Desmanches, reciclagem e sucateamento em debate

Algumas propostas de solução emergiram, incluindo a fiscalização da atividade dos desmanches ou ferros-velhos. Estes comercializam componentes de carros sinistrados e mesmo que chegaram ao fim de sua vida útil, mas com peças ainda aproveitáveis. O problema cresceu com o volume de 700.000 unidades roubadas por ano em todo o Brasil, das quais cerca de metade não é recuperada pela polícia ou por empresas particulares de rastreamento e localização. Outra sugestão é tornar o proprietário responsável pela baixa no registro. Isso hoje é feito pelas seguradoras ou por quem está adquirindo as carcaças destruídas.

Também se chegou a recomendar a simples transformação do veículo em sucata. Talvez uma influência de filmes americanos que imortalizaram cenas de máquinas trituradoras e compactadoras. Hoje a tendência é diferente em conseqüência da proteção ao meio ambiente e o reaproveitamento racional em técnicas de reciclagem. O ponto de partida passa por uma lei sobre sucata existente ou prestes a existir. Foi assim que em 2002, na Espanha, surgiram firmas bem organizadas de desmontagem, identificação e revenda de peças retiradas de automóveis acidentados ou inviáveis para continuar circulando. Lá, sai de circulação um milhão de veículos/ano (no Brasil, estimam-se 800 mil).

Uma das iniciativas de sucesso, ainda em 1998, foi do Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) espanhol. Criaram uma nova companhia aproveitando o suporte técnico desenvolvido ao longo de 25 anos para estudar acidentes, danos materiais e gastos com recuperação por delegação das seguradoras. Exames minuciosos diagnosticam se vale a pena e quanto custa consertar. Depois de desmontar, são feitas análises rigorosas e separação dos componentes reutilizáveis no conserto de outros carros. As demais seguem para reciclagem ou sucateamento.

Só peças aprovadas são oferecidas ao mercado de reposição por um preço muito mais em conta e, importante, com garantia. Itens mecânicos, eletroeletrônicos, de carroceria e acessórios estão incluídos, mas nenhum componente de segurança é comercializado. O número de desmanches na Espanha caiu de 3.000 para 500 desses centros especializados. Uma lei regulamentada em 2004 do mesmo modo estimulou o Cesvi da Argentina a repetir a experiência espanhola e, em breve, terá instalações semelhantes. Inclusive para atender aos trâmites legais agora exigidos das seguradoras.
O Cesvi Brasil existe há 10 anos, como no país vizinho, e o seu bem-equipado e moderno centro de testes e pesquisas funciona desde 1996 em São Paulo, SP. A exemplo da matriz espanhola, poderia se antecipar às possíveis leis e criar uma empresa semelhante. O meio ambiente, a moralidade e o bolso dos consumidores agradeceriam penhorados (Fernando Calmon, Alta Roda, 18 de janeiro).

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