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17/05/2011 | 18h35

Caminhões e Ônibus

Basf: embalagens simplificam distribuição do Arla 32

Petrobras e Vale produzirão, Yara, Tirreno e Cummins importarão.


Automotive Business

Paulo Ricardo Braga, Redação AB

Jerônimo Cruz, diretor da Basf - Divisão de Catalisadores Automotivos, garante que é muito mais simples do que parece solucionar a distribuição de Arla 32, agente redutor líquido de óxidos de nitrogênio à base de ureia a ser utilizado na maioria dos veículos diesel novos no Brasil a partir de 2012. Na Europa a empresa produz o AdBlue, de formulação idêntica à adotada no Brasil para o Arla 32.

“O produto em si é uma solução de ureia de alta pureza e qualidade, com uma especificação bastante rigorosa para que seja aplicado no mercado automotivo. O desafio maior está na distribuição, para garantir capilaridade no território nacional”, assegura o especialista.

A vida útil do produto é influenciada pela temperatura de armazenamento e pode ser de mais de 18 meses em condições adequadas.

O AdBlue, adotado na Europa com esta nomenclatura (a Basf cedeu o direito de uso do nome), é utilizado no sistema de pós-tratamento SCR (Selective Catalyst Reduction), para altas taxas de conversão do óxidos de nitrogênio (NOx).

O sistema SCR é a solução adotada pela maioria das montadoras para os veículos médios e pesados para atendera legislação Euro 5, que passar a vigorar no Brasil em janeiro de 2012.

“Como regra geral, para se alcançar os limites de emissões Euro 5, os veículos maiores têm o motor calibrado para baixa emissão de particulados e alto NOx. É preciso, assim, eliminar os óxidos de nitrogênio, que é feito através dos catalisadores SCR”, explica Jerônimo. Ele lembra que nos motores diesel leves houve uma estratégia contrária: os motores são calibrados para baixa emissão de óxidos de nitrogênio, com o auxílio de válvula EGR, porém com mais alto particulado. Nesse caso são utilizados filtros de particulado ou catalisadores de oxidação (DOC) para controle dos níveis de particulado.

E como fica a distribuição do Arla 32? Para o especialista da Basf, a solução pode ser equivalente à da Europa, onde a empresa fornece o produto a distribuidores em diferentes tipos de embalagens, que devem ser adotadas também no Brasil:

- embalagens de emergência, com 10 litros;
- tanques com 200 litros, para empresas de transporte com até 15 caminhões ou 25 ônibus;
- tanques com 1.000 litros, destinados a postos de combustíveis ou empresas de transporte com frota acima de 15 caminhões ou 25 ônibus;
- tanques com capacidade acima de 3.000 litros, para grandes frotistas.

Jerônimo esclarece que na Europa o AdBlue é consumido em 65% por transportadores, 35% por empresas de ônibus e 5% para o primeiro abastecimento do veículo. Cerca de 25% do volume do produto apenas é comercializado por meio de postos de combustível, sendo o restante absorvido diretamente por estações privadas de abastecimento.

“O Arla 32 e o AdBlue são destinados em sua maioria para veículos pesados. Isso simplifica a cadeia logística de suprimento”, afirma o diretor da Basf. No Brasil, especialmente no início do programa Euro 5, os grandes transportadores certamente estarão prontos a gerenciar estoques de Arla 32. À medida que a frota com as novas tecnologias crescer, os postos de combustível terão um papel importante.

“A embalagem destinada aos postos de combustíveis europeus chega lacrada e possui equipamento de bombeamento e medidor de volume próprios. Isso evita investimentos significativos para a comercialização de Arla 32. Não é preciso fazer escavações, enterrar tanques e tomar os cuidados exigidos para combustíveis, que são inflamáveis e perigosos, ao contrário da solução de ureia”, assegura.

Jerônimo alerta, no entanto, que falta um entendimento maior ao mercado das necessidades associadas às novas tecnologias empregadas nos veículos Euro 5. “Seria interessante haver uma campanha para disseminar o conhecimento sobre as novidades, que trazem boas oportunidades, como a economia de aproximadamente 10% no consumo de óleo diesel com o uso adequado do Arla 32 no sistema SCR”, assinala.

Petrobras e Vale Fertilizantes já anunciaram que vão produzir Arla 32. Yara e Tirreno vão formular o produto a partir de ureia solida importada da Alemanha. Cummins, fabricante de motores, vai distribuir produto importado por meio de seus representantes.

Tirreno

Rogério Pereira da Silva, gerente da divisão de fluidos automotivos da Tirreno, informa que a empresa estabeleceu acordo com a alemã Kruse para receber ureia sólida produzida na Alemanha. O produto será diluído nas instalações de Diadema, SP, e distribuído a transportadoras, com a marca Tirreno, ou entregue a empresas que comercializam fluidos automotivos com marca própria.

“Há muitos negócios em tratativas”, afirma o executivo, que há pelo menos dois anos trata de desenvolver conhecimento e estratégias para atuar no mercado que se abre com as tecnologias Euro 5 no Brasil.

Duas novas instalações para processamento no atacado estão encomendadas e chegarão ao Brasil em 2012 e 2013, para atender a demanda. “A intenção é levar essas unidades de produção a diferentes regiões do País, para evitar o transporte de grande volume de líquido até o usuário final”, enfatiza.

O Arla 32, que deverá chegar ao mercado com diferentes marcas, deve ser certificado pelo fabricante ou distribuidor. A Tirreno já está se preparando para obter o sinal verde do Inmetro. “Há normas a serem obedecidas na formulação e será preciso atenção ao prazo de validade”, alerta Rogério. Segundo ele, se o produto for armazenado em condições normais, não ficando ao sol ou sob temperaturas elevadas, o prazo de validade será de um ano.

O executivo esclarece que não há previsão de se produzir ureia sólida no Brasil. Fabricantes como a Petrobras, em Camaçari, e a Vale Fertilizantes, em Araucária, PR, oferecerão o produto em forma líquida. A Yara, concorrente da Tirreno, também importará ureia sólida da Alemanha, para diluição local.

Vale Fertilizantes

Além da Petrobras, também a Vale Fertilizantes produzirá ureia em Araucária, no Paraná, com a pureza necessária para formulação do Arla 32. A empresa fornece produtos nitrogenados para o mercado químico e de fertilizantes e o complexo industrial de Araucária já produz amônia e ureia, matérias-primas básicas para a fabricação do redutor líquido de emissões.

A empresa não venderá o produto ao consumidor final: “O produto será comercializado a granel para empresas especializadas na embalagem e distribuição, a partir de janeiro de 2012”, afirma Luiz Antônio Veiga Mesquita, diretor comercial e de marketing.

Ele esclarece que o Arla 32, armazenado em pequeno reservatório no caminhão, é injetado no tubo de escape, mistura-se aos gases da combustão e, depois de passar por catalisadores, converte os poluentes em gases inertes. O produto, formulado com ureia técnica de altíssima pureza, é diluído a 32% em água desmineralizada e permite diminuir em 60% a emissão de óxidos de nitrogênio. “Além dos ganhos ambientais, o Arla 32 reduz o consumo de diesel”, diz Mesquita.

Comentários: 1
 

JÚNIOR
11/12/2012 | 12h44
Boa tarde!!!!! Para todos eu particularmente tenho a certeza que muitos frotistas também acha a mesma coisa.O GALÃO DE 20 LITROS DE ARLA 32 CUSTAR R$ ENTRE 60,00 E R$69,00 E UM TANQUE DE 50LTS.RODAR 1800KM É UM ABSURDO MAIS UMA COISA PARA O TRANSPORTADOR É ASSALTADO E ELES DIZEM QUE O CAMINHÃO EURO 5 É MAIS ECONOMICO COMO: O DIESEL S 50 À R$2,08 E O ARLA CUSTANDO R$0,09 POR KM O CUSTO VAI PARA R$2,17 O LITRO DE DIESEL RODADO,FAZENDO A MESMA MÉDIA DOS CAMINHÕES ANTIGOS E PAGANDO NO DIESEL S 500 R$1,99 O LITRO.FICA DEFICIL ASSIM,ESPERAMOS ALGUM SANTO DESCOBRIR ESSE MISTÉRIO E GANHAR MUITO DINHEIRO.(COMO TIRAR ESSE EQUIPAMENTO DO CARRO)

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