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10 tendências que impactarão as cadeias de suprimento do setor automotivo em 2014 - Mark Morley*


Globalização ditará o desenvolvimento


A indústria automotiva é uma das mais importantes e fortes do Brasil. Dados do Portal Brasil indicam que, entre janeiro e outubro de 2013, as exportações do setor ultrapassaram US$ 4,6 bilhões. De acordo com informações divulgadas em 5 de dezembro pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção brasileira aumentou significativamente em novembro, alcançando, pela primeira vez na história, 3,5 milhões de unidades. Um mercado desta magnitude mostra a importância de acompanhar as principais tendências na indústria automotiva para 2014.

Essa indústria está passando por um empolgante período de mudança com expansão global significativa, introdução de novas tecnologias e desejo de introduzir no mercado veículos mais ecológicos. Diante disto, descrevo algumas tendências importantes para a cadeia de suprimentos e B2B que podem impactar a indústria automotiva global em 2014:

1. O aumento da adoção de plataformas globais de veículos vai simplificar e consolidar as cadeias de suprimento. Empresas como o Grupo Volkswagen provaram que, se implementadas corretamente, plataformas de automóveis em nível mundial podem trazer benefícios significativos. Apesar do alto investimento inicial, os sistemas consolidados de fornecedores/peças/subsistemas, sistemas de produção simplificados e fluxos logísticos contribuem para justificar o investimento. Com a tendência para a expansão global crescente, especialmente puxada por empresas automotivas do extremo oriente, mais fabricantes certamente lançarão plataformas globais de automóveis ou arquiteturas de veículos durante 2014.

2. A "Internet das Coisas Automotivas” torna-se mais profundamente enraizada nos veículos e nos ambientes de produção – Em 2013 vimos a "Internet das Coisas" como tendência. Dois mil e catorze será o ano de todos os participantes da cadeia de suprimento automotiva trabalharem para conectar suas "máquinas" à internet. Equipamentos de produção, redes de logística e infraestruturas de serviços de pós-venda passarão a ser ligados a uma plataforma única para permitir que os fluxos de informação sejam analisados e colocados em prática. Cada fabricante de automóveis começará a oferecer um carro conectado dentro de sua respectiva gama de veículos.

3. Montadoras seguem Tesla e BMW, líderes no desenvolvimento de marcas dedicadas de veículos eléctricos. Crescimento exponencial nas vendas de veículos elétricos da Tesla e BMW i-Series em 2014 fará com que muitos outros fabricantes de veículos introduzam plataformas dedicadas e submarcas para carros com esta tecnologia. Até agora, muitos deles decidiram entrar no mercado de elétricos pelas plataformas de veículos eletrizantes existentes. Do ponto de vista de embalagem, muitos desses veículos não são adequados para abrigar grandes baterias ou motores elétricos. Para ser bem sucedido em 2014, os fabricantes de veículos terão que seguir o modelo da Tesla e BMW com o desenvolvimento de plataformas de veículos dedicadas, leves e conectadas.

4. China acelera planos de expansão global com a aquisição de fornecedores-chave e lutando contra os fabricantes originais de equipamentos (OEMs - Original Equipment Manufactures). Até agora o país não conseguiu chamar a atenção do mundo com suas próprias marcas de automóveis. A falta de qualidade, pouca divulgação e a concorrência com fortes marcas ocidentais têm contribuído para a limitada expansão global da indústria automotiva daquele país. O aumento da riqueza na China fará com que as empresas ocidentais continuem a ser adquiridas por fabricantes chineses; a compra da Volvo Cars pela Geely mostrou como essas fusões podem ser bem sucedidas. E se OEMs chineses pudessem assinar acordos, em 2014, para usar instalações de produção subutilizadas na Europa e na América do Norte? Isto serviria para aumentar a produção em nível mundial, a China teria uma participação em outros mercados e toda a base de fornecimento se rejuvenesceria.

5. A adoção de plataformas B2B na nuvem acelera devido à contínua consolidação de ERPs globais e legados de ambientes B2B. Em 2014, a globalização da indústria automobilística terá maior esforço para melhorar o antigo legado dos ambientes B2B. Este ano, a 2ª onda de expansão de mercados emergentes exigirá extensão de infraestruturas de TI para o norte da África, Vietnã e Tailândia. Países com habilidades limitadas de TI poderão implantar soluções de nuvem para permitir que todos os fornecedores possam se conectar a um hub B2B centralizado. A introdução de “plantas conectadas" para apoiar as estratégias relacionadas com a “Internet das Coisas” verá o aumento dos níveis de consolidação entre instâncias de ERP para fornecer uma visão única de informações através de múltiplas plantas automotivas.

6. OEMs automotivas formam alianças para pressionar os governos regionais a investir em infraestruturas para carregamento elétrico – A ansiedade por alcance do consumidor é a barreira número um para a adoção de veículos elétricos, e a indústria automotiva precisará de ajuda dos governos regionais para superá-la. Cidades como Amsterdam, na Holanda, têm implementado com sucesso redes de carregamento e até mesmo fabricantes como a Tesla decidiram financiar o desenvolvimento de sua própria infraestrutura de carregamento para ajudar a impulsionar a adoção de veículos elétricos no mercado. No entanto, se as empresas automotivas se depararem com metas rigorosas de emissões até 2020, o governo deveria trabalhar em políticas regionais de investimento em infraestrutura de carregamento como incentivo para os consumidores comprarem veículos elétricos.

7. Tecnologia de impressão 3D amadurece e passa de aplicações conceituais de projetos para uso limitado em ambientes de produção. Esta tecnologia já existe há mais de duas décadas, mas em 2013 foi introduzida para o consumidor em geral. Há anos, empresas automotivas têm utilizado a impressão 3D para prototipagem rápida na fase de conceito de projeto de desenvolvimento de veículos. O maior conhecimento desta tecnologia fará com que seja implantada em determinadas produções e serviços de pós-venda, nos quais as peças podem ser fabricadas em um local de produção ou centro de serviço. Peças fundidas e também as feitas domesticamente serão as primeiras beneficiários desta tecnologia em 2014.

8. Mais países adotam a comunicação B2B global e padrões de mensagens para suportar operações internacionais – A crescente globalização da produção tem complicado os fluxos logísticos e iniciativas de integração de fornecedores. Já estamos vendo o ERP e as plataformas B2B sendo consolidadas para apoiar estas operações globais. Em 2014, veremos um aumento do interesse na adoção de padrões globais, como o OFTP2 para comunicações e o conjunto de mensagens globais desenvolvido pela indústria automotiva alemã que em breve será introduzido em outros países. Em 2014 mais regiões devem seguir o exemplo da Alemanha na utilização de padrões globais. Associações regionais do setor, como AIAG na América do Norte e JAMA no Japão, provavelmente irão adotar o EDIFACT, conjunto de mensagens global baseada que está sendo desenvolvido por fabricantes, como o Grupo VW, BMW, Hella e Bosch, para ver como eles podem ser aplicados em seus próprios países.

9. Parcerias estratégicas entre fabricantes de alta tecnologia e montadoras continuarão a ser anunciadas. Nos últimos anos, vimos alianças como Panasonic e Toyota, Ford e Microsoft. Em 2014 acredito em uma nova geração de parcerias, graças ao aumento do interesse dos consumidores em conectar seus dispositivos eletrônicos com os sistemas de entretenimento no automóvel. Até agora vimos fornecedores tradicionais de eletrônicos firmando parcerias com a indústria automotiva. Mais para frente quem sabe poderemos ver o Google, Apple e outras marcas de alta tecnologia com foco no consumidor desenvolverem relacionamentos mais fortes com a indústria automotiva. Aplicativos para download serão comuns em 2014? Dispositivos interagirão com veículos? Plataforma Android, do Google, e IOS, da Apple, formarão a base do futuro em plataformas de software de carro?

10. Europa e outras regiões seguem a América do Norte na implementação de regulamentos para minimizar o uso de minerais de zona de conflito. Os Estados Unidos são pioneiros em tentar reduzir de forma significativa a quantidade de minerais de conflito nas cadeias de suprimentos. Novas regulamentações que serão introduzidas em 2014 pela Securities and Exchange Commission (SEC) na América do Norte irão obrigar as empresas a demonstrar que não estão usando tais minerais como parte de suas operações na cadeia de suprimentos. Neste ano, acredito que Europa, Japão e outras regiões-chave começarão a avaliar a implementação de suas próprias leis para restringir o uso destes materiais. AIAG, na América do Norte, já vem trabalhando extensivamente com a indústria automotiva. Eu esperaria vê-los atuando próximo a outras associações do setor, como Odette na Europa e JAMA no Japão, no compartilhamento do aprendizado e melhores práticas. Isso vai ajudar a desenvolver uma abordagem unificada para a remoção de minerais de conflito das cadeias de suprimentos automotivas globais em 2014.

* Mark Morley é diretor de marketing da GXS, que atua em integração B2B. Ele lidera estratégia para a indústria manufatureira e tem como principais focos os setores automobilístico, de alta tecnologia e setores industriais.

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