ANÁLISE

Mercado

O fim dos carros populares, mas não do motor de 1 litro


Motorização 1.0 volta a ganhar mercado com a chegada de motores mais eficientes


A década de 1990 foi marcada pelos lançamentos de inúmeros modelos populares. Incentivados por uma alíquota de IPI menor, eles passaram a ter motores de até 1 litro. Como se observa no gráfico abaixo, a participação na venda de automóveis com essa motorização subiu de 4,3% em 1990 para um pico de 71% em 2001.

Participação

Se os primeiros onze anos dessa política foram de glória para as pequenas motorizações 1.0, os onze anos subsequentes, de 2002 a 2012, foram de declínio, caindo para 41,7% do total de emplacamentos no ano passado, sendo que nesse período algumas marcas como Citroën e Peugeot simplesmente abandonaram o uso do motor de 1 litro.

Ao mesmo tempo em que nos últimos dez anos houve aumento do poder aquisitivo das várias camadas sociais, as montadoras começaram a oferecer mais equipamentos e conteúdo de maior valor, especialmente nos carros produzidos aqui e na Argentina. Aos poucos, os consumidores foram exigindo mais conforto, e até segurança, com itens como ar-condicionado, direção assistida hidráulica, vidros e travas com acionamento elétrico. As motorizações maiores de 1,3 a 1,6 litro começaram a ser mais requisitadas para melhorar o desempenho devido a esses aos equipamentos adicionais.

Agora estamos vendo o retorno de motorizações de 1 litro, mas em circunstâncias bastante diferentes daquelas de 20 anos atrás. A tecnologia evoluiu e dentro de uma tendência global de downsizing, algumas montadoras já instaladas aqui como Hyundai, Volkswagen e Ford já estão usando ou em vias de lançar motores pequenos de 1 litro e três cilindros capazes de desenvolver pelo menos 80 cavalos. A General Motors também consegui tirar essa potência do seu velho motor de quatro cilindros agora usado na dupla Onix/Prisma. No exterior temos alguns casos como o moderno 1 litro EcoBoost da Ford, que dotado de turbocompressor desenvolve 123 cavalos, potência similar a motores muito maiores.

A nova legislação, que exige que todos os carros vendidos em 2014 tenham ABS e airbags, acabou por sepultar o precursor dos populares com motor de um litro, o Fiat Mille. Outro popular que está com os dias contados é o VW Gol G4, que será substituído pelo pequeno Up!, equipado como moderno motor 1 litro de três cilindros.

Depois da década de 1990 a 2000, quando o carro popular era sinônimo de veículo com motor 1.0, e da sua decadência na década de 2000 a 2010, estamos vendo a ressurreição do motor de 1 litro. A Volkswagen acabou de lançar o Fox BlueMotion com o seu novo motor 1.0 de três cilindros e a Ford se prepara em Camaçari para produzir no primeiro trimestre de 2014 a nova geração do Ka com o mesmo tipo de motor. Outras montadoras estão seguindo a mesma estratégia.

A volta da motorização 1.0 agora é em grande estilo, desenvolvendo potências maiores em modelos com muito mais equipamentos e conteúdo – e o mais importante, são motores modernos, eficientes, leves e econômicos. Portanto, carros populares como estávamos acostumados não existirão mais, mas os motores pequenos sim, porém muito eficientes.

Comentários: 1
 

Ralf Theil
16/07/2013 | 12h12
Nos últimos 3 anos seguindo a produção da VW Brasil, para quem fornecemos componentes, a participação do 1.0 na fábrica de motores caiu de 60% para cerca de 40%, refletindo a tendência do artigo. No Brasil, porém, o novo 1.0 de 3 ou 4 cilindros só teria evolução de potência através de sobre-alimentação (turbo ou compressor), ou melhorias drásticas no sistema de injeção (direta por exemplo) ou no sistema de controle de alimentação (comandos de válvula variáveis). Todas estas possibilidades trazem considerável aumento de custos, que na categoria de veículos de maiores volumes não se justificam. Por isso acredito que os 1.4 e 1.6 continuarão com a maior participação, ou até a crescer, e o 1.0 estagnado ou reduzindo, exceto em aplicações como o Ecoboost da Ford (no Brasil de baixo ou baixíssimo volume). Boa questão de como o Inovar-Auto poderia ajudar nossa tecnologia em downsizing, versus o custo que o consumidor não está disposto a pagar.

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