ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

Processos seletivos


Como escolher o melhor candidato?


Entrevistas de emprego são sempre motivo de apreensão por parte do candidato. Por mais preparado que o profissional esteja, sempre haverá certa ansiedade no ar. Existem várias receitas de como comportar-se numa entrevista e vale a pena pesquisar algumas delas.

Como headhunter sigo um processo. Recebo muitos currículos por dia e respondo a todos que os enviam. Peço que entrem no site da consultoria e que preencham nosso cadastro eletrônico. Quando estamos trabalhando numa vaga, essa é nossa maior fonte de informação.

Uma vez convidado a participar do processo seletivo, existem três coisas que presto muita atenção nos candidatos. Uma delas é a pontualidade do indivíduo. Espero que o candidato respeite a agenda dos envolvidos e avise com pelo menos 48 horas qualquer modificação nos seus planos. Cobro o mesmo dos meus colaboradores e clientes em relação aos candidatos. Existem exceções, mas procuro ao máximo evitá-las.

A conduta do candidato durante a entrevista é outro ponto essencial. Faço questão de deixá-lo a vontade para que possamos ter uma conversa objetiva, tranquila, para que eu possa avaliá-lo sem que ele esteja preocupado demais em responder o que os manuais instruem. Quanto mais próximo do seu real estilo melhor, pois assim ele se comportará cotidianamente. Finalmente, gosto de ouvir deles suas experiências mais marcantes, seu plano de vida, como ele irá integrar o desafio profissional ao pessoal.

O resultado dessa conversa, aliado ao histórico profissional e outros fatores determinantes para a posição me farão escolher os finalistas. Claro que há subjetividade na avaliação, mas raramente nos equivocamos. Na verdade, de todos os recursos que alocamos no mercado, somente uma vez tivemos que ativar nossa cláusula de garantia, que assegura aos nossos clientes a reposição do profissional que não se adequou a posição. Os anos de vivência no setor, bem como o conhecimento das necessidades do cliente e do seu clima organizacional, ajudam muito.

Gostaria de finalizar com uma estória de guerra. Em 1986, quando trabalhava no México, estava entrevistando engenheiros para a posição de instrutores de treinamento. Havíamos listado o perfil da vaga e os requerimentos. Conversei com diversas pessoas. Já no fim do dia, recebi um jovem que após as apresentações iniciais me disse: “não tenho experiência prévia nessa indústria, trabalho noutro setor. Acabei de me formar, mas sou técnico e trabalhei durante o curso superior pois já estava casado. Tenho dois filhos pequenos e minha esposa é professora e ganha pouco. Preciso melhorar, e muito, meu salário para que meus filhos e nós possamos ter uma vida melhor, mais digna.”

Nunca tínhamos nos visto, mas sua sinceridade e emoção ao relatar sua condição não me deixaram dúvidas. Estava diante de uma pessoa honesta, honrada e determinada ao sucesso. Ele é hoje um executivo importante e um amigo de muitos anos.

Processos seletivos não são ciência exata. Ao lidar com seres humanos precisamos levar em conta também o intangível. Não é fácil, mas é muito gratificante.


Comentários: 2
 

Milton Lubraico
13/05/2013 | 09h26
Excelente artigo! Como executivo de uma grande empresa multinacional, acredito e tenho observado que a honestidade, determinação e VONTADE, são pre-requisitos indispensáveis para o desenvolvimento de um grande/prospero profissional!

Wagner
26/06/2013 | 09h52
Prezado Ivan: Sou um profissional de RH com alguns eu diria vários anos na área e seguramente seus artigos são inspiradores. Gostaria de agradecer por compartilhar conosco suas experiências de vida pessoal e profissional. Abraços Wagner Polizel

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