SÍNTESE DO MERCADO AUTOMOTIVO BRASILEIRO
(Janeiro a outubro de 2005)

Orlando Merluzzi, gerente executivo de concessionárias e negócios da Volvo na América Latina e Coordenador do MBA em Gestão Automotiva do Unicenp, sintetiza o momento da indústria automotiva nacional, tendo como fonte dados da Anfavea e da Fenabrave. Ele considera apenas as vendas no mercado doméstico e analisa os números no período de janeiro a outubro 2005 em relação aos mesmos dez meses de 2004. Alguns números são preocupantes e exigirão das empresas, mais do que simples ações de promoção de vendas. Há necessidade de planejar a gestão estratégica comercial, integrando vendas, marketing e administração do pós-venda. Não cuidar da Rede de Concessionárias neste momento significa “hipotecar” seriamente o futuro. O sinal (*) ao lado representa destaque positivo ou negativo

MÁQUINAS AGRÍCOLAS
Venda total de 20.508 unidades, com queda de 39% sobre 2004.
Segmento de tratores: queda de 38%
Segmento de colheitadeiras: queda de 74% (*)
John Deere: queda de 55% (*)
Case/New Holland: queda de 61% (*)
Massey/Ferguson: queda de 58% (*)

Participação no Mercado de Máquinas Agrícolas
1o. Massey/Ferguson: 28%
2o. Valtra Brasil: 23%
3o. Case/New Holland: 18%
4o. John Deere: 10% (*)
Outras Marcas somadas: 21%

AUTOMÓVEIS DE PASSEIO
Vendas totais de 1.090.800 unidades, com crescimento de 8% sobre 2004.
Líder Fiat 275.800: crescimento de 12% (*)
2o. VW 260.900: crescimento de 8%
3o. GM 258.300: não cresceu nem caiu.
4o. Ford 107.800: crescimento de 21% (*) +
5o. PSA 62.200: crescimento de 26% (*) +
6o. Honda 46.200: crescimento de 13%
7o. Renault 36.700: queda de 11% (*)
8o. Toyota 34.800: crescimento de 3,5%

COMERCIAIS LEVES
Venda total de 202.000 unidades, com crescimento de 16%.
Líder Fiat 50.000: crescimento de 45% (*) +
2o. Ford 49.100: crescimento de 16% (*)
3o. GM 28.000: queda de 11% (*)
4o. VW 23.000: queda de 9%
5o. Mitsubishi 18.700: crescimento de 14%
6o. Toyota 12.900: crescimento de 114% (*) +

CAMINHÕES
Venda total de 68.400 unidades, com queda de 3,3% contra 2004.
Líder (DC) Mercedes Benz 21.800: crescimento de 1,5%
2o. VW Caminhões 20.200: queda de 1%
3o. Ford Caminhões 13.100: queda de 8% (*)
4o. Volvo 5.100: queda de 1%
5o. Scania 4.300: queda de 13% (*)
6o. Iveco 3.136: queda de 8% (*)

O crescimento das vendas de carros de passeio e veículos comerciais leves em 2005, em comparação com 2004, deve-se ao excesso de promoções de vendas (com baixíssima rentabilidade para as montadoras), vários lançamentos de produtos novos e o sucesso dos carros bicombustível. A lucratividade das redes de concessionárias está perigosamente baixa. A Honda e a Toyota estão saudáveis e a Ford vem se recuperando. A Renault é a única marca importante com queda significativa em volume, no segmento de carros de passeio. No sentido oposto, a outra francesa Peugeot/Citroen continua em crescimento contínuo.

A queda da indústria de caminhões resulta das dificuldades de financiamento aos pequenos empresários, instabilidade econômica e a situação cambial crítica (valorização do Real frente ao dólar), o que afetou o setor agrícola na exportação. Existe desaquecimento na economia, comprometendo o segmento de caminhões menores (leves). O segmento de caminhões pesados representa 30% da indústria e foi muito prejudicado pela retração da agricultura. O mesmo se aplica a indústria de máquinas agrícolas, sofrendo na pele os problemas acima, agravados pelo elevado nível de inadimplência e a dificuldade dos agricultores em saldar financiamentos contratados em 2003, 2004 e 2005 para compra de máquinas e implementos agrícolas.

As margens de lucro do setor, como um todo, estão muito baixas e em alguns casos, são negativas. As redes de concessionárias de caminhões não estão preparadas para viver só do pós-venda em uma situação como esta. A cultura da absorção do pós-venda saudável ainda não é disseminada nas concessionárias brasileiras, como é na Europa. O estoque médio de veículos no pátio das concessionárias está 17% maior do que no mesmo período de 2004. O volume de vendas domésticas não aumentou na mesma proporção.

Apesar de tudo, acredito que em 2006 teremos um ano melhor para o setor. Queda dos juros e a recuperação do dólar ajudarão. O maior efeito na indústria automotiva será percebido no segundo semestre, se não tivermos novas tempestades políticas no País. O fator ano-eleitoral não deverá comprometer o setor automotivo.

Orlando Merluzzi
omerluzzi@unicenp.edu.br
É através do Unicenp e do MBA em Gestão Automotiva que analisamos o setor
Novembro de 2005

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