VENTOS DE MUDANÇA
Empresas precisam ser flexíveis para sobreviver
Francisco Higa*

Não é de hoje que a Filosofia comenta a falta de gosto por mudanças que acompanha o ser humano. Aristóteles, há mais de 300 a.C, já comentava sobre o tema. A Psicologia também se debruçou sobre esse tema e vem tentando ajudar os profissionais a serem mais flexíveis.

Entretanto, são poucas as pessoas que gostam de mudanças. Atitudes simples, como mudar o caminho de casa para o trabalho, escolher um restaurante diferente para almoçar e trocar o trajeto de volta para casa no final do dia, não são tomadas pela maioria das pessoas.

É fácil entender essa predileção humana pela rotina. Mudar traz insegurança. Só que quando essa resistência aparece dentro do ambiente empresarial, pode ser um sinal que os negócios, em breve, irão estacionar. Quando pensamos em todo o volume de informações disponível no mundo, todo o conhecimento gerado em todos os países juntos, e que esse conteúdo pode dobrar até 2020 ou em menos de seis meses. Imagine como a sua empresa ficará desatualizada se continuar detestando mudanças.

O que causa medo nas pessoas não é a mudança, mas o desconforto que ela traz. Para amenizar esse sentimento de insegurança, é preciso saber anunciar as novidades aos funcionários e envolvê-los de forma adequada no processo. Quando uma empresa vai fazer uma mudança e anunciá-la, a mesma noticia causa reações diferentes nas pessoas. A capacidade de transmitir essa notícia de forma mais atrativa faz os colaboradores integrarem o movimento

Existem duas formas de promover a mudança: uma, quando a empresa reage para corrigir algum processo que está defasado. E a outra envolve a mudança em um momento em que a organização está em posição de destaque e quer oferecer novos produtos e serviços aos consumidores.

Mudar por causa de uma reação é mais complicada. Enquanto a empresa possui uma operação estabilizada, tem mais fôlego para promover movimentos de mudança, mas quando ela reage, normalmente já perdeu espaço e está com o caixa comprometido. É desastroso, causa mais rupturas e feridos no meio do caminho.

Muitos são os motivos que atravancam a decisão de mudança nas empresas. Entre eles, o medo dos gestores de gastar um recurso que não têm e de convencer as pessoas da necessidade de mudar.

Para um líder estar à frente de uma operação precisa ter uma qualificação especial: coragem de liderar e de ter iniciativas que causem rupturas e tragam algo novo para a empresa.

Neste sentido, o líder é o maestro de uma organização, portanto ele tem que transmitir segurança, passar as informações necessárias para conseguir envolver a equipe nesse momento de mudança.

É preciso mudar enquanto o profissional está no auge da carreira, mas muitas precisam ser planejadas para não se tornarem uma aventura.

* Francisco Higa é especialista em organização e gestão pela TURNPOINT (www.turnpoint.com.br). Autor do livro "Vai dar M... - Soluções para seu projeto não afundar" (Ed. Gente). (e-mail: link.higa@linkportal.com.br ).

voltar