
O CONHECIMENTO
COMO VALOR
Valter Pieracciani*
Empresas
e profissionais têm investido cada vez mais tempo e dinheiro
em aquisição de conhecimento. São palestras, treinamentos
e cursos de especialização em uma busca obstinada de diferenciação
pelo saber. Componente estratégico e instrumento de competitividade,
o know-how, paradoxalmente, está cada vez mais volátil.
São poucas as empresas que efetivamente têm avançado
na área de gestão do conhecimento.
Há cerca de dez anos, a seguradora sueca Skandia surpreendeu,
ao colocar, entre os ativos de seu balanço, o capital intelectual.
Desta forma, criava um novo paradigma, o conceito de que o saber deve
ser visto como um ativo das organizações.
Até certo ponto, considerando que vivemos na era do conhecimento,
colocar o capital intelectual no balanço deveria ser visto como
natural. Entretanto, a realidade é outra.
Uma das discussões mais acaloradas é o da propriedade
desse conhecimento. Os profissionais, que o geram em projetos e estudos,
tendem a acreditar que são os únicos ou os principais proprietários.
A questão é clara: trata-se de um ativo da organização,
pelo qual ela pagou com salários e formação profissional.
Os investimentos são consideráveis: as metas para organizações
de classe mundial podem chegar a 200 horas de treinamento por funcionário
por ano.
É claro que o aprendizado não pode ser “aspirado” da
mente da pessoa quando ela se desliga da empresa. E isto indica dois
fatos: há um crescimento profissional paralelo, que permanece,
e a crescente importância que a gestão do conhecimento deve
ter nas empresas.
Medir e administrar
bens quantificáveis, como o capital ou os
equipamentos, é simples, se comparado às dificuldades de
medir o conhecimento, que inclui as experiências pessoais, as competências,
sistemas de trabalho, resultados de pesquisas e ensaios, entre outros.
A disciplina de gestão do conhecimento é nova e o tema,
complexo.
Grande parte das
empresas não definiram seus processos para cuidar
da geração, codificação, disseminação
e apropriação do conhecimento – etapas fundamentais
para que ele se transforme realmente em um ativo. Em outras palavras,
criar ou descobrir o conhecimento existente; compilar esse conteúdo
de forma organizada; fazê-lo chegar a quem fará uso dele;
e, finalmente, incorporá-lo à empresa e utilizá-lo,
algo fundamental para que o saber se transforme em valor.
Mas há um longo caminho a percorrer. A experiência com
centenas de empresas mostra muito desconhecimento do tema. Para as perguntas “como
você gerencia o conhecimento?” ou “como sua empresa
administra os investimentos empregados nessa área?”, as
respostas revelam que a vantagem estratégica e o valor do conhecimento
sequer são percebidos. Surgem comentários, como: “proibimos
a entrada de celulares que tiram fotos”; “estamos melhorando
as informações do nosso cadastro de clientes”; ou,
ainda, “temos uma universidade corporativa” (na verdade,
são bem poucas as que se aproximam da definição).
As conseqüências da má administração
do conhecimento são bem conhecidas. Uma delas é esse bem
cair nas mãos da concorrência. Pesquisas indicam que os
profissionais mudam de emprego, em média, 10 vezes em suas carreiras.
Gestão do conhecimento não é mais um “modismo”.
Significa ter processos definidos para lidar com o capital intelectual
e, sobretudo, valorizar essas atividades e quem as realiza. Sua implantação
ajuda as empresas a criar uma política de incentivo à atualização
e ao crescimento, do compartilhar, e evitar que a rotatividade ameace
projetos estratégicos.
Se um colaborador
encontrar um ambiente em que possa aprender e aplicar aquilo que sabe,
as chances de abandonar esse cenário para buscar
trabalho em outra empresa diminuirão. Gerir conhecimento significa
crescer em novas dimensões. Em um excitante caminho sem linha
de chegada.
*Valter Pieracciani é empresário
e diretor da consultoria Pieracciani Desenvolvimento de Empresas
vpieracciani@pieracciani.com.br
www.pieracciani.com.br
PIERACCIANI DESENVOLVIMENTO DE EMPRESAS (www.pieracciani.com.br)
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