
SISTEMA MITSUBISHI DE PRODUÇÃO - SMP
William Nunes de Aquino, Supervisor PCP
Sergio
Gebara, Gerente de Planejamento
Ricardo Camargo, Diretor Industrial
Uma crescente literatura sobre Sistemas de Produção é
disponibilizada ao mercado automobilístico, principalmente ligada
a cultura japonesa mais conhecida como TPS ou Lean Manufacturing. Correndo
por fora da raia encontra-se a MMC Automotores do Brasil Ltda, a Mitsubishi
Motors do Brasil, localizada em Catalão - Goiás, com capital
100% Nacional e uma cultura híbrida riquíssima, que aos poucos
está solidificando e amadurecendo o “brasileiro” SMP
– Sistema Mitsubishi de Produção.
Visando o aprimoramento da tomada de decisões na
empresa, há um ano e meio foi criada a reunião de Schedulling,
(em outras Montadoras pode ser comparada ao S&OP (Sales & Operation
Planning)) que através da aderência de necessidades entre
os processos de Manufatura, Comercial e Suprimentos proporciona excelente
atendimento aos clientes e a melhor condução dos negócios.
O Schedulling opera num ciclo (45 dias antes da execução
do plano) mensal onde ocorrem fases distintas e bem definidas conforme
a figura abaixo:
Figura 1 – Atividades que antecedem a reunião de Schedulling.
Os objetivos principais
desta reunião são:
• Propor um
plano ao balanceamento entre demanda e oferta.
• Indicação das áreas onde o consenso não
pode ser alcançado.
• Tomar decisões para cada modelo produzido (por famílias).
• Aprovar mudança de ritmos (takt) de produção
e/ou aquisição.
• Revisar questões relativas a projetos especiais e modificações
no plano anual de operações (vendas e produção).
Os resultados são
minutas com detalhamento dos caminhos e escolhas feitas, autorizando o
cascateamento das informações às áreas necessárias.
A figura abaixo ilustra
a diferença básica entre o modo antigo de Planejamento e
o atual:

Figura 2 – Planejamento de Produção versus Schedulling.
Todas as atividades
antecipadas possibilitam que a tomada de decisão ocorra em uma
hora de reunião e que a alta administração a utilize
com muita produtividade.
Após
a decisão aprovada, inicia-se um ciclo de programação,
tanto de material quanto de produção. A figura abaixo mostra
de forma seqüencial as atividades deste ciclo.

Figura 3 – Atividades resultantes do acordo de Schedulling.
Benefícios quando os ciclos são completos:
• Inventários
de Produtos acabados sempre menores.
• Prazos de entrega mais curtos.
• Ritmo de produção mais estável.
• Trabalho em equipe aprimorado.
• Maior responsabilidade em relação ao Plano Real
Anual.
• Visibilidade antecipada do resultado das operações.
• O processo quando bem feito, capacita melhor as pessoas a prever
melhor o futuro e aprimora as decisões pró-ativas.
Dentro do controle
final e execução, existem rotinas dentro do ERP - People
Soft e Intranet para acompanhamento do sequenciamento diário de
produção, este por sua vez tem como objetivo principal a
colocação do planejamento em execução obedecendo
a regras de volume, mix e seqüência de produtos, proporcionando
uma visão em tempos diferentes que promovam revisão de objetivos
frente a possíveis atrasos, problemas que alterem o ritmo de produção,
crippled (falta de material), restrições de equipamentos,
mão de obra e processo.

Figura 4 – Execução do Plano de Schedulling.
Em um quadro, conseguimos
observar visualmente o timing destas atividades que são monitoradas
por 2 indicadores:
BTS – Built
to Schedule, o qual compara a Produção Planejada versus
a Produção Realizada em três níveis: Volume,
MIX e seqüência.
DTD – Dock to
Dock, o qual através de uma peça significativa (ex. assoalho)
mensura o tempo doca a doca, ou seja, o item passando pelo estoque, transformando-se
em carroceria, passando por toda Manufatura e finalmente disponível
para embarque. Em suma, em quanto tempo um veículo é realizado.
Em relação
ao DTD, é fato que após 1 ano de monitoramento e ações,
houve uma redução de 15 para 7 dias de processamento de
nossos produtos, resultando em uma flexibilidade para mudanças
de rumo e solidificando cada vez mais o pensamento enxuto na operação.

Figura 5 – Timing.
Até o momento
a descrição é do modelo formal, no entanto, existe
uma estrutura paralela de Planejamento a qual atua em veículos
especiais, os chamados pedidos VIP, os quais têm entrega para “ontem”.
Utilizando a mesma equipe do grupo de Schedulling, estas necessidades
extras que variam de 5 a 10% da Produção Mensal, em sua
maior parte saem do mix de cores, opcionais e até modelos, são
atendidas em algumas instâncias em até 72 horas (3 dias)
dependendo da complexidade da alteração.
Tal flexibilidade
para atender o cliente final é resultado dos talentos humanos da
empresa e não poderíamos deixar de mencionar o uso de TI
neste processo, na criação do E-production, uma poderosa
ferramenta na Intranet a qual suporta toda a operação descrita.
Entre os painéis mais utilizados estão:
• Float Online
– quantidade de unidades no processo produtivo ponto a ponto. Este
controle permitiu uma redução de 40% em 2 anos no volume
de carrocerias disponíveis na Seletividade (Buffer), ajudando desta
forma também a redução da meta DTD já comentada.
• Hora à Hora – acompanhamento de objetivos horários
de produção e liberação de veículos.
• Relatório de Produção – estatística
em três níveis em um mesmo reporte, diária, mensal
e anual, contendo todo line up MMCB.
Quatro projetos em
andamento vão reforçar os pilares do SMP, são eles:
1. RFID - Sistema
de Identificação de Veículo
O sistema de identificação
de Veículo será constituído de um Tag eletrônico
que acompanhará o produto e Leitoras de RFID instaladas nas estações
da previamente selecionadas. O controle das leitoras sera feito por um
do People Software e um Midleware RFID preparado pela Bieletro com a função
de fazer interface de comunicaçao entre os sitemas através
de rede ethernet conectada diretamente no modulo Leitor. Este modelo possui
vantagens sobre a opção de UHF com relação
a preço, acuracidade de leitura e escrita e imunidade a interferencias
de RF.

Figura 6 – Leitor de campo.

Figura 7 – Tag com encapsulamento.
2. Smart Office
Sistema de Abastecimento
e Controle de Estoque, baseado no Plano de todas as peças (PFEP
– Plan for every Parts), que tem customização interna
feita pela equipe de TI, interagindo com o Banco de Dados People Soft
- Oracle. Os conceitos deste sistema vão desde o uso de cartões
(Kanban) até a utilização de modernos coletores Wi-Fi
para geração das necessidades de abastecimento em determinados
pontos de produção.
Em suma controlar
o fluxo e inventário de materiais por meio de leitor óptico
na saída do armazém e pintura para qualquer tipo de abastecimento
a linha de produção.

Figura 8 – Repack.
3. Times de Trabalho
É um grupo
de pessoas com um objetivo comum, compromissadas com a melhoria dos processos/
produtos/ serviços, planejando e controlando seu próprio
trabalho. Trabalhando juntas e se relacionando de forma transparente entre
si, entre as áreas, entre empresas.

Figura 9 – Fluxo de informações nos Times de Trabalho.
O Time é responsável
pelas atividades operacionais, atuando como “dono do processo”
cumprindo diariamente o programa de produção, e pelas atividades
não operacionais como: Indicadores da área, Segurança
e Meio Ambiente, Produtividade, RH, Satisfação do Time e
dos Clientes, Qualidade de Vida, além de propor melhorias para
o produto, processo, acompanhando a implantação e seus resultados.
• Estabelecer
uma estrutura para os times de trabalhos simples e efetiva;
• Clarificar os papéis e responsabilidades de cada integrante
do time e demais funcionários que integram com os mesmos; Criar
uma estrutura que promova melhoria contínua através da valorização
de cada funcionário; Garantir a implantação e a efetividade
do sistema de times de trabalho na MMCB.
• Segurança como prioridade;
• A qualidade do produto em cada etapa do processo;
• A entrega do produto no prazo estabelecido pelo cliente;
• Poder de decisão dentro do Time;
• Agilidade nas respostas aos problemas e na sua resolução;
Oportunidade de cada componente poder participar, apresentando idéias,
sugestões e agindo como “dono do processo”
O papel dos pontas
de diamante (RH, Qualidade, Segurança e Abastecimento)
• Manter as
minutas das reuniões sob sua responsabilidade sempre atualizadas;
• Implantar e acompanhar o indicador e o Plano de Ação
correspondente a sua responsabilidade;
• Nivelar o conhecimento entre todos os membros do Time referente
a sua Ponta de Diamante;
• Dividir Boas Práticas com outros times.
4. Lean Manufacturing
Em parceria com o
Lean Institute inicia-se um forte trabalho com uma equipe de 20 colaboradores
determinado a implementar os conceitos de Manufatura enxuta.

Figura 10 – Pilares da Manufatura Enxuta.
Início
do Projeto
• Formação do grupo, escolha da área piloto
(Pajero TR4).
• Palestra Gerência (Kick-off)
Curso Introdução Workshops
• Mapeamento do Fluxo de Valor
• Criando Fluxo Contínuo e Trabalho Padronizado
• Sistema Puxado e Nivelamento da Produção
• Ws temático tema a definir (Jidoka, Set-up Rápido,
Manutenção Autônoma)
Acompanhamento Visitas
• Auditoria (Genba Walk)
• 1ª Auditoria.
• 2ª Auditoria.
• Reunião de Fechamento.

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