ANÁLISE

Indústria

A (lenta) invasão dos chineses


Os chineses chegam ao Brasil mas enfrentam um empecilho no próprio mercado interno do país asiático.


As vendas de veículos na China devem chegar a 17 milhões em 2010, um aumento de 25% sobre os 13,6 milhões vendidos em 2009. O acréscimo de 3,4 milhões equivale às vendas totais estimadas no Brasil esperadas em 2010.

Segundo dados da CAAM (Associação Chinesa dos Fabricantes), de janeiro a setembro deste ano a produção de veículos na China chegou a 13,14 milhões, sendo 9,9 milhões de automóveis e 3,2 milhões de veículos comerciais. O avanço sobre 2009 é de 36%. Isto representa quase cinco vezes a produção brasileira no mesmo período – em que as vendas na China chegaram a 13,08 milhões de unidades.

As dez maiores montadoras chinesas entre janeiro e setembro de 2010, em milhares de unidades vendidas, foram:



As vendas dessas dez primeiras representaram 86% do total no período. Como as marcas multinacionais não podem deter mais do que 50% de participação nas fábricas, todas estão lá por meio de parcerias e joint-ventures na produção, porém comercializando suas marcas separadamente.

O grupo Volkswagen tem duas joint-ventures, uma com a SAIC (Shanghai Automotive Industry Corporation) e outra com a FAW (First Automobile Works) e vendeu entre janeiro e setembro 1,47 milhão de veículos das marcas VW, Audi, Skoda e outras.

O grupo GM, que também tem parceria com a SAIC, contabilizou números ainda mais expressivos de vendas em 2010, atingindo 1,77 milhão até setembro.

Se, de um lado, as vendas internas na China estão indo muito bem, o mesmo não se pode falar das suas exportações automotivas, que estão se recuperando este ano (depois de terem caído 40% em 2009) e devem chegar a 500 mil unidades -- apenas 3% da produção chinesa. Como comparação, o Brasil deve exportar quase a mesma quantidade de veículos montados (excluindo CKD’s) em 2010, e mesmo com o câmbio desfavorável isso equivale a 15% na nossa produção.

Apesar do governo chinês ter priorizado as exportações, o aumento expressivo da demanda interna tem direcionado o foco das montadoras ao aumento da capacidade produtiva e não à exportação. Um cenário oposto ao visto em outros países, onde a capacidade produtiva ociosa pressionou as montadoras a exportar seus veículos. Em 2009 a China operou no limite, e até acima, da sua capacidade produtiva de 13,6 milhões de veículo/ano. Em 2010 elevou a capacidade para 18 milhões de veículo/ano. Até 2015 estima-se que outros 9 milhões de capacidade já estejam instalados, resultando em 27 milhões anuais.

Outro movimento incentivado pelo governo chinês é uma consolidação no setor, com a absorção das pequenas empresas pelas grandes de modo a fortalecê-las e aumentar o ganho de escala. Desta maneira haverá uma tendência das dez primeiras a deterem mais do que os atuais 86% do mercado.

No Brasil as vendas de veículos chineses devem atingir a marca de 15.000 unidades em 2010, representando apenas 3% das nossas importações, que devem chegar a 550 mil este ano.

Há, claramente, duas estratégias em desenvolvimento. Uma delas, de chegarem mais marcas e modelos da China, está clara no Salão do Automóvel de São Paulo. A outra corresponde à localização na produção de veículos, como faz Chery com a fábrica planejada para Jacareí, SP, e estudam a Dongfeng, Great Wall e JAC.

A expansão mais agressiva das OEM’s chinesas no mercado internacional depende de uma ampliação de sua capacidade produtiva, seja na própria China ou em outros países, como o Brasil.

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