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Mercado e Negócios | 09/05/2011 | 21h40

E&Y: Brasil automotivo precisa de plano e deve valorizar o flex

Consultores destacam recuperação do mercado americano.

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Paulo Ricardo Braga, AB

Em sua peregrinação pelos mercados mais promissores da indústria automobilística, o líder global da Ernst & Young para o setor, Michael Hanley, fez uma parada obrigatória no Brasil esta semana. Dizendo estar impressionado com a vitalidade do mercado local, ele dividiu com Automotive Business suas expectativas sobre a evolução dos cenários internacionais.

Quanto aos Bric, nenhuma novidade: continuarão puxando o avanço das vendas e da produção, com o centro de gravidade dos negócios pendendo mais para a Ásia. Para o executivo, que tem escritório em Detroit, o principal movimento é a recuperação expressiva do mercado norte-americano, que entra em trajetória de alta para emplacar este ano um volume de até 13,2 milhões de veículos leves. “A retomada é forte, acompanhada de uma acentuada mudança no perfil do consumidor, que já considera como opção de compra os veículos compactos, com bom conteúdo”, analisa.

Hanley, que esperava uma reação bastante moderada nas vendas, ficou surpreso com os volumes registrados no início do ano e, principalmente, com os resultados financeiros anunciados pelas montadoras para o primeiro trimestre. “Houve lucros elevados, como aconteceu com a General Motors, que até pouco tempo atrás estava em concordata. Os analistas foram atropelados”, enfatizou, dizendo que a evolução está atrelada ao desempenho da economia e a um nível maior de confiança do consumidor. Houve uma recuperação também dos fornecedores de peças e sistemas, que penaram durante a crise financeira deflagrada em 2008.

Nos Estados Unidos os efeitos do terremoto de março no Japão ainda se fazem sentir, especialmente entre empresas como Toyota, Nissan, Mitsubishi e Honda, que dependem em alguma medida de componentes produzidos em seus país de origem. “Os efeitos dos desastres naturais vão perdurar até o final do ano. A produção plena no Japão só será retomada no final do ano”, afirmou Hanley.

Na Europa, que enfrenta a ressaca dos planos de incentivo montados pelos governos para a renovação de frota e estímulo às vendas, as coisas não vão tão bem. Com o fim desses programas o mercado voltou a se ressentir da falta de entusiasmo dos consumidores, apreensivos com os rumos da economia na zona do euro. “Na melhor das hipóteses as vendas vão repetir 2010 na região”, antecipa.

Brasil

O líder global da E&Y confessa que o Brasil tem no sistema flex de seus veículos uma das melhores soluções do planeta para combater as emissões de gás carbônico, com a utilização de etanol. Ele entende que o País deve explorar o uso de combustíveis alternativos, já que a falta de incentivos ao carro elétrico ou híbrido e o alto custo das baterias tornam esses veículos inacessíveis aos brasileiros – pelo menos por enquanto. Para o consultor, os núcleos de engenharia locais devem, no entanto, dominar as tecnologias que levarão ao desenvolvimento desses veículos.

“O Brasil precisa conhecer as tendências mundiais na área de tecnologia, enquanto se esforça para se tornar um player competitivo na formação de custos”, alerta. Para ele, é necessário equacionar, em primeiro lugar, estratégias para o desenvolvimento e o nível de sofisticação e autossuficiência desejado para a indústria automobilística: “Se nada for feito para elevar a capacidade de competir em nível internacional, o parque industrial estará fadado a montar sistemas oriundos de outros países”.

“Ganhar escala na produção é uma das respostas para reduzir custos”, diz o líder global da Ernst & Young, assinalando a importância de se viabilizar um aumento do conteúdo local dos veículos como forma de preservar a competitividade da cadeia de suprimentos, duramente afetada pelo valor da moeda. Ele reconhece que a base do supply chain é um dos elos mais vulneráveis neste momento de globalização, que exige investimento em inovação e novas tecnologias.

Hanley reconhece que os demais emergentes enfrentaram ou enfrentam problemas similares aos do Brasil, que se estendem da complexidade da legislação às fragilidades da infraestrutura, altos impostos e dificuldade na formação de pessoal qualificado. “A Coreia começou a resolver essas questões um pouco mais cedo, enfatizando a educação e desenvolvimento tecnológico. Antes de tudo, traçou um objetivos e um plano”.

Rene Martinez, sócio e consultor da Ernst & Young em São Paulo, concorda com Hanley: “O setor automotivo precisa de diretrizes para crescer e orientar o planejamento das empresas, sejam fabricantes de autopeças ou de veículos”.

Elétricos

A Ernst & Young destaca três marcos importantes recentes para o veículo elétrico no plano internacional: a expectativa da produção em larga escala do Chevrolet Volt e do Nissan Leaf, ambos equipados com motores elétricos, e o término da maior estação de recarga para essa categoria de carros na China.

A expectativa é a de que mais de uma dúzia de modelos esteja no mercado até 2013, com a participação de montadoras tradicionais, como Ford, Mitsubishi e Renault, bem como de novas entrantes, como Tesla, BYD e Coda.

"A indústria automobilística está pronta para evoluir ampliando o emprego de tecnologia elétrica. Para facilitar essa transição, a indústria automobilística tradicional, novos entrantes no mercado, provedores de serviços públicos, agências regulatórias e governamentais devem colaborar entre si para efetivamente aproveitarem as oportunidades e maximizar todos os aspectos de sua experiência em favor do consumidor", avalia Hanley.

As frotas comerciais devem ser pioneiras na adoção dos veículos elétricos na Europa. Nos EUA, o papel-chave será desempenhado pelos consumidores privados pioneiros. Na China, em contrapartida, o principal fator para desenvolvimento do veículo elétrico é o desejo do governo de reduzir o consumo de petróleo para amenizar a poluição.



Tags: Ernst & Young, Bric, mercado automotivo, flex, competitividade.

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