ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

O muro


Grandes dilemas nos deixam paralisados, sem saber para que lado pular


Graças ao nosso cérebro e seu lobo frontal, somos especialista em fazer projeções, simulações, criar cenários que nos permitam visualizar situações antes de vivenciá-las. Para provar isso, proponho que você experimente um sorvete de chocolate com molho à bolonhesa. Torceu o nariz? Parabéns, seu lobo frontal acaba de fazer seu serviço de maneira adequada.

Esse pequeno exemplo nos dá a dimensão de como, sem vivenciar algo, podemos evitar coisas desagradáveis, ou fantasiar coisas boas. Troquemos agora o molho à bolonhesa por uma calda de framboesa e uma colher de chá de Grand Marnier. Agora sim uma excelente sobremesa.

Usemos agora essa capacidade para resolver alguns dilemas que por vezes se apresentam em nossas vidas. Mudar de emprego, romper um relacionamento, viver em outra cidade. Ao colocar a questão na mesa, nosso cérebro se encarrega de analisar todos os ângulos, criar cenários (infelizmente, ele se dedica aos piores primeiro) e fazer comparações entre as opções.

Ficamos ali, paralisados sem saber o que fazer, num estado popularmente conhecido como ficar sobre o muro. O muro é como uma linha fictícia de segurança entre duas situações. Nada mais desconfortável que desfrutar da ansiedade do muro. Para que lado pular? Vou me machucar? Que fazer? Parece que o tempo para, que os prazeres cotidianos desaparecem, que nada mais restabelecerá a capacidade de respirar fundo outra vez, desfrutar do agora.

O muro nos paralisa e tem nome: medo. O cérebro tenta nos proteger, fazendo o que ele faz melhor, encontrar uma maneira de garantir nossa sobrevivência. Mas esse trabalho leva em conta o que ele sabe, aprendeu, vivenciou. Junta tudo e traça diversas trajetórias, buscando encontrar aquela em que você possa existir sem ser ameaçado. A sensação é de confinamento, claustrofobia.

Que tal fazermos uso da ferramenta cerebral para sair disso? Se o medo paralisa, o que aconteceria se nos movêssemos? Mas para qual lado do muro? Juntemos nossos instintos, usemos nossa intuição, permitamos que o coração opine, joguemos os búzios, leiamos as folhas de chá, sintamos a direção do vento, façamos nossas orações e pulemos! O lado que cairmos será o melhor lado, pois ao chegarmos ao chão enxergaremos muitas coisas que não poderiam ser vistas de cima do muro.

Nosso cérebro não as utilizou em suas projeções porque não sabia que existiam. Por fazerem agora parte das possibilidades serão usadas de maneira adequada para transformar nossa escolha na escolha certa, de sucesso. Nos sentiremos motivados a construir um novo cenário que nos acolha, nos conforte, até que uma nova questão ou situação se apresente e nos faça subir no muro outra vez. Mas agora saberemos que se o medo paralisa, a ação liberta, e que esse processo de aprendizagem proporciona crescimento pessoal. Não há garantias, nunca há. Ao pular do muro saímos da sobrevivência para a vivência, e quase sempre ficaremos melhor do que éramos antes. Nem sempre é preciso pular, alguém ou a vida farão isso. Não faz mal, sigamos crescendo, apreendendo, vivendo.

Para você em particular, que está pensando em trocar de emprego, veja o exemplo do Papa. Mesmo com o chefe que tem, pediu demissão!


Comentários: 5
 

Pedro Luiz
19/02/2013 | 11h19
Achei muito interessante o foco do artigo, e a maneira que foi a abordagem deste assunto que realmente nos dificulta na tomada de decisão. E o ultimo paragrafo foi muito bem colocado, nos incentiva a pensar na posição real de que podemos determinar o nosso destino, o que precisamos e ter confiança na nossa decição.

Rafael Lino
26/02/2013 | 17h47
Excelente! Obrigado!

Abinadab
27/02/2013 | 09h22
Perfeito.

Fábio Munhoz
20/03/2013 | 14h53
O muro: Reflete bem as situações onde temos que tomar decisões, nuca temos a certeza de que tudo dará certo ou errado, mesmo assim o dilema do não conhecido está diante de nós esperando para ser aceito ou ignorado. Com a junção dos conhecimentos adiquiridos ao longo da vida ou carreira nos trará um pouco mais de possibilidades de acerto mas não nos isenta totalmente dos erros. Situações assim só nos da uma certeza, a de que sairemos com mais conhecimento e mais fortalecidos do que quando entramos.

Julio Gazzinelli
09/05/2013 | 12h58
Parabéns pelo artigo Ivan! Gostei particularmente deste por estar passando por um momento "encima do muro", e a sua sensibilidade em analisar a situação foi muito grande analisando a questão de forma simples e direta.

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