
O
PROFISSIONAL ELEFANTE
Márcio Roberto Bueno de Camargo*
Li recentemente
um texto que tratava do elefante. Um animal que nasce com grandes proporções,
com uma força incrível mas que se sujeita a ficar preso
por uma coleira amarrada a uma estaca presa no chão.
Nos circos, o elefante
desde muito jovem é condicionado a ficar preso numa corrente e,
quando cresce, não se dá conta de toda sua força,
com a qual facilmente se soltaria das amarras para ser um animal totalmente
livre.
O elefante é
muito pesado - Pessoas tem sido um peso para as organizações
e organizações tem sido peso para a sociedade. Péssimo
atendimento, má vontade de trabalhar, ineficiência e outros
adjetivos que podemos listar, demonstram uma organização
elefante. Lentidão, muito devagar e peso enorme.
Você conhece
o profissional elefante quando de depara com aquelas pessoas que são
muito lentas no desenvolvimento de suas atividades, que não tem
comprometimento com as suas responsabilidades e, portanto, acabam sendo
um peso muito grande, difícil mesmo de carregar. São profissionais
que atuam na mesma empresa há trinta anos ou mais e que já
estão sem fôlego, mas continuam lá, levando a vida,
esperando a tão sonhada aposentadoria.
O elefante é
desgovernado - Quando estão com sede e observam um bom local para
saciá-la. Usam sua força para passar por cima de tudo: derrubam
árvores e quaisquer obstáculo que encontrem em seu caminho.
Acredito que você
já tenha trabalhado com pessoas que possuam esta característica,
profissionais que passam por cima de tudo e todos para cumprir seu propósito
ou saciar a sua sede. Para estas pessoas não existem regras, padrões,
parâmetros, pois para elas o importante é atingir o objetivo
final, ainda que para isso seja necessário deixar alguns colegas
caídos ao longo do caminho.
A memória do
elefante - Estudiosos dizem que este animal tem uma excelente memória
e guarda fatos por longos períodos de tempo. Na vida coorporativa
também temos alguns profissionais que possuem “memória
de elefante” guardando fatos ocorridos por longos anos.
Quantas empresas que
apoiadas na sua tradição, sucumbiram ao mercado? Que grande
memória! Assim como algumas empresas, líderes têm
a capacidade de guardar sucessos passados e viver em função
destes, não procurando alcançar novas realizações.
Outros guardam mágoas,
problemas ocorridos e vivem em função de situações
que já passaram há muito tempo. Uma discussão com
os colegas, um problema na entrega de um relatório, um puxão
de orelha do chefe, tudo é motivo para arquivar. Esses profissionais
vão arquivando os fatos e em determinados momentos resolvem trazê-los
à lembrança e assombrar as equipes.
Os profissionais elefantes
são aqueles que tentam jogar o novo jogo com as regras antigas,
que reduzem a velocidade das pessoas dizendo que o importante é
não ter pressa, que não é bem assim que as coisas
funcionam, ou seja, devagar e sempre.
Lideres podem e devem
utilizar sua memória de elefante para guardar sim, as realizações
de sua equipe, o desenvolvimento das pessoas, as coisas boas que foram
feitas, como uma lembrança que incentiva a busca de novas realizações
e novos sucessos.
O elefante assusta
outros animais com um grande “trombetar” - Pois é,
quantos líderes acham que conseguirão resultados satisfatórios
no grito, assustando as pessoas de sua equipe de trabalho? Se observarmos
veremos muitos elefantes andando por aí, gritando em seus escritórios,
em suas casas, com outras pessoas, mostrando superioridade.
O elefante é
domesticado e condicionado - Pois é, conheço muitos profissionais
que se condicionam a trabalhar no mesmo lugar. Não gostam do trabalho
que desenvolvem, cansaram de suas atividades e sua vida tornou-se pura
rotina, mas faz tanto tempo que atuam na empresa, que o melhor é
aceitar que devem continuar lá.
Podemos e devemos
deixar de ser um peso para a organização onde atuamos, com
trabalho, dedicação e motivação. Nossa memória
deve servir para guardar sucessos de outrora que nos estimulem a continuar
lutando no alcance de novas realizações. O trombetar deve
ser riscado de nossas ações, se queremos ser líderes
de sucesso e, ao invés disso, precisamos passar a entender e respeitar
as pessoas como seres humanos. Nunca, absolutamente nunca, devemos nos
condicionar a andar presos a uma corda, já que a liberdade é
uma das características que nos torna seres humanos.
* Márcio
Roberto Bueno de Camargo, autor do livro “A Arca de Noé –
Repensando a Liderança (Ed. Lettera) - Mestre em Ciências
e práticas Educativas, pedagogo, com mais de 10 anos de experiência
na área de Recursos Humanos e Educação. Atualmente
é gerente de ensino da Fundação Carlos Alberto Vanzolini.
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