ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

Pausas necessárias


O distanciamento do cotidiano ajuda a construir um novo olhar sobre ele


Regressei há pouco de duas semanas de férias com a família. O distanciamento do cotidiano, o convívio com os entes queridos, coisas novas e situações diferentes ajudam muito na construção de um novo olhar sobre onde estamos. Uma pausa na tocada pesada do dia-a-dia enche a mente de ideias, o coração de esperança e tira um par de anos das costas.

Como fui para o hemisfério norte, o frio do inverno e as nevascas me fizeram companhia. Hoje, em casa, pude varrer tranquilamente o quintal de calção apenas sentindo o calor gostoso do sol nas costas. O contraste das estações me fez refletir sobre a gangorra da vida pessoal e profissional. Síncronas, interligadas, detentoras do nosso destino.

Varrer folhas no quintal é um hábito antigo. Para mim, quase um exercício de meditação. Ali no chão secas jazem folhas que estavam na copa das árvores, saboreando o vento e transformando luz em seiva. Como tudo nesse mundo, passageiras. A árvore permanece firme graças as folhas jovens.

Junto as caídas no chão e as coloco na composteira, onde vão se transformar em adubo de excelente qualidade. Rapidamente, com umas vassouradas, o desorganizado dá lugar ao limpo e a beleza do jardim é realçada pelas flores, que também, em breve, farão parte do húmus vitalizante.

Nossa vida profissional e pessoal é passageira. Somos grãos de poeira cósmica. Lembre-se disso para manter o ego sob controle, para cultivar a humildade. A soma de nossos atos transforma o mundo. Como as folhas, talvez como flores, cumprimos nosso papel. Quando jovens com ímpeto e vitalidade, correndo atrás de nossas conquistas. Já maduros temos uma visão mais hedonista da vida.

As conquistas dão lugar aos propósitos e o ego já lixado pela vida serve apenas para conferir identidade e não mais como credencial. Se possível, quando anciãos, o desprendimento será maior e o compromisso será com o entendimento profundo dos sentimentos, da espiritualidade. Navegaremos lentamente de encontro com o todo cósmico, contentes por ter contribuído, conformados com o destino, em paz.

As pausas servem para que possamos nos entender, nos depurar. Para que atribuamos valor em coisas que na tocada frenética da rotina nos passam desapercebidas. Mais, para que lembremos que não temos controle das coisas, apenas pensamos que temos. Prepare seu espírito para lidar com adversidades, coisas novas e não planejadas. Prepare-se também para o prazer, o riso, o belo. Se puder optar, escolha o melhor para você. Se não puder, tenha fé e ore pelo melhor.


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