanha) em cargos de liderança nas áreas de recursos humanos, manufatura, logística e compras. Engenheiro eletricista, atua hoje como headhunter, conduz treinamentos corporativos e desenvolve o Programa Horizontes de aconselhamento profissional para líderes.

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iwitt@steer.com.br
3 de março de 2010


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