ANÁLISE

Panorama

Como prever o mercado automotivo para 2011


Carcon Automotive revê a tarefa de fazer projeções no setor.


Historicamente, as empresas se deparam no terceiro e quarto trimestres com a difícil tarefa de preparar o orçamento para o ano seguinte. As áreas de planejamento de negócios, marketing e finanças fazem incontáveis reuniões para descobrir que números usar em suas projeções. Esses números irão direcionar a empresa em seus custos, investimentos, produção, vendas, colaboradores e outros aspectos.

No setor automotivo, todos querem conhecer as previsões de produção e vendas de seus segmentos, sejam elas de autos, comerciais leves ou veículos pesados. As previsões vêm do lado externo, feitas pela Anfavea, Sindipeças, Fenabrave, consultorias e bancos, e tem também origem interna (quando feitas na própria empresa).

Uma salada de números é utilizada em previsões de Produto Interno Bruto (PIB), juros, inflação, volume de crédito, inadimplência, Investimento Estrangeiro Direto (IED), desemprego, geração de empregos, investimentos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), confiança do consumidor, confiança da indústria, investimentos na Copa e nas Olimpíadas, por exemplo.

Para ver até que ponto o setor automotivo tem acertado, voltei alguns anos. Veja.

Previsão 2009: após fechar o ano de 2008 com vendas de 2,82 milhões de unidades e ainda sob efeito da crise mundial do fim do ano anterior, o mercado projetou em abril de 2009 que aquele ano terminaria com 2,7 milhões de veículos vendidos (ou seja, queda de 4% nas vendas). Em julho, o mercado aumentou a previsão para 3 milhões de veículos. O ano de 2009 terminou com 3,14 milhões, bem acima das previsões pessimistas do início do ano.

Previsão 2010: em outubro de 2009, o mercado projetou para 2010 crescimento de 5% nas vendas, mas em dezembro de 2009 já se falava em crescer 9% e chegar em 3,4 milhões.

Previsão 2011: em outubro do ano passado, o mercado projetou um mercado de 3,6 milhões de unidades para 2011 e agora em março refez para 3,7 milhões, ou seja, 5% a 6% de aumento sobre 2010.

As previsões para este ano mostram-se conservadoras por conta de um crescimento menor do PIB em 2011 e também por causa de ações do governo para conter o aumento da inflação, como a elevação da taxa de juros.

Outra constatação possível é feita ao comparar o histórico da variação do PIB anual com a variação da produção automotiva:



Podemos ver claramente que a produção automotiva brasileira tem seguido, nos últimos anos, o desempenho do PIB, mesmo que em uma escala diferente, como mostra o gráfico acima. Portanto, como as previsões mais recentes do PIB apontam crescimento de 3,5% a 4% em 2011, é justo concordarmos com um aumento na produção automotiva.

As previsões mais recentes da Anfavea tratam de aumento de produção de 1% em 2011, menor do que os 5% a 6% que o mercado projeta para as vendas. O desempenho pior da produção se deve à pressão maior das importações por conta da valorização do real.

Portanto, este ano devemos ter um aumento da produção menor do que o PIB, ao contrário de 2010, quando a produção cresceu quase o dobro dele.

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