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Tecnologia e Engenharia | 04/05/2011 | 08h39

Desenvolvimento virtual ganha espaço

Complexidade dos produtos avança com uso intensivo de TI.

Pedro Kutney, de Las Vegas

Pedro Kutney, de Las Vegas

Não fosse pela rápida evolução da informática, quase nada das complexas evoluções tecnológicas dos veículos teria alguma chance de acontecer. A tendência é o aumento dessa dependência tecnológica. Essa é a principal conclusão para a indústria automotiva do congresso Siemens PLM Connection, que acontece esta semana em Las Vegas, Estados Unidos, reunindo mais de dois mil usuários de sistemas virtuais de desenvolvimento de produtos, conhecidos como PLM.

Com tantos compromissos a atender em termos de redução de emissões, aumento da conectividade e dos dispositivos de segurança, cada vez mais os carros, antes de chegarem às linhas de produção, precisam passar meses no mundo virtual, dentro dos computadores dos engenheiros, modelados por programas de última geração que, atualmente, são capazes de criar virtualmente cada pequena peça, integrar todos os circuitos, sistemas e, por fim, colocar tudo junto para funcionar – e se não funcionar direito, basta fazer novos ajustes e simulações virtuais até acertar todas as partes do projeto.

“Nós não desenvolvemos o carro do futuro, mas criamos as ferramentas que tornam possível projetá-lo e fabricá-lo”, diz David Taylor, diretor de marketing da Siemens PLM, braço de desenvolvimento de programas de gestão de produtos (PLM, na sigla em inglês) da divisão de automação industrial do grupo Siemens. “Com tanta complexidade, seria impossível projetar os automóveis atuais de forma manual, sem a ajuda intensiva da tecnologia da informação”, completa, citando o exemplo do avanço da eletrônica veicular, que envolve complexas interações, com milhões de linhas-código a digitar – o híbrido Chevrolet Volt, por exemplo, tem 100 milhões de linhas-código em seu projeto.

“Como não podemos reduzir a complexidade dos produtos e processos, temos de trabalhar no gerenciamento eficiente do desenvolvimento”, resume Klaus Oesterschlze, chefe de TI da divisão de automação industrial da Siemens AG.

Globalização e integração

Existe ainda a tendência de maior globalização no desenvolvimento de produtos, com carros sendo projetados em diversos lugares ao mesmo tempo. “Por isso os programas de desenvolvimento como CAD estão migrando para modelos mais amplos de PLM, com integração total de todos os sistemas”, afirma Taylor.

Hoje o CAD não é mais o centro do universo da engenharia, mas uma parte de algo muito maior, que integra centros ao redor do mundo com todas as áreas da empresa. Por exemplo, quando um novo produto é desenvolvido, o departamento de compras pode participar em tempo real com a cotação de todos os componentes necessários, os fornecedores podem ser admitidos no mesmo sistema e participar do projeto on-line, ao mesmo tempo em que a manufatura pode montar virtualmente toda a linha de produção.

Tudo isso significa tempo menor de desenvolvimento e, como se sabe, tempo é dinheiro. E fazer tudo sem erros também. Por isso ganham importância as simulações virtuais, tanto dos produtos como dos processos de produção. São sistemas que permitem experimentar tudo antes de gastar recursos com máquinas e materiais muito caros.

Virtualização

Pode-se evitar, ainda, perdas com erros de projetos. Um exemplo: em 2010 foram feitos 20 milhões de recalls nos Estados Unidos, número cerca de duas vezes maior do que o total de veículos produzidos no país. Ao custo médio de US$ 100 por carro, o prejuízo para os fabricantes de peças e montadoras chega a US$ 2 bilhões. Muitas dessas falhas, segundo os especialistas da Siemens PLM, podem ser diagnosticadas antes da produção com o uso de programas de desenvolvimento virtual.

Em outro exemplo de economia, a Ford está fazendo nos Estados Unidos a atualização de todos os softwares de seus carros por radiofrequência, assim que eles saem das linhas de produção, antes mesmo de mandá-los para as ruas. Sempre que é preciso fazer qualquer alteração no funcionamento de algum sistema, basta “transmitir” as novas configurações aos automóveis – exatamente como fazem os computadores conectados à internet, que atualizam programas automaticamente.

O mesmo vale para as linhas de produção. Com uso de dispositivos móveis, como iPads, conectados ao sistema central da companhia, um engenheiro já pode caminhar pela linha de montagem, verificar o funcionamento das máquinas e fazer todos os set-ups necessários a partir do seu tablet.

Para o futuro próximo, Taylor prevê que consumidores poderão fazer até test drives virtuais de carros que nem existem ainda, no computador de casa, e dar às montadoras importantes impressões que poderão determinar o sucesso do produto no mercado. “Vamos poder predizer cada vez mais como serão os veículos antes de produzi-los.”



Tags: Siemens PLM, David Taylor, Siemens AG, softwares, Ford, tablet, iPad.

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