ANÁLISE

Mercado

Câmbios manuais automatizados: difíceis de engrenar nas vendas


Mas os novos câmbios automáticos e de dupla embreagem decolam


Os câmbios automatizados, que usam a transmissão manual convencional acoplado a um sistema robotizado de trocas de marchas, começaram a ser usados no Brasil no fim de 2007, primeiro pela GM Chevrolet no monovolume Meriva, logo depois pela Fiat no Stilo. O modelo Chevrolet usava o sistema que chamou de Easytronic, fabricado pela Schaeffler, enquanto a Fiat optou pelo Dualogic, fornecido por sua afiliada, a Magneti Marelli. A Volkswagen seguiu a tendência e lançou, em 2009, o Polo iMotion, que também usa o sistema da Magneti Marelli. Apesar de já completar seis anos no mercado, as vendas de carros equipados com câmbios automatizados ainda estão baixas no Brasil.

A Fiat estendeu a aplicação para o Bravo, Linea, Novo Palio, Grand Siena, Idea, Weekend, Strada Adventure e Punto, mas mesmo assim, este ano, o total de veículos produzidos em Betim (MG) com o câmbio Dualogic não deve ser muito mais que 7% da produção total. Já para modelos mais caros, como Bravo e Linea, o Dualogic está presente em quase 60% das vendas. Na parte de entrada do portfólio da marca, Palio Fire, Novo Uno e Mille não têm a opção automatizada disponível.

No caso da Volkswagen, a aplicação foi estendida para Fox, CrossFox, SpaceFox, Polo, Gol e Voyage. Porém, este ano o total de carros iMotion não deve exceder a 3% do total de veículos produzidos. A General Motors, depois do término da produção da Meriva, optou por colocar o sistema da Magneti Marelli somente no Agile Easytronic.

Essas três montadoras permaneceram as únicas a oferecer os câmbios automatizados no mercado brasileiro, enquanto outras como Citroën, Peugeot, Ford, Renault e Hyundai, entre outras, optaram pelos câmbios automáticos tradicionais. Mais recentemente, outras introduziram modelos com transmissão automatizada com dupla embreagem, como a Ford. Mesmo a General Motors optou pelo automático de seis velocidades na família que veículos que usa a plataforma GSV, como Cobalt, Spin, Onix e Prisma.

Apesar dos câmbios automatizados terem sido aprimorados nos últimos anos – principalmente quanto à maior crítica sobre eles, os “soluços” nas trocas de marchas –, a tendência está bem clara em usar câmbios automatizados de dupla embreagem, chamado de PowerShift pela Ford e DSG pela VW, bem mais rápidos e precisos em relação ao robotizado simples. Também é nítida a preferência por transmissões automáticas com mais que quatro marchas. Quanto aos automáticos CVT, de marchas infinitas, que já foram usados aqui no passado no Honda Fit entre 2003 e 2008, há interesse da Nissan em introduzir o sistema em seus carros e talvez da própria Honda para o novo Fit, planejado para abril 2014. Outras montadoras não parecem estar muito interessadas no CVT, provavelmente pelo custo mais elevado.

O cambio manual automatizado teve como principal argumento de vendas a oferta de conforto por um preço menor em comparação com os automáticos tradicionais. Mas esse já não é um argumento tão forte, visto que o preço adicional varia de R$ 2.200 para o Chevrolet Agile Easytronic, até R$ 2.780 para o VW CrossFox iMotion, enquanto a Peugeot cobra R$ 3.300 a mais no seu modelo 208 para incorporar a transmissão automática tradicional de quatro velocidades; e na Ford paga-se R$ 3.650 extras para colocar o PowerShift (automatizado de dupla embreagem com seis velocidades) no New Fiesta Hatch brasileiro.

No caso do New Fiesta, as vendas da opção PowerShift surpreenderam a própria montadora e já representam em torno de 20% dos hatches vendidos, evidenciando o interesse dos consumidores nas novas tecnologias e a dificuldade do câmbio manual automatizado em engrenar nas vendas.

Comentários: 8
 

Leon
11/10/2013 | 21h04
Para maior precisão, muito antes de 2007 houve câmbios automatizados em carros fabricados no Brasil: nos anos '60, era um opcional da linha DKW Vemag, chamado de Saxomat; no início dos anos 2000, Mercedes Classe A (AKS), Fiat Palio (Citymatic) e GM Corsa (Auto Clutch) contavam também com esse tipo de acionamento do câmbio.

Julian Semple
14/10/2013 | 22h39
Caro Leon, grato pela sua nota. No caso do Mercedes Classe A, Fiat Citymatic e Corsa Aut Clutch, entendo que esses sistemas eram uma automação só da embreagem (o motorista tinha que trocar as marchas), e não da caixa de câmbio como são o Dualogic, iMotion e Easytronic. Abraço, Julian

Ronaldo Gomes Ribas
16/10/2013 | 14h48
Me parece claro que as transmissões automatizadas que a GM, Fiat e VW estão oferecendo no mercado brasileiro em veículos de passageiros, é uma alternativa mais barata para suprir uma deficiência de oferta para consumidores que entendem pouco de transmissões. É fato que as fabricantes aqui instaladas utilizam em seus países de origem, caixas de transmissão automáticas de seis, sete, oito e até nove velocidades da ZF, Getrag, AISIN, JATCO e das próprias GM, Honda, Nissan, Mitsubishi, etc... Creio que a partir do amadurecimento dos consumidores brasileiros no uso de câmbios automáticos em veículos compactos do tipo dupla embreagem, CVT e de modernas caixas com conversores de torque como os atuais câmbios da ZF, ninguém mais comprará estas versões automatizadas “Easytronic, Dualogic e I-Motion”, que além de ruins na dirigibilidade, têm problemas sérios de durabilidade e custo alto sem cobertura de garantia.

Maurício
05/02/2014 | 13h34
Boa tarde. Caro Julian, parabéns pela ótima matéria. Eu estou prestes a comprar um veículo usado, e quero obrigatoriamente um veículo com câmbio automático, e hoje tem também a opção pelos automatizados. No seu conhecimento, vale a pena pegar um veículo usado ou até mesmo novo com este câmbio(imotion ou dualogic) ? Existe possibilidade de logo sairem de linha e ou serem substituídos pelos de dupla embreagem e até mesmo os automáticos de verdade?

Loilson
10/03/2014 | 23h04
Acredito que a tendencia seja o desaparecimento do famoso pedal da esquerda ! contudo devido, infelizmente, aos exorbitantes preços e dificuldade de manutenção dos novos produtos de cambios automáticos, tão brilhantemente citado pelos colegas acima. Acredito que os cambios automatizados da Fiat, GM e VW, ainda vão render bastante por aqui. Pois acertando os problemas que existiram no passado, e com aumento desse seguimento no mercado, onde hoje as tres montadoras utilizam a marca Magnet Marelli, sem duvida os problemas de manutenção não incidiram mais sobre a dificuldade de ter esse produto.

tulio freitas
15/12/2014 | 18h03
Qual a diferença do componente eletronico "Bosh ou Magnet Marelli" usados nos cambios automatizados I motion e Dual logic?

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