ANÁLISE

Autopeças

Comércio automotivo Argentina/Brasil em alta - * Por Julian Semple



Do ponto de vista do Brasil, apesar da crise mundial ter derrubado as exportações no fim de 2008 e boa parte de 2009, as vendas de veículos para a Argentina, excluindo CKD’s, têm permanecido num bom patamar.

No primeiro semestre de 2010, o Brasil representou 72% das importações Argentinas de veículos. Também, no mesmo período, a Argentina destinou ao Brasil 87% das suas vendas externas, evidenciando a importância do nosso crescimento para nosso vizinho.

O gráfico abaixo mostra a evolução desde 1995 do comércio automotivo entre os dois países Que, apesar do fortalecimento do Real, tem chegado a um patamar anual de 250 mil a 300 mil veículos. A linha azul mostra os veículos produzidos na Argentina e vendidos no Brasil, enquanto a verde representa os veículos brasileiros vendidos no país vizinho.



Se por um lado podemos dizer que o comércio está bem equilibrado entre os dois países, não podemos dizer o mesmo quanto à importância relativa e market-share. A participação dos veículos argentinos nas vendas brasileiras representou quase 9% em 2009, enquanto que os veículos brasileiros representaram, no mesmo período, uma participação expressiva de 46% na Argentina, como se vê nos gráficos que seguem.







Enquanto a participação dos veículos argentinos no Brasil oscilou entre 2 e 8% nos últimos 15 anos, a participação brasileira na Argentina deu um salto no fim dos anos 90, indo de 20% para mais de 40% após 2003. Parte da explicação para este salto foi a implantação no início da década de novas fábricas no Brasil, das montadoras Renault/Nissan, PSA Peugeot-Citroën, Honda e Toyota, entre outras, que permitiram um aumento do comércio entre os dois países.

Apesar do aumento das importações brasileiras de veículos de outros países, como Coréia do Sul e China,

(gráfico abaixo) a Argentina, que se beneficia de ser nosso parceiro no Mercosul, deve permanecer na liderança por um bom tempo, como nosso principal fornecedor de veículos importados. Isto se evidencia pelos novos lançamentos argentinos como Peugeot 408 e Renault Fluence, que têm no Brasil o foco principal das suas vendas, reforçando a estratégia das montadoras de ter nos dois países produtos diferentes e complementares, otimizando os investimentos.



*Julian Semple
Diretor, Carcon Automotive

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