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Os 5 pontos-chave para entender a decisão da Tesla de fechar capital

Estratégia | 10/08/2018 | 21h47

Os 5 pontos-chave para entender a decisão da Tesla de fechar capital

Após anúncio no Twitter, CEO da montadora passou a ser investigado por possível manipulação do mercado financeiro

REDAÇÃO AB

Foi com um singelo tweet que Elon Musk, CEO da Tesla, declarou a intenção de tornar a montadora de carros elétricos uma empresa privada, recomprando as ações da companhia no mercado. As nove palavras que o executivo usou para fazer o anúncio foram, mais tarde, complementadas com um e-mail enviado aos funcionários da organização.

Segundo o executivo, o objetivo da manobra é permitir que a companhia volte a se concentrar em seus objetivos de longo prazo, sem a pressão por entregar grandes resultados aos acionistas a cada trimestre – algo em que a Tesla vem falhando miseravelmente em concretizar. “Esta proposta ainda será sujeita a votação dos nossos acionistas”, declarou no texto direcionado aos colaboradores.



A seguir, organizamos cinco tópicos relevantes para entender o impacto do anúncio de Elon Musk:

1- A ESTRATÉGIA PARA A COMPRA


Como já é habitual, Musk causou rebuliço ao fazer o anúncio, mas não detalhou como pretende concretizar o plano. O executivo declarou que a recompra será feita por US$ 420 por ação, garantindo que a Tesla deixe de ser uma empresa pública. A questão é que, se o valor for realmente este, a empresa seria adquirida por um montante maior que seu atual valor de mercado. Segundo a Reuters, a somatória chegaria a US$ 72 bilhões, bem mais do que os US$ 50 bilhões em que a companhia é estimada atualmente e ainda mais valiosa do que uma série de montadoras de alto volume de vendas.

O CEO não explicou como vai pagar por isso. Analistas apontam que o projeto demandaria aporte de um fundo de investimento, já que Musk não planeja aumentar a sua participação no controle da marca para além dos atuais 20%. Nem mesmo a fortuna de US$ 20 bilhões do executivo seria o suficiente para resolver o negócio.

2- MUSK PASSA A SER INVESTIGADO


O suspeito chute para cima no valor de mercado da Tesla chamou a atenção da Securities and Exchange Commission. O órgão abriu uma investigação para entender se o anúncio de Elon Musk foi uma tentativa de manipular o mercado de ações. A instituição quer apurar se o executivo conta mesmo com os recursos para cumprir o que anunciou. Outro aspecto que suscita desconfiança é o fato de a decisão ter sido postada no Twitter. Uma informação tão relevante normalmente seria dada com muito mais cuidado justamente para não provocar alvoroço desnecessário no mercado financeiro.

3- NINGUÉM SABE DE ONDE VIRÃO OS RECURSOS


O ponto-chave da estratégia é também o aspecto mais nebuloso do anúncio de Musk. Segundo apurou a agência Reuters, nem mesmo o conselho de administração da companhia sabe ainda de onde virá o dinheiro necessário para tornar a Tesla uma companhia sem capital aberto na bolsa. A liderança da empresa não teria qualquer informação específica e, muito menos, um estudo financeiro da estratégia.

Investigação da Bloomberg trouxe conclusão ainda mais grave: Elon Musk estaria, neste momento, trabalhando para reunir um grupo de investidores capaz de levantar capital para comprar a companhia. Se confirmada, a iniciativa caracteriza fraude, já que o executivo anunciou que fecharia o capital da empresa antes de, de fato, ter recursos para isso, provocando aumento de 10% no valor das ações.

4- FECHAR CAPITAL PODE FAZER SENTIDO


Supondo que Musk levante recursos para a compra de ações, há especialistas que apontam que o plano faz sentido para uma empresa que tem como principal compromisso o desenvolvimento de novas tecnologias. Segundo analistas, apesar de toda a visibilidade em torno de soluções como carros elétricos e autônomos, a verdade é que empresas engajadas em desenvolver estas soluções ainda devem perder muito dinheiro antes de encontrar um modelo de negócio viável. Este processo simplesmente não é bem aceito por acionistas, que buscam resultados imediatos. Diante disso, assumir os próprios prejuízos como uma empresa fechada pode ser um caminho.

5- MODELO DE NEGÓCIO DA TESLA AINDA NÃO DEU CERTO


Se a estratégia for assumir prejuízos até encontrar um modelo de negócio viável, a Tesla tem longa estrada pela frente. Pesquisas da J.D. Power indicam que o consumidor tem disposição a pagar mais caro por uma tecnologia se o investimento for compensado em até dois anos. “O carro elétrico não chega nem perto disso. É muito difícil como negócio”, disse Doug Betts, vice-presidente da consultoria, em entrevista a Automotive Business.

Segundo ele, a Tesla desenhou uma estratégia inteligente ao focar inicialmente no segmento premium e por estar sediada na Califórnia, onde as pessoas têm preocupação grande com o meio ambiente e, portanto, mostram mais disposição para comprar veículos com nível menor de missões. Além disso, há generoso incentivo de US$ 7,5 mil para que os clientes invistam em modelos com a tecnologia. “Foi a melhor escolha possível, mas o resultado, como negócio, não veio”, diz Betts, citando os consecutivos balanços da companhia no vermelho.

Segundo ele, o fato de fazer carros com autonomia de 300 quilômetros significa que a empresa gasta uma quantia absurda de dinheiro com baterias, algo difícil de ser compensado. “As outras montadoras não fizeram isso não por falta de tecnologia, mas porque não estão dispostas a acumular tantos prejuízos. A Tesla construiu coisas muito importantes, mas alcançar a lucratividade não será missão simples. Me preocupo com o futuro da companhia”, declarou o especialista.



Tags: Tesla, fechar capital, compra, empresa privada.

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