
O TRANSPORTE DA PRÓXIMA DÉCADA COMEÇA
HOJE
Por Marcio Schettino*
No mundo moderno, dois pontos vêm sendo a base para o desenvolvimento
de novas tecnologias: a eficiência energética e o meio ambiente.
Cada vez mais, as fontes de energia são escassas ou seu custo de
produção mais elevado, obrigando a sociedade a usá-las
de maneira mais eficiente. Com relação à questão
ambiental, a percepção tem sido maior. É comum hoje
uma série de notícias a respeito dos efeitos das mudanças
climáticas, catástrofes mundiais relacionadas a isso e mais
o agravamento de problemas de saúde relacionados às emissões
de poluentes.
Esses fatos têm obrigado de certa forma a criação
de ações que minimizem o impacto. No centro desse movimento
se encontra o transporte, considerado hoje um dos setores que mais consomem
energia e que mais poluem. Assim, existe uma série de novos desenvolvimentos
focados nesse setor, como é o caso de duas novas tecnologias que
estão sendo largamente comentadas no setor de transportes e que
irei apresentar com detalhes num fórum de Caminhões e Ônibus
a ser realizado no dia 23 de novembro durante o Congresso SAE BRASIL 2006,
em São Paulo.
A primeira é a tecnologia de veículos híbridos, em
que mais de uma fonte de energia alimenta o sistema de propulsão.
Na prática, isso se resume em motores de combustão interna
(diesel, gasolina, álcool, GNV), trabalhando em conjunto com bancos
de baterias e motores elétricos. Existem dois tipos de sistemas
híbridos: os em série e os em paralelos. O mais comum para
os veículos pesados tem sido o sistema em série, que consiste
no uso de um motor a combustão interna, acoplado a um gerador que
produz energia elétrica e alimenta um motor elétrico de
tração, em conjunto com um banco de baterias.
Os sistemas híbridos, a princípio, são mais eficientes
que os tradicionais motores a combustão, pois possibilitam a regeneração
de energia na frenagem, armazenando-a no banco de bateria para ser usada
posteriormente, quando houver maior demanda de potência. A tecnologia
é conhecida há muito tempo, mas só recentemente começou
a se tornar viável, em função da redução
do peso dos equipamentos utilizados no seu funcionamento e dos controles
eletrônicos.
Esse tipo de veículo vem se difundindo rapidamente, principalmente
nos EUA, onde hoje existem cerca de 800 ônibus rodando. No Brasil,
também temos alguns veículos em testes (cerca de 40 ônibus),
porém com resultados ainda não muito favoráveis.
As expectativas, no entanto, são boas, pois os testes realizados
nos EUA e na Europa, bem como o desempenho das frotas implantadas nesses
países, demonstram uma redução de consumo de combustível
na ordem de 20%, bem como considerável redução nas
emissões. Seu custo é algo em torno de 50% maior do que
o do veículo equivalente diesel, mas parece ser uma proposta promissora.
A segunda tecnologia é a dos veículos a célula a
combustível hidrogênio, apontada como a tecnologia do futuro,
muito mais eficiente e livre de poluentes (emissão zero). São
veículos de tração elétrica, muito parecidos
com um trólebus, porém a energia de tração
é produzida internamente, por meio de um processo eletroquímico,
realizado pela célula a combustível, que consiste na reação
do hidrogênio com o oxigênio, para produção
de energia elétrica e, como resíduo, vapor d’água.
Essa tecnologia já está sendo testada em vários países
da Europa, EUA, Japão e China e, a partir do ano que vem, a implantaremos
aqui no Brasil.
O primeiro ônibus a célula a combustível hidrogênio
rodará no Corredor Metropolitano São Mateus - Jabaquara
da EMTU/SP, a partir do final do ano que vem. A EMTU/SP, em conjunto com
o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), tem um projeto para desenvolver
a aplicação de ônibus com essa tecnologia no sistema
de transporte, visando no futuro a diminuição das emissões.
As duas tecnologias apresentadas representam assim boas perspectivas com
relação à eficiência energética e a
baixa emissão no setor de transporte, a médio e longo prazos.
Marcio Schettino é gerente de Desenvolvimento da EMTU e
palestrante do Comitê de Caminhões e Ônibus do
Congresso SAE BRASIL 2006
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