Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Caminhões e Ônibus | 30/05/2011 | 23h30

Euro 5: Petrobras garante diesel S50

Estatal investe US$ 73,6 bi para fornecer combustível limpo

Jairo Morelli, AB

NOTÍCIAS AUTOMOTIVAS EM QUALQUER LUGAR
Email RSS Twitter WebTV Revista Mobile Rede Social


Jairo Morelli, AB

Enquanto praticamente toda a indústria automobilística quebra a cabeça para saber como será a distribuição do diesel S50 (com 50 ppm de enxofre) em 2012, e do S10 (10ppm) em 2013, para atender à nova legislação de emissões do País, o Proconve P7, Sérgio Fontes, consultor de negócios da Petrobras, demonstrou muita confiança sobre o assunto em sua apresentação no seminário “Diesel e Emissões em Debate”, promovido nesta segunda-feira, 30, em São Paulo, pela associação dos fabricantes de veículos, a Anfavea.

De acordo com Fontes, investimentos de US$ 73,6 bilhões serão aplicados para garantir a qualidade e o fornecimento do combustível. “Já contamos com 11 polos de venda do S50 espalhados pelo Brasil e 87% da demanda, em 2012, será plenamente abastecida por eles. Por isso acredito que não teremos problemas com a distribuição do diesel adequado para os motores Euro 5 (que atendem ao Proconve P7)”, garante Fontes.

Fontes não soube precisar qual será o preço do diesel de melhor qualidade, mas deixou a entender que certamente será mais caro do que o distribuído hoje, tanto que está em estudo a adoção de um corante para o S50 e S10, para evitar a adulteração do produto com a adição de diesel comum. “A carne é fraca”, brincou. Segundo o consultor da Petrobras, dificilmente haverá falta de S50 pelo consumo de caminhões equipados com motores Euro 3 ou inferiores, pois não haveria vantagem nisso: “O transportador não vai querer pagar mais pelo combustível se ele não for realmente necessário para o bom funcionamento do veículo”, avaliou.

Arla 32

Se a Petrobras confirma que haverá o diesel adequado no País, a dúvida passa a girar sobre a produção e fornecimento de outro líquido de fundamental importância para fazer funcionar o sistema de pós-tratamento de gases SCR dos motores Euro 5: a solução de ureia Arla 32. Segundo Achille Liambos Jr., diretor da divisão de Arla 32 da Yara Brasil, que já produz e distribui o produto em larga escala na Europa e América do Norte, isso também não será problema, pois segundo ele é possível distribuir o reagente sem maiores dificuldades em todo o Brasil.

O único senão, avisa Liambos Jr., é o transporte do agente redutor de NOx, que depende de detalhes técnicos para não sofrer contaminação. “O transporte do Arla 32 deve ser feito apenas em tanques de aço inoxidável ou em recipientes plásticos de boa qualidade”, afirma. Fora disso, Liambos Jr. aproveitou também para explicar que o líquido, composto por quase 33% de ureia, tem facilidade de distribuição por não ser tóxico, explosivo ou nocivo para a saúde ambiental.

O diretor da Yara e destacou o potencial do Brasil na produção do reagente, com fornecimento de ureia nacional garantido por Petrobras e Vale, além de importações do produto. “O País deverá figurar, em breve, como o quinto player mundial na fabricação do Arla 32, com produção em torno de 2 milhões de toneladas/ano e, possivelmente, será o segundo maior mercado consumidor do mundo”, afirma.

Liambos Jr. projeta que três quartos da distribuição de Arla 32 deverão ser feitos a granel, da mesma forma como é vendido qualquer combustível atualmente. Sobre o preço do produto, preferiu não dar números exatos, mas disse que o litro a granel custará menos do que o litro de diesel, porém as embalagens especiais necessárias para distribuir e armazenar o reagente catalítico fazem o custo subir. Contudo, ele informou que a tendência é de queda constante no valor com a evolução da produção e do consumo.

Distribuição

No painel de debates que sucedeu as apresentações de Fontes e Liambos Jr., o diretor de postos de rodovias da Fecombustíveis, Ricardo Hashimoto, destacou que é exagerada a preocupação sobre se os postos irão ou não distribuir o diesel S50 e o Arla 32. “Não somos obrigados a vender esses produtos mas seguimos a lógica de mercado. Ninguém quer perder clientes. Se houver demanda o setor vai investir na distribuição e já existem muitos postos se preparando para isso”, revelou. Cerca de 1,2 mil postos de combustíveis já teriam manifestado interesse de comercializar o novo diesel, segundo Allan Kardec Duailibi, diretor técnico da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Mas ele calcula que será necessário o dobro disso para atender à demanda pelo S50 a partir do ano que vem. De acordo com dados da ANP, existem hoje no País cerca de 38 mil postos, mas apenas 8 mil vendem diesel. “Não podemos obrigar ninguém a vender, mas vamos procurar saber o porquê se alguém não quiser oferecer o diesel limpo. Acreditamos que todos vão seguir o mercado e vão colocar o produto à venda se houver procura”, avaliou.

Esperar para ver

Com mais dúvidas do que certezas neste momento, os operadores de ônibus rodoviários deverão simplesmente adiar as compras de novos veículos Euro 5, avaliou o representante da Abrati, Cláudio Nélson Abreu. Durante o seminário ele disse que os empresários do setor não têm margem para repassar aos passageiros os custos mais altos dos ônibus Euro 5, diesel S50 e Arla 32. Por isso vão preferir esperar para ver – como de resto fará a maioria dos afetados pela nova legislação de emissões no País.



Tags: Euro 5, Proconve P7, diesel, S50, S10, Anfavea, Yara, Petrobras, Arla 32.

Comentários

  • Jose Camargo

    Toda novidade tecnologica e para preservar o meio ambiente é bem vinda. Entretanto tememos que na ansia e irresponsabilidadem tradicional dos poderes publicos,vão dividir esse custo em cima de taxação da gasolina nos automóveis. Como se dono de automoveis fosse culpado de tudo que é nocivo ao planeta terra.

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência