ANÁLISE

Mercado

A evolução do segmento de comerciais leves importados - por Lauro Campana*


Modelos chineses ganham preços competitivos quando produzidos no Brasil


Congestionamento nas grandes cidades, dificuldade de encontrar espaço para estacionar, alto custo de combustível e preço de aquisição são fatores que pesam na escolha de um comercial leve para uso em grandes cidades. Modelos compactos, em geral com comprimento total inferior a quatro metros e motor de aproximadamente 1.0, são boa opção para transporte de pequenas cargas, encomendas e para serviços de manutenção.

Esse tipo de veículo é muito utilizado no Japão, Coreia, Índia e até na Europa, na China foram vendidas aproximadamente 2,5 milhões picapes e furgões compactos para carga e passageiros em 2012, com motores em sua maioria perto 1.000 cc. Os maiores fabricantes chineses são a Wuling, que comercializou 1,3 milhão de unidades em 2012, a Changan/Hafei com 0,6 milhão de unidades, além da Dongfeng (DFSK), Chery/Rely, Shineray e outras menores.

A Towner foi a primeira a explorar este mercado em 1993 competindo principalmente com Fiorino, Uno Furgão, Kombi e picapes Saveiro, Fiorino, Corsa e Courier, sendo a maioria utilizada como veículo de transporte de passageiros. Além das versões furgão e picape, a Towner passageiros de sete lugares também era vendida. Em 1996, auge de vendas da Towner, foram emplacadas 11,6 unidades, 0,7% dos veículos licenciados no ano.

A importação de comerciais leves compactos foi interrompida entre 1999 e 2000 e reiniciada em 2008 pela Changan com 525 unidades licenciadas naquele ano. A partir de 2009 a CN Auto e a Effa também passaram a importar tais veículos que, se somados aos trazidos pela Changan, totalizaram 1,9 mil unidades em 2009 atingindo 19,5 mil em 2011.

Apesar do crescimento dos licenciamentos em mais de 100% em 2011 em relação a 2010, as vendas foram duramente afetadas no segundo semestre pela valorização de 20% do dólar entre agosto e dezembro e pelas incertezas causadas no mercado com o anuncio do acréscimo de 30 pontos porcentuais no IPI dos veículos com conteúdo local inferior a 65%. Por outro lado, o licenciamento de picapes e furgões pequenos produzidos no Brasil, como Strada, Saveiro, Montana, Kombi, Fiorino, e Kangoo, totalizaram 212 mil unidades em 2009 crescendo para 299 mil em 2011.

Em 2012 as vendas de comerciais leves compactos importados caíram para 11,3 mil unidades como reflexo da valorização do dólar, da subida dos preços causada pelo adicional do IPI e as incertezas acerca da politica do setor. O licenciamento de picapes e furgões compactos em 2012 foi reduzido para 293,6 mil unidades, com queda de 2% ante o ano anterior. O movimento indicou o desaquecimento da economia nacional.

Comerciais

A disputa pelo mercado é grande, com planos de produção local de diversas empresas e uma corrida atrás das habilitações ao Inovar-Auto. Certificadas para o novo regime automotivo como montadoras ou importadoras, as companhias podem usufruir do benefício da cota de importação e de crédito de IPI.

Até o momento as únicas empresas do segmento de origem asiática a se habilitarem no Inovar-Auto como importadoras foram Districar/Changan e Rely, nova entrante pertencente à Chery, porém importada pela Venko no Brasil. Dessa forma, as companhias poderão trazer anualmente do exterior até 4,8 mil veículos isentos do adicional de 30 pontos porcentuais de IPI com base no histórico de vendas dos últimos anos.

A Rely iniciou suas atividades no Brasil no fim do ano passado e obteve cota de importação de 1,2 mil veículos em 2012 e de mais 1,2 mil veículos até março de 2013 isentos do adicional do IPI. Os volumes foram calculados com base no histórico de importação dos veículos Chery, que eram trazidos pela Venko até o anuncio da fabrica da montadora chinesa no Brasil. Confiante no crescimento do mercado, a Rely poderá produzir tais veículos no Uruguai, na mesma fabrica onde são montados o Tigo e o Face, ambos da Chery, caso a cota anual não seja suficiente para atender a demanda.

A Districar, importadora dos comerciais leves da Changan, admitiu em outubro passado que estudava o investimento de US$ 300 milhões em uma fabrica em Linhares (ES), para produzir a partir de 2014 modelos das marcas Ssangyong, Changan e Haima. A empresa obteve cota 800 veículos em 2012 e mais 800 unidades até março de 2013 isentos do adicional de IPI. Ainda não foi divulgado, no entanto, para quais veículos a Districar ira utilizar tal cota.

Em meados de 2012 a CN Auto assinou contrato de transferência de tecnologia com a Hafei e ira investir R$ 250 milhões para produzir a Towner também em Linhares (ES), com inicio de produção previsto para janeiro do ano que vem. Além de importar comerciais leves da Hafei, a CN Auto também representa a DFSK. A organização ainda não foi habilitada no Inovar-Auto em nenhuma categoria.

A Effa é outra empresa que, por enquanto, não obteve certificação para o novo regime automotivo. A companhia anunciou em fevereiro a produção de picapes e furgões Hafei em Manaus (AM). O início da operação está previsto para entre abril e maio de 2013. A imprensa chinesa aponta que a Hafei, marca pertencente à Changan, que atualmente fornece veículos para CN Auto, Districar/Changan e Effa, avalia a possibilidade produzir veículos no Uruguai em parceria com um revendedor.

A Shineray que iniciou suas operações em abril deste ano, espera vender 3 mil unidades em 2013 e 6 mil veículos em 2014. A companhia, no entanto, ainda não anunciou planos para produção local, o que suportaria tais volumes com a isenção do IPI adicional, já que a empresa não possui histórico de importação para solicitar cota ao governo.

O mercado é promissor, até a GM está de olho nele. Parceira da Wuling na China, a companhia vende produtos da fabricante chinesa em alguns mercados. Recentemente a imprensa publicou fotos de um furgão Wuling em testes no Brasil pela GM. O primeiro a produzir localmente terá grande vantagem, pois este segmento é muito sensível a preços. A produção local, apesar dos investimentos, isenta o IPI adicional além da evitar o pagamento de 35% de imposto de importação incidentes nas unidades trazidas do exterior. Resta-nos esperar os movimentos dos atores do segmento.

*Lauro Campana é consultor e tem carreira dedicada ao setor automotivo, com passagens pela Ford e ZF do Brasil.

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