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Opinião | Ivan Witt |

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Ivan Witt

29/04/2014

Uma borrasca se aproxima no horizonte

Experiência faz a diferença nestes momentos

A busca por melhores posições, no menor tempo possível, caracteriza os profissionais modernos. Estagiários, trainees estão sempre buscando maneiras de, no máximo em dois anos, tornar-se supervisores, gerentes, diretores. Para isso fazem cursos de pós-graduação logo que terminam a faculdade.

Não tenho certeza se conseguem desfrutar do conteúdo. Falando com um professor de um famoso curso de pós-graduação em administração de empresas, ele me confidenciou que gosta das turmas onde há presença de pessoas com mais de 40 anos. Porque há troca de experiências, a participação é garantida e as perguntas têm fundamento na vivência profissional.

Para esses jovens, no fim desses cursos, fica a sensação de que agora há embasamento, conteúdo, substância para acelerar a carreira e, por consequência, os salários. Cargos com nomenclatura pomposa ajudam muito. Principalmente para ilustrar o currículo que será enviado aos concorrentes.

É uma maneira clássica de acelerar o processo de subida. Não é privilégio nosso. Multinacionais enviam executivos ao Brasil, para obter resultados significativos em curtos períodos de tempo. Eles o fazem, mas nem sempre o resultado obtido ajuda a organização em médio e longo prazos. A agenda pessoal está na volta à matriz, de preferência numa posição de destaque. Não advogo contra. Nem a favor.

Acho que é a condição do mar que determina a escolha do capitão do navio. Para mar calmo, capitão novo dá conta do recado, auxiliado pela tecnologia e pelos marujos dedicados. Para mar bravio, capitão experiente, que já navegou anos naquele tipo de barco, que já vivenciou várias tempestades e está vivo para falar delas, que cometeu erros e aprendeu com eles. Que não abandona o navio porque o céu ficou cinza e porque a coisa vai ficar feia.

Aquele que, apesar de tudo, sabe o valor de quem o manteve na ativa, que é leal à causa e não perde o sono à noite em dilemas pessoais. Ele se realiza em fazer seu trabalho porque acredita que é este seu destino, é ali que ele pode ser pleno e útil à sua corporação.

E não é que os céus de nossa indústria estão começando a escurecer? Vem borrasca pela frente. Como está o plantel da sua empresa? Qual a idade média dos comandantes que ela dispõe? Calma, não se preocupe, existem muitos reservistas prontos para voltar a embarcar. Quer saber mais? Eles já acumularam patrimônio, já recebem aposentadoria e aceitarão voltar à ativa por um soldo justo.

E, por não ter rabo preso com o destino, porque já aceitam sua sorte, terão coragem de fazer o que precisa ser feito, honrando as cores da corporação e desafiando até seus superiores se for a coisa certa a fazer. Na contramão dos que aceleram sem entender direito todas as curvas da estrada vêm os que regularão o mercado, com sua bagagem de vida e com vontade de dar o melhor de si.

Acho que a aviação tem o modelo que nossa indústria tanto procura. Faça o teste. Se for viajar para o exterior, fique atento à tripulação. O mais garboso é o copiloto. O comandante é o senhor em que o uniforme é um pouco mais folgado, o sapato é mais confortável, o que tem os cabelos brancos. Dividirão o voo. Um cheio de energia e vontade de aprender, sonhando em sentar no banco à esquerda.

O outro satisfeito por estar ali, contente em passar seu conhecimento adiante e pronto para fazer o que é certo, até por reflexo. Prefiro ver um piloto de cabelos brancos assumir o comando quando tenho de voar. Sei que não há 100% de garantia. Mas durmo tranquilo, porque qualquer que seja a situação, estou nas mãos do mais capacitado.

Comentários

  • José Roberto de Almeida Zanini

    Ivan, Parabéns! Creio que pela primeira vêz após ter me aposentado em 2009, leio um artigo tão enaltecedor e que inclusive motivou-me a elogia-lo. Continuo na ativa e desde então vivo a sensação exata do que você descreveu. A realidade sobre a disponibilidade e disposição em repassar os conhecimentos até de forma involuntaria, renova a cada dia a certeza de que devemos compartilhar a nossa experiência. Sinceramente, é muito gratificante ser consultado sobre qual a minha opinião ou o que eu faria diante de determinadas situações. Obrigado, a leitura do seu artigo tornou o meu dia melhor.

  • Gian

    Parabéns, excelente texto !

  • Denis Marum

    Muito bem colocado, parabéns!

  • Felippe

    Ivan, boa noite. Venho parabenizá-lo pelo excelente artigo, como jovem vejo por muitos amigos que a ansiedade de posicionar-se em um cargo privilegiado é cada vez mais presente. Acabamos sendo "cego" para um melhor aproveitamento dos ensinamentos de pessoas experientes e com bagagem, hoje procuro por emprego e com vontade imensurável de aprender. Obrigado pela inspiração.

  • Pedro

    Ivan, boa noite! Parabéns por mais este artigo que mostra que em muitas vezes a experiência não se compra e faz (toda) a diferença em momentos difíceis. Artigo que vale a pena compartilhar. Abraços

  • Tarcisio Carlos Ferraz

    Ivan, boa noite. Excelente texto, muito apropriado. Parabéns!

  • Darwin Nogueira

    Caro Ivan é sempre um prazer seus artigos , colocações que fazem sentido , sem tomar partido , retratando fielmente a realidade... um abraço do pessoal da Maxion de Contagem !!!

  • Marcos Damasio

    Texto maduro e extremamente verdadeiro. Parabéns peça inspiração!

  • Alisson Rodrigo dos Santos

    Fantasitico Ivan! Vejo que as pessoas querem receber titulos antes de merecerem promoções! Vejo uma habilidade em mim dentro da companhia, por ter passsado na Logistica, depois em compras e hoje em Vendas, tenho propriedade para falar da companhia e os 15 anos de empresa valem a pena! Hoje temos um fator que contribui muito para que os jovens assuma posições privilegiadas, mesmo despreparados, isto se dá pelo simples fato de terem dominio de um Idioma, algo que geralmente algum Cabelo Branco investiu na carreira de seu filho.

  • Philip Derderian

    Ivan, Belo texto para reflexão! Imagino a quem se destinaria as missões, visões e valores que são pregados nas paredes das empresas. Será que esta população imediatista adere a este modelo? Considerando o seu texto, me pergunto até que ponto esta aderência é consistente. Trabalhei numa empresa, na verdade, presidi uma empresa que passou por um momento extremamente grave no âmbito internacional, mas no Brasil estávamos bem e enquanto aguardávamos os desfecho das decisões do board internacional, recebi um quadro com a seguinte frase: "Never Give In, never give in, never, never, never-in nothing, great or small, large or petty - never give in..." Winston Churchill - 1941. Dos meus 50 anos, achei desnecessário aquele aviso, mas vi muitos desistirem, e aprendi muito mais dentro do que fora! Obrigado pela sua colaboração e consideração, espero que seja útil para orientar os recrutadores e head-hunters! Grande Abraço,

  • Marcelo Danielli

    Ivan, bom dia. Parabéns pelo seu artigo. Os jovens de hoje sofrem de um mau correlacionado ao modo de criação atual; a falta de paciência e o imediatismo! Tudo é pra ontem!! a tão sonhada promoção, um cargo maior, maiores salários, mas será que estão realmente prontos??? na minha visão penso que estão "queimando etapas", e isto fará a diferença, não que um jovem não possa fazer melhor que os "senhores", mas via de regra não estamos vendo isto....assim como você prefere um piloto experiente, também prefiro um cardiologista mais sênior....um dentista mais sênior, um professor mais sênior...... Tudo a seu tempo! abs

  • Diane Martine Blum

    Olá Ivan, Acabei de mandar o link da revista para uma empresa estrangeira para quem faço consultoria e gostei muito de seu texto- verdade que meu cabelo ainda não embranqueceu de todo, mas o sapato certamente é mais confortável!

  • Rogério Manganeli

    Parabéns, Muito bom este texto Ivan, é a pura verdade na substiui o tempo para se adquirir experiencia.

  • Wilson Rocha

    Caro Ivan, Seu email nos leva a uma boa reflexão de como lidar com os profissionais a nossa volta, em dia de mar revolto, sem duvida a experiência nos permite a navegar e chegar ao nosso destino, nem sempre na velocidade planejada porem com a segurança necessária. Enfrento todos os dias pressões de jovens profissionais que nem bem aprenderam qual o nosso negocio e já exigem a sua promoção...poucos entendem que primeiro tem que entregar para depois exigir. Bem lembrado por você os voos internacionais, a presença do Comandante experiente nos permite a relaxar um pouco nos longos voos... Obrigado pela reflexão, Forte Abraço Wilson Rocha

  • christian

    Perfeito seu artigo ! Reflete exatamente a atual situação que passamos no momento ! Parabéns ! Abs

  • Joao Ricardo Wagner

    É bem por aí mesmo, após um período de valorização extrema da jovem força existe um consenso que a experiência, não importando a função ou segmento/setor deve ser levada em conta sim. Parabéns!

  • Jairo Ramalho

    Caro Ivan. Bom dia. Parabéns. Gostei muito do seu artigo. Você fez suas palavras traduzirem a que venho dizendo aos mais jovens e as vezes mais afoitos. Sem dúvida a experiência é de vital importância em tudo na vida, porém encontro no mercado jovens bastante capacitados a atuar em altas posições, alguns excelentes empreendedores, mas algumas vezes o sucesso imediato acaba por elevar em excesso suas aspirações, o que pode complicar o futuro, mas é uma forma de aprender. Mesmo conhecendo as "novas técnicas" devemos saber quando e como utilizá-las, a experiência se ganha com o tempo e exposição às adversidades. Se tiver que sofrer de uma cirurgia no coração, também prefiro o médico que já fez essa cirurgia muitas vezes do que o mais jovem que conheça as novas técnicas. É como no Kaizen, buscar sempre melhorar. Um grande e fraternal abraço.

  • Mauro

    Ivan, recebi seu artigo por um colega da empresa...Fantástico, parabéns! Que esta análise serena do ambiente corporativo continue.

  • Cícero

    Ivan, parabéns pelo texto. Muito apropriado e objetivo.

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