UMA REVOLUÇÃO VERDE EM NOSSAS RUAS
Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil

Num momento em que, preocupados, cientistas e políticos do mundo inteiro discutem meios para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa e como enfrentar as prováveis conseqüências do aquecimento global, temos uma ótima notícia para a sociedade, cuja repercussão vai muito além das nossas linhas de produção ou da nossa rede de concessionários. A Volkswagen do Brasil, pioneira no lançamento de carros bicombustíveis em março de 2003, também é a primeira montadora a alcançar - neste mês de maio - o marco histórico de 1.000.000 de veículos Total Flex.

Isto significa o triunfo de uma tecnologia revolucionária, desenvolvida em nossos laboratórios de São Bernardo do Campo (SP), que aponta um caminho concreto para a redução das emissões. O carro Total Flex deu ao consumidor o direito e o poder de escolher o combustível do seu carro, o melhor e o mais barato, em cada situação de uso e em cada região do Brasil. Além disso, resgatou a credibilidade do brasileiro no álcool, mudou completamente os padrões de consumo do mercado automotivo nacional e está ajudando a fortalecer a economia sucro-alcooleira do País.

E o melhor de tudo: como subproduto, a nova tecnologia da Volkswagen também contribui de forma decisiva com o esforço mundial para reduzir as emissões de gás carbônico. Para entender o que representa exatamente este milhão de veículos bicombustíveis para o meio ambiente e para a economia, recorremos à mais importante entidade representativa do setor sucro-alcooleiro, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). E os números calculados pelos pesquisadores que fazem parte do corpo técnico da organização, revelados neste texto em primeira mão, são realmente impressionantes.

Se fizermos um exercício conservador, considerando que este milhão de veículos trafegue metade do tempo com gasolina e metade com álcool, em um ano a frota Total Flex produzida pela Volkswagen terá deixado de gerar 1,75 milhão de toneladas de CO2 na atmosfera. Esta emissão equivale a 2,8 milhões de árvores plantadas, uma vegetação suficiente para recobrir quase todo o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Ainda falando em termos ambientais, também contribuímos em larga escala para a redução de poluentes atmosféricos - tais como monóxido de carbono, partículas, óxidos de enxofre e hidrocarbonetos -, ajudando a melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades brasileiras.

Em termos econômicos, seguindo no mesmo exercício, nosso milhão de veículos foi responsável pela geração de 12 mil empregos diretos apenas no setor sucro-alcooleiro. Isso representa mais postos de trabalho do que temos em nossa maior fábrica, no ABC Paulista. Ao mesmo tempo, a renda gerada no setor alcançou a cifra maiúscula de R$ 1,35 bilhão, com recolhimento de impostos em cadeia (ICMS e PIS/COFINS) da ordem de R$ 750 milhões.

O carro bicombustível talvez seja, hoje, o melhor exemplo de uma tecnologia brasileira gerando emprego, renda e recursos públicos na forma de impostos dentro do próprio País.

Ao mesmo tempo que a frota de flexíveis da Volkswagen movimentou a economia nacional, nossos carros também ajudaram o Brasil a conquistar a tão desejada auto-suficiência em petróleo, na medida que deixamos de consumir o equivalente a 5,4 milhões de barris de petróleo por ano. Isto significa uma menor vulnerabilidade da economia brasileira às oscilações do preço mundial do óleo cru e à instabilidade política das grandes regiões produtoras.

O reflexo positivo dos bicombustíveis na economia brasileira pode ser comprovado também pelos números da Petrobrás. Em 2005, quando a Volkswagen já tinha comercializado quase meio milhão de carros Total Flex, as vendas de álcool combustível no País cresceram 6,86%, com um consumo adicional de 298,68 mil metros cúbicos em relação ao ano anterior. No mesmo ano, as vendas de gasolina cresceram apenas 1,63%, ficando abaixo da variação do PIB.

Para nossa satisfação, o sucesso dos carros bicombustíveis do Brasil tem servido até como ferramenta de política externa e para a projeção de uma imagem positiva do País no exterior. O tema aproximou estrategicamente o Brasil dos Estados Unidos e da União Européia, e nos colocou na vanguarda mundial dos países que buscam soluções para o efeito estufa e para a inevitável exaustão dos combustíveis fósseis.

Tudo isso faz do carro Total Flex uma alternativa realmente competitiva e sustentável aos combustíveis fósseis, que pode ser adotada rapidamente em escala global, com vários desdobramentos positivos para a sociedade. Não por acaso, logo após o lançamento dos primeiros bicombustíveis, temos recebido na Volkswagen uma média anual de 20 comitivas internacionais de agentes de governo e de homens de negócios interessados na nova tecnologia. Europeus, asiáticos e norte-americanos querem saber como estamos fazendo a "revolução verde" em nossas ruas, avenidas, revendas e linhas de montagem.

Por tudo isso, temos a convicção de que o primeiro milhão de veículos flexíveis é um marco realmente importante, histórico, não apenas para a Volkswagen do Brasil, mas também para a economia brasileira. A iniciativa brasileira é hoje um exemplo para o mundo.

8 de maio de 2007

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