IMPRENSA E IMPRENSA
Por Vicente Alessi Filho

Para chegar a certo tipo de assessor de, digamos, comunicação que ultimamente viceja nos horizontes da imprensa vale recordar, primeiro, donos de publicações venais que se travestem de jornalistas. Não merecem qualquer respeito, assim como todo profissional venal.

Tipifiquemos a figura: dono de publicação, venal, geralmente exímio manejador de todos os instrumentos, vende páginas de publicidade, quase sempre a valor pífio, contra a publicação de material promocional guindado à condição de material editorial. Ou seja: engana o seu leitor com a mesma ação singela que exerce sobre os cadarços dos sapatos todas as manhãs.

Não tem comprometimentos com aqueles que se consideram seus leitores. Ignora a diferença de informação e notícia. Armou um negócio e vive dele, abençoado pelos tótens que elegeu algum dia como referências de decência e dignidade. Argh!

E o que dizer de assessores de imprensa que mantêm o hábito de desejar ler material jornalístico antes de sua publicação? Nos dois casos, em comum, grassa o – apenas desconhecimento? – apedeuta da melhor técnica jornalística, aquela que diz respeito à ética e aos bons costumes.

O assunto surge porque os há, ainda, no mercado – donos de publicações venais travestidos de jornalistas e assessores de imprensa que ainda não aprenderam quais as melhores regras de convivência com redações.

É compreensível que muitos desses profissionais atropelem os bons modos à força de falta de formação consistente, de bons conselhos e de convivência sadia. E de bons exemplos. Também é compreensível que certo espírito corporativista não os denuncie de maneira pública. Mas...

...as redações da AutoData Editora passaram a conhecer esse tipo de assessor de imprensa nos últimos meses, e a melhor idéia que faço deles é a de que, talvez, estejam convivendo com demasiada proximidade de donos de publicações venais.

Claro: pode não ser exatamente assim. Pode ser que, muito bem, o assessor receba muita pressão da chefia, que nem sempre é exercida por um jornalista. Cria-se uma situação braba: para não enfrentar o chefe e não correr o risco de perder o emprego o assessor aceita o papel mal-educado, e pressiona jornalistas para ler suas reportagens antes de publicadas.

Claro: pode ser de outra maneira. Pode ser que, muito bem, o assessor esteja em campanha para agradar à chefia. E nada como dizer a ela, fim de tarde de dia difícil, que a-tal-matéria-da-revista-tal-está-sob-controle. Esse sob-controle tem sabor especialíssimo, lembra dominação.

Nenhuma dessas maneiras é uma boa maneira.
Na primeira hipótese perde-se a oportunidade pedagógica de ensinar à chefia que com certo tipo de gente, jornalistas sérios, por exemplo, certas coisas acontecem de outra forma. E que imprensa é, sim, realidade complicada para a vida corporativa. E que pressão não resolve, como não tem resolvido nos casos vividos pelas redações AutoData.

E, na segunda, o assessor desvela seu caráter profissional.
Apreciaria, imensamente, nunca mais ter de voltar a esse tipo de assunto.

(Artigo publicado na edição 216 da revista AutoData).

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