Houve um tempo em que o gerente de fábrica tinha como função
colocar a fábrica para rodar. Para isto, o estereótipo
de chefe durão funcionava bem e era uma realidade. Este profissional
tinha um perfil tecnicista. A fábrica era, muitas vezes, algo
distante do mundo corporativo, mesmo sendo o coração da
empresa. Hoje, uma série de fatores estimula uma mudança
expressiva na indústria como um todo e, principalmente, na função
do gerente ou diretor de uma fábrica. São aspectos macroeconômicos,
como a globalização aumentando a competitividade entre
as indústrias e impulsionando padrões de qualidade e de
produtividade em todo o mundo; o consumidor cada vez mais exigente que
percebeu há tempos a exercer seus direitos; o arrocho dos juros;
os ambientalistas; evolução tecnológica. Diante
deste cenário, o antigo chefe do chão de fábrica
precisou se sofisticar para encarar novos desafios.
Hoje, a fábrica absorveu os valores corporativos da matriz administrativa.
O chefe de fábrica – que normalmente é um engenheiro, mas
pode ter vindo de outras carreiras – passou a ser um líder importante
no organograma da empresa. Além de tecnocrata, ele precisa ter conhecimentos
gerenciais, como gestão de pessoas, capacidade de comunicação,
conceitos financeiros, enfim, ser um executivo com uma visão global
do negócio e não um foco apenas na fábrica. São
estes profissionais que as empresas multinacionais e, mais recentemente, as
nacionais estão de olho e dão valor, independentemente do setor
industrial. As indústrias – automobilística, química & petroquímica,
papel & celulose, bens de consumo, tecnologia, farmacêutica, eletroeletrônica,
entre outras – buscam executivos que trazem resultados financeiros e
sociais, aumentando o reconhecimento da marca e minimizando qualquer tipo de
ameaça. Afinal, é na fábrica que a empresa pulsa e qualquer
descompasso é um risco.
Além de liderar equipes de 100 a 1000 ou 2000 pessoas, ele precisa ter
a interface com toda a empresa A carreira deste profissional pode seguir um
rumo vertical ou mesmo horizontal, uma vez que ele pode ser designado a assumir
novas fábricas em diferentes estados ou países, ou também
outros desafios em áreas comerciais, logística, compras, entre
outras. Não é à toa também que, em muitas empresas,
este executivo recebe bônus superior ao de outras áreas, atrelado
resultados específicos de produtividade, aspectos ambientais, comunicação
interna etc.
O executivo do chão de fábrica deve ter um perfil diferenciado.
Além de ser muito bem formado e dominar pelo menos mais um idioma, ele
precisa ter uma atitude de líder, caráter empreendedor, facilidade
em ter um bom relacionamento interpessoal e em se adaptar com pessoas de culturas
distintas. Somado a estes aspectos pessoais e educacionais, está o aspecto
técnico evidentemente. O profissional deve ter um conhecimento profundo
sobre o processo industrial e buscar práticas de produção
enxuta (lean manufacturing), logística e operação, que
atendam a necessidade do cliente final – seja ele um cliente intermediário
(uma empresa, no business to business), seja em consumidor final. Não
podemos esquecer também que possuir um MBA ou um curso de especialização
em gestão empresarial e/ou ligado à preservação
do meio ambiente e, para cargos mais altos na indústria global, uma
experiência internacional, são também aspectos de suma
importância. O executivo do chão de fábrica está cada
vez mais valorizado e próximo do topo da empresa.
*Marcelo Braga é Vice-Presidente & sócio da FESA Global
Recruiters, empresa de recrutamento de executivos e associada à IIC
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