ANÁLISE

Indústria

Onde produzir? Argentina ou Brasil


Carcon Automotive analisa a importância da estratégia de longo prazo


Em 2010 o Brasil vendeu 3,51 milhões de veículos, dos quais 660 mil foram importados, representando 18,8% do mercado. Em 2009 vieram do exterior 489 mil unidades, o equivalente a 15,6% das vendas internas na época.

Dos veículos estrangeiros emplacados em 2010, as empresas associadas à Anfavea trouxeram 84% (90% em 2009), enquanto as filiadas à Abeiva, que não têm fábrica no País, importaram 16% (10% em 2009). O crescimento das importações no âmbito da Anfavea foi de 25% e da Abeiva de 123%.

O crescimento maior dos importados pela Abeiva, além do câmbio favorável e maior oferta de produtos, também se justifica pelo aumento dos novos associados: 21 em 2009, contra 30 marcas em 2010, entre elas a chinesa Chery.

Apesar da preocupação com o ritmo crescente das importações, 91% das vendas automotivas no Brasil em 2010 corresponderam a veículos produzidos na América do Sul; 5,1% vieram da Ásia, 2,3% da América do Norte (EUA, México e Canadá) e 1,6% da Europa.

Dos importados produzidos na América do Sul a grande maioria veio da Argentina e, com exceções como Fiat Siena e VW Fox, não há produção similar no Brasil. As montadoras têm desenvolvido nos últimos anos a estratégia de produzir na Argentina automóveis e comerciais leves que tem boa aceitação naquele país, de modo a exportar uma parcela relativamente pequena da sua produção, e consumir internamente a maior parte da produção.

Há, no entanto, exceções à regra como demonstram o Chevrolet Agile e Fiat Siena. Para os dois apenas 14% da produção ficou na Argentina e o restante foi exportado para o Brasil. A tabela mostra ainda que há poucos casos em que ocorre uma venda maior de modelos lá do que aqui, como ilustram o VW SpaceFox e VW Amarok.



Do mesmo modo que alguns veículos teriam a produção justificada no Brasil em razão das vendas serem mais expressivas aqui, há veículos brasileiros que são um sucesso na Argentina. Podemos destacar o Ford EcoSport (que em 2010 vendeu na Argentina 32% do total produzido em Camaçari, BA) e o Renault Sandero, que vendeu no país vizinho 23% do total produzido no mesmo ano em São José dos Pinhais, PR.

Portanto, vemos que as montadoras freqüentemente se deparam com a difícil tarefa de decidir em qual país do Mercosul produzir seus veículos. Obviamente, a mudança do local de produção após o lançamento do veículo é algo custoso, tanto do ponto de vista de instalações produtivas, como análise de toda a cadeia de suprimentos. Essa análise tem que ser feita a longo prazo. Como exemplo, recentemente a PSA declarou que a partir de 2014 concentrará na Argentina a produção de veículos médios e no Brasil a dos compactos.

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