ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

Cobertor curto


Faltam engenheiros para acompanhar o crescimento da indústria automotiva


Ontem li uma matéria na edição das maiores e melhores empresas da revista Exame. A publicação aponta que, até 2014, US$ 11 bilhões serão investidos no setor automotivo para a construção de novas fábricas e ampliações das existentes. Para cada milhão de dólares aportado, é necessária a contratação de um novo engenheiro. Isso significa que o setor deverá admitir 11 mil profissionais da área nesse período.

Logo em seguida, em outra revista, agora a Você S/A, li um artigo que indicava que os bancos estão vencendo a disputa pelos engenheiros. Os salários são de três a cinco vezes maiores do que os oferecidos em outras áreas.

Nessa mesma coluna, em março de 2011 escrevi um artigo intitulado “Engenheiro, garanta o seu” (leia aqui). Não quero ser repetitivo, mas o risco das montadoras é muito grande. Dados mais recentes mostram que se formam no Brasil aproximadamente 41 mil profissionais por ano. A necessidade atual do mercado é de 75 mil no mesmo período. Sabe-se também que somente três em cada 10 vão atuar em suas áreas respectivas.

O mercado será sempre uma alternativa. Ir buscar na concorrência faz parte do jogo. Mas o problema agora é mais complexo e urgente. A concorrência também vai contratar e não existem recursos disponíveis. Nem haverá num futuro próximo, muito menos em 2014.

O mercado desses profissionais é como cobertor curto. Se tapar de um lado, destapa de outro. Se eu fosse o presidente dessas montadoras chamaria o diretor de RH e perguntaria: qual é o seu plano para contratar os engenheiros necessários para levar a cabo nosso projeto de implementação da nova fábrica ou ampliação das existentes?”

Para dar uma apimentada na sopa, operações fora do sudeste do país terão uma tarefa bem mais árdua pela frente!

Adoraria estar presente para ouvir as respostas.

Comentários: 5
 

Edson Silvestri
23/07/2012 | 08h58
Olá! Gostaria de parabenizar ao Ivan Witt por mais esse debate sobre o mercado de trabalho no Brasil e a toda a equipe do Automotive Business pela qualidade das informações aqui divulgadas/promovidas. Mas aí fica uma questão: há alguns botões abaixo para compartilhamento dos textos no Twitter e Facebook. Seria possível a adição de um botão para compartilhar também no Linkedin? Essa rede de relacionamentos também deveria receber essas excelentes reportagens apresentadas nesse site. Abraços, Edson.

Joaquim Fontenelle
23/07/2012 | 09h41
Prezado Ivan, Acompanho com iteresse sua coluna. A questão dos engenheiros vai mais além, não obstante a carência dos profissionais, talvez fosse bom questionar alguns pontos: Quem e como se determina o número de carência de profissionais ? Hoje muita gente tem diploma de engenheiro, como voce diz 3 em 10 vão exercer a profissão na área. Os diplomados são gente capaz ? Não seria a hora de termos um exame para engenheiros similar ao da OAB para advogados ?

Gustavo José nedel
23/07/2012 | 10h35
Caro Ivan, aqui no RS a situação esta mais difícil ainda, dadas as poucas oportunidades de emprego nas áreas que envolvem alto valor agregado aos seus produtos. Temos somente uma montadora de automóveis, GM, e os nossos impostos estaduais são muito elevados, perdendo a competitividade entre os demais Estados. Outro ponto que desejo salientar no âmbito geral, é que muitas empresas necessitam que seus engenheiros viagem periodicamente entre outras unidades do conglomerado, seja interna ou externamente ao país. Com isto as necessidades de atualização ou cursos de especialização em alguma área seja de interesse profissional ou de cunho a futuros projetos ficam seriamente comprometidas.

Leonardo V. Rocha
26/07/2012 | 15h32
Apesar do Defícit de engenheiros, o Custo da mão de obra no Brasil é muito caro, para uma automobilistica lider de mercado, hoje, o custo da engenharia no Brasil esta entre o da Alemanha e o da Inglaterra, no topo da lista! Como resultado da roda que não para de girar, ontem que fomos uma solução para redução de custo para a engenharia Americana e Européia, vamos dar lugar para a India e a China. Isto já esta ocorrendo! Não acho que a maré esteja tão à favor. E eu sou um otimista incorrigível!

Alessandro Piveta
26/07/2012 | 21h19
Concordo com os outros comentários que a mão de obra no Brasil é cara e que deveria haver um exame pra qualificar os engenheiros e consequentemente as instituições de ensino. Porém, sou engenheiro mecânico com mestrado na área automotiva e estou procurando por uma vaga desde março e não consigo nem entrevista. Também conheço mais engenheiros com formação similar a minha e que não conseguem uma colocação neste mercado. Sei que não tenho experiência na área, mas como colocarão novos engenheiros, seja lá qual for a área, se não dão oportunidade pra que estes possam desenvolver-se neste ramo? Muitas empresas querem um engenheiro júnior ou mesmo um analista com experiência de 3 anos, mas como ter experiência sem um início?

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