ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

Mudança nos ventos


Entenda os novos desejos de consumo da geração Y


A agência Bloomberg publicou um artigo muito interessante (veja aqui). Recomendo a leitura com atenção a todos que trabalham na indústria automobilística. Segundo o texto, jovens da geração Y não compram carros como seus antepassados. A prioridade, na hora de gastar, é para os smartphones, notebooks e artigos tecnológicos. São eles que hoje proporcionam a sensação de liberdade que antes era oriunda do uso de um automóvel. Essa geração vive no mundo virtual, onde os deslocamentos ocorrem na velocidade da internet.

Além disso, a vida essencialmente urbana pode ser equacionada com transporte público, bicicletas (ecologicamente corretas), e outros meios de transporte mais limpos e mais baratos. Os efeitos disso já são sentidos nos volumes de venda do mercado americano.

É possível conjecturar que o mercado brasileiro está longe do deles, seja no número de automóveis vendidos, seja na qualidade do transporte público. Apesar disso, basta uma olhadinha nas vendas de smartphones, notebooks e tablets para entender o que é prioridade aqui também.

O preço que pagamos pelos automóveis é digno de nota. E olhe que os juros estão em queda. Quem usa carro como um símbolo de status e não se importa de pagar por ele, vai continuar comprando, mas é uma minoria. O povão logo vai entender que carro novo é supérfluo. Melhor um bom usado ou quem sabe um scooter que faz 35km/l de combustível e não fica parado em congestionamento. Com o dinheiro que sobra, poderão ter acesso aos verdadeiros objetos de desejo dos dias de hoje.

A indústria automobilística brasileira precisa sair do pedestal, parar de chorar e ir a luta ou, antes que se dê conta, vai ser tarde demais. O vento mudou, e o cheiro que sentimos no ar é de competitividade, modernidade, acessibilidade, inovação.

Enquanto os mercados amadurecidos correm atrás dos consumidores com novas propostas tecnológicas, produtos menos poluentes e mais em conta, nós brasileiros pagamos caro por automóveis básicos. Pagamos também, por meio da renuncia fiscal, para que não aconteçam demissões em fábricas tecnologicamente defasadas.

Garantimos, aceitando menos por mais, que as montadoras continuem tendo margens gordas para remeter às suas matrizes, para que elas possam continuar encantando seus consumidores lá fora. Quem sair na frente, respeitando a inteligência do consumidor brasileiro, vai ser líder de mercado. Os demais terão que seguir o exemplo para continuarem vivos. Palavra da geração Y, conectada, atuante e que não tolera ser enganada.


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