
O pós-venda como fonte
alternativa de receita
Na ponta final, quando o consumidor entra na loja, tem que ser tratado
como rei. Ele está bastante informado e precisa de incentivos para
se convencer a comprar. Por isso, a concessionária, numa média
mundial, só ganha em torno de 1% líquido sobre o preço
final negociado. Em um ou outro país essa rentabilidade pode subir.
Modelos sofisticados, que representam menos de 10% do total, deixam um
lucro razoável, embora a concorrência também obrigue
a concessões. A alternativa tem sido procurar outras fontes de
receita e o pós-venda surge como saída viável.
Novamente aí os atuais e futuros proprietários
de carros tendem a se beneficiar. Todas as marcas estão investindo
em valorizar as oficinas. Dois exemplos são o programa de revisões
a preço fixo, que a Peugeot introduziu no País há
dois anos, e a recente campanha da Ford de desafiar quem vende mais barato
os mais de 80 kits selecionados de peças e serviços da rede
autorizada. A promoção terminaria no final do mês,
mas deve continuar já que vendeu 23.000 kits em 15 dias ou 1.000%
de crescimento, segundo o gerente responsável Oswaldo Jardim. As
outras fábricas também possuem seus kits promocionais e
os alvos são, além dos varejistas de peças, os centros
automotivos e os de serviços dos próprios produtores de
componentes.
Iniciativa autônoma uniu a campanha de uma década
por manutenção preventiva do jornal especializado Oficina
Brasil com a prestação de serviço chamada Agenda
do Carro do site Webmotors, passando a interessar a cerca de 1,3 milhão
de internautas. Em apenas seis meses o programa cresceu e atraiu a adesão
de centenas de oficinas independentes. O termo manutenção
lembra despesa e, às vezes, assusta o motorista. Prevenção
é a palavra mágica. Desde que não se tornasse um
abuso patrocinado por algumas autopecistas ao recomendar a troca de itens
sem diagnóstico apurado. Tais temas serão discutidos de
31 de março a 4 de abril na Tecnoauto, uma feira em São
Paulo, SP para profissionais do setor de reparação.
Também se investe pouco em programas de fidelidade
do cliente à concessionária no período pós-garantia.
A Fiat foi a única a fazer um esforço específico,
mas só foi bem-sucedida em poucas regiões fora dos grandes
centros. O maior problema das concessionárias é substituir
sem pensar, o que acaba inflando os orçamentos. Muitas vezes um
pequeno trabalho de pesquisa do defeito sugere uma intervenção
apenas corretiva. Mas por acomodação e a segurança
de que o cliente não voltaria para reclamar, opta-se por instalar
uma peça nova. Mudança de cultura é a chave (Fernando
Calmon, Alta Roda, 30 de março).
voltar