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Mercado e Negócios | 14/04/2011 | 17h18

Ajuste em 2011 para crescer mais rápido depois

Bradesco projeta aquecimento contínuo da economia brasileira.

Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB

“Ajuste moderado em 2011 e excelentes perspectivas adiante.” Assim o economista-coordenador de pesquisa econômica do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, resumiu o cenário macroeconômico brasileiro em sua apresentação durante o II Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 11.

O economista destacou que as perspectivas otimistas para o Brasil estão lastreadas por um conjunto de fatores, que pode garantir anos seguidos de prosperidade econômica ao País, a começar pela continuidade da elevação da renda da população, que compra mais, toma mais crédito, e assim põe em marcha um círculo virtuoso, no qual as empresa vendem mais e, portanto, geram novos empregos.

Conforme demonstrou Barbosa em sua apresentação, o salário médio brasileiro, que está pouco acima de R$ 1,5 mil, deverá superar R$ 1,6 mil até o fim de 2012. Isso significa que mais pessoas estão sendo alçadas nos próximos para a chamada classe média, com renda entre R$ 1.159 e R$ 4.635, que já representa 52,4% da população e, segundo as projeções do Bradesco, deve chegar a 58,2% em 2020.

Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego segue em queda, devendo fechar em 6,4% da população ativa nas principais regiões metropolitanas do País em 2011, caindo para 6,1% ao fim de 2012.

“Tudo corrobora para o aquecimento do mercado interno”, avalia Barbosa, lembrando ainda que os próximos anos são de intensificação de grandes investimentos no País, com as obras do PAC, exploração das reservas de petróleo do pré-sal, Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.

O horizonte de longo prazo promete a manutenção desse cenário de pleno emprego, renda em ascensão e consumo em alta, pois o Brasil tem um enorme bônus demográfico a usufruir, com a maior parte da população em idade economicamente ativa nos próximos 25 anos.

“Freio de arrumação”

O aquecimento do consumo também traz efeitos colaterais indesejáveis e o principal deles é a escalada da inflação, que tende a atingir o pico de 7% este ano, segundo projeta o Bradesco, principalmente porque a demanda vem crescendo mais do que o PIB nos últimos anos, o que obriga o governo a acionar “um freio de arrumação”, conforme explica Barbosa, com cortes de gastos públicos e adoção de medidas para desaquecer o consumo, entre elas o aumento dos juros.

Mas o economista aposta que o governo não quer perder o embalo que a economia ganhou e, por isso, será comedido nos remédios para conter a inflação, que pelas estimativas do banco deve voltar a cair para 4,5% em 2012. “A taxa de juro deve subir, mas não muito, vemos apenas mais dois aumentos de 0,25 ponto, ficando em 12,25% ao ano no fim de 2011”, diz Barbosa. O Bradesco avalia que o atual ciclo de alta dos juros é de curta duração, projeta que a taxa volta a cair no próximo ano, terminando 2012 em 11,25%.

“Acreditamos que o governo não irá aprofundar a alta dos juros para não atrapalhar o crescimento econômico. Preferirá lançar mão de outros instrumentos para combater a inflação, como corte de gastos e adoção de medidas de contenção do crédito, como já fez em novembro passado com aumento dos compulsórios para alguns tipos de financiamentos”, avaliou Barbosa.

Crédito segue em alta

Mesmo com algumas medidas, o cenário não é de corte profundo no crédito: “Existe uma pequena retração, mas não o suficiente para frear todo o potencial de consumo, apenas desacelerar um pouco”, afirma Barbosa. Nesse sentido, ele citou a expressiva expansão da população em condições de comprar um veículo financiado. Colocando como exemplo um carro de R$ 25 mil, o número de pessoas que podem pagar as parcelas do financiamento, com entrada de 20%, saltou de 5,2 milhões em 2005 para 14,2 milhões atualmente.

Ao mesmo tempo, a parcela da renda da população comprometida com o pagamento de financiamentos, hoje na média de 21%, ainda é bastante baixa em comparação com outros países. “Há no Brasil ainda um enorme potencial para crescimento do crédito”, afirma Barbosa.

Fernando Honorato Barbosa, do Bradesco, em palestra durante o II Fórum da Indústria Automobilística/Foto: Ruy Hizatugo.



Tags: Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, economia, mercado, perspectiva.

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