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Ford desenvolve composto resistente ao biodiesel

Engenharia | 10/10/2019 | 16h16

Ford desenvolve composto resistente ao biodiesel

Material tem características próprias para uso com esse combustível e custa metade do similar importado

REDAÇÃO AB

A Ford desenvolveu no Brasil um novo composto de borracha para tubulações de veículos que utilizam biodiesel. O material tem características técnicas próprias para esse combustível e, segundo a montadora, custa metade do similar importado.

O composto foi criado pela área de engenharia de materiais do centro de desenvolvimento de produto da Ford em Camaçari (BA). Ainda de acordo com a fabricante, a borracha já gerou duas patentes nos Estados Unidos e está também em processo de registro no Brasil, na China e na Europa.

Desde 2008, a legislação brasileira determina que carros e caminhões a diesel sejam validados para o uso do biodiesel, adicionado inicialmente na proporção de 5%. Em 2018 a mistura passou a ser de 10%, com previsão de aumentar para 15%, o chamado B15.

Além de ser proveniente de fontes de energia renováveis, o biodiesel tem alto ponto de fulgor, o que torna o manuseio e o armazenamento mais seguros, e tem excelente lubricidade. Para seu uso foi preciso alterar o material das mangueiras e vedações que ligam o bocal de abastecimento ao tanque de combustível. Essas peças passaram a ser fabricadas com borracha nitrílica hidrogenada (HNBR), importada, com maior resistência química, mas custo mais elevado.

“As peças que têm contato com o biodiesel S10 não podem receber acúmulo de carga eletroestática por causa da baixa condutividade desse combustível, o que tende a gerar eventuais faíscas em períodos de menor umidade e comprometer a segurança”, recorda Cristiano Hubert, especialista em polímeros e elastômeros do time de engenharia de materiais da Ford.



“As peças de borracha HNBR importadas têm a propriedade de dissipar as cargas elétricas, mas são cinco vezes mais caras que as convencionais”, diz.

Em 2017, a área de Camaçari começou a pesquisar materiais alternativos e desenvolveu este composto, o PVC/NBR condutivo, que atende às características desejadas com menor custo. O trabalho rendeu ao time três premiações internas de inovação da Ford. Uma das fórmulas patenteadas tem como componente o grafeno. Outra usa a sílica obtida a partir da cinza de casca de arroz, material renovável que atua como reforço mecânico e tem a propriedade de redução do inchamento em contato com o biodiesel.

As primeiras peças fabricadas com o novo material têm previsão de chegada ao mercado em 2020 (na picape Ranger) e também poderão ser licenciadas para outras marcas, inclusive fabricantes de caminhões. A produção em escala desse material, que é compatível até com o uso de B30, é favorecida também pela abundância de matéria-prima, já que o Brasil é o maior produtor de arroz fora da Ásia.



Tags: Ford, borracha, composto, biodiesel, B15.

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