Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Mercado e Negócios | 08/06/2011 | 12h30

Política industrial: inovação é o foco

Setor automotivo é considerado estratégico para receber incentivos do PDC

Paulo Ricardo Braga, AB

NOTÍCIAS AUTOMOTIVAS EM QUALQUER LUGAR
Email RSS Twitter WebTV Revista Mobile Rede Social


Paulo Ricardo Braga, AB

Inovação será a espinha dorsal da nova política industrial que o governo começa a empacotar com o nome de Programa de Desenvolvimento da Competitividade (PDC). O pacote, que a presidente Dilma Rousseff pode anunciar ainda em junho, foi analisado durante o II Fórum da Indústria Automobilística, promovido por Automotive Business em 11 de abril, em São Paulo. Na ocasião, o diretor da área de equipamentos de transportes do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Paulo Bedran, confirmou que o setor automotivo é considerado estratégico nesses estudos e receberá tratamento prioritário (leia aqui).

No Estadão desta quarta-feira, 8, a jornalista Raquel Landim reproduz afirmação do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, corroborando o recado que ele enviou ao mercado em abril por meio de Bedran: o PDC será uma injeção na veia de vitamina para a indústria, que vem sofrendo com o câmbio valorizado e a forte concorrência dos importados.

Enquanto os técnicos do MDIC estruturam o pacote de medidas, que devem estar alinhadas com financiamentos do BNDES para empresas inovadoras e criação de regimes tributários especiais, incluindo alguma desoneração da folha salarial, as montadoras avaliam o caminho para investir em centros de tecnologia avançados, que permitam elevar a qualidade do conteúdo dos veículos locais e colocar os produtos automotivos brasileiros ao nível do mercado internacional. Seria esse um dos caminhos para estimular a competitividade nas vendas domésticas e também para a retomada das exportações.

A indústria automobilística deve aproveitar os benefícios da nova política industrial que o governo está alinhavando especialmente com a desoneração na compra de máquinas. Alexander Seitz, vice-presidente de compras da Volkswagen América do Sul, disse recentemente que o dólar barato representa um estímulo à modernização do parque industrial automotivo. Esse caminho foi reforçado por Pimentel, ao confirmar que a desoneração das máquinas será um dos pilares da nova política industrial.

Mauro Paraíso, do Centro Tecnológico da Mercedes-Benz do Brasil, garantiu durante o simpósio Materiais e Nanotecnologia, promovido pela SAE Brasil dia 6 de junho, em São Paulo, que a inovação é “mola propulsora” para redução de custos. Ele se referia, em especial, ao desenvolvimento de materiais para aplicação em veículos, cuja escolha se faz na primeira fase do projeto.

Investir em processo

João Pimentel, diretor de compras da Ford para a América do Sul, que também participou do evento da SAE, avaliou que o pacote de incentivo à competitividade chegará em boa hora e alertou sobre as fortes perdas dos produtos brasileiros, como resultado da alta das commodities, dos elevados impostos, dos avanços nos custos de mão de obra. “Se não houvesse exigência de conteúdo local e vontade de estimular a produção local, a importação estaria abastecendo metade do volume de componentes que chega às linhas de montagem”, analisou, lamentando que a matéria-prima aqui tem custo de 30% a 40% superior às médias internacionais. “A mão de obra no Brasil já custa 50% mais do que no México”, advertiu.

Para o executivo da Ford, é preciso dar atenção especial à infraestrutura logística: “Não haverá porto ou aeroporto para atender o crescimento desejado se continuarmos no ritmo atual.” No ambiente das fábricas, Pimentel entende que é indispensável investir em processos, para assegurar ganhos de produtividade. “Diante da emergência, não é possível contar agora com os resultados de pesquisa e desenvolvimento, que virão a médio e longo prazos. É hora de aperfeiçoar os processos utilizados na indústria automobilística”, explica.

A nanotecnologia é um dos campos que devem receber maior atenção no País, tendo em vista o aperfeiçoamento de processos de produção e desenvolvimento de produtos com melhores propriedades e desempenho. “Por enquanto os nanomateriais não ganharam importância nas compras automotivas. São incipientes. Mas essa ciência é um caminho sem volta e devemos esperar uma evolução tecnológica para redução de massa em peças, diminuição no nível de emissões e melhores propriedades mecânicas de componentes automotivos”, disse Roger Dias, diretor de compras do Grupo Fiat. Entre as aplicações conhecidas, ele cita os vidros do novo Uno, que ganharam propriedades desembaçantes com aplicação de nanotecnologia.



Tags: PDC, competitividade, MDIC, BNDES, Fernando Pimentel, inovação, nanotecnologia.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência