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Carreira | 26/07/2011 | 16h34

A viagem eterna de Ariverson Feltrin

Jornalismo perde o notável especialista no segmento de transportes

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Paulo Ricardo Braga, AB

Ariverson Feltrin escreveu com autoridade e notoriedade sobre o setor de transportes durante quatro décadas. Ele começou a contar histórias sobre frotistas, motoristas, caminhões e ônibus e analisar infraestrutura e política setorial no início dos anos 70, quando trabalhava na revista Transporte Moderno, publicação da Editora Abril Tec, editada pelo Neuto Reis, hoje diretor da NTC&Logística.

Na sexta-feira à noite, 22 de julho, o Ari cumpriu um de seus últimos compromissos, comparecendo à entrega de prêmios da Veloce Logística, no Senat, em Santo André, aos melhores parceiros da cadeia de transportes. Ao lado de Paulo Guedes, diretor da Veloce, e do assessor de imprensa da empresa, André Sales, ele lembrou das primeiras experiências no transporte de veículos por cabotagem e da gestão de Guedes à frente da ANTV. Depois conversou com frotistas e motoristas, como sempre gostou de fazer para encontrar inspiração em suas matérias.

Na sexta-feira à noite ele repassou comigo a pauta da matéria que estava editando para Automotive Business, sobre os 55 anos da inauguração da fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo. Mas não teve tempo de finalizar o texto. Na terça-feira, foi encontrado sem vida pela mulher, a Neusa, na casa em Santo André, onde vivia com um dos três filhos, Gustavo, que viajava. Provavelmente, vitimado por um enfarte.

Nascido em 1946, Ari conhecia na intimidade a área de transportes e escrevia com extraordinária facilidade e prazer sobre os diferentes modais, sem esconder a preferência pelo rodoviário. Reconhecido pelo texto brilhante, foi escolhido para preparar o capítulo sobre a evolução do setor no livro que comemora os 20 anos da SAE Brasil, que está sendo distribuído.

Sem o Ari, colaborador de Automotive Business, com quem tive o prazer de trabalhar na Abril-Tec, a equipe deve se desdobrar para escrever a matéria sobre a Mercedes-Benz. Afinal, o Ari valia por um batalhão e tinha na memória tudo que precisava para analisar o papel e a trajetória da fabricante de caminhões e chassis de ônibus.

Depois de trabalhar alguns anos em Transporte Moderno (separada mais tarde da Abril), o Ari foi para a Gazeta Mercantil, jornal a que dedicou a maior parte da carreira, como editor. Com o fim do jornal, fez frilas para algumas publicações e voltou a escrever com regularidade para Transporte Moderno.

Acho que todos vão se lembrar dele como jornalista competente e amigo, dos tempos agitados e dos dias mais difíceis, recentes, quando os problemas de saúde o levaram a preferir ficar em casa escrevendo, às vezes baseando-se em entrevistas feitas pelos seus amigos repórteres.

A foto do Ari, tirada pelo Luis Prado para o livro da SAE Brasil, é uma raridade. Afinal, colocar gravata nele era algo inusitado para quem gostava, acima de tudo, de ser informal.

O Ari foi velado na noite da terça-feira, 27, no Memorial Jardim Santo André, em Santo André (Avenida Queiros Filho, 1750).



Tags: Ariverson Feltrin, jornalismo, transportes.

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