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Mercado e Negócios | 29/07/2011 | 06h55

Entenda as mudanças na Fiat-Chrysler

Saiba quem é quem no comando unificado do grupo

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Paulo Ricardo Braga, de Betim (MG)

A Fiat SpA anunciou na quinta-feira, 28, a nova estrutura organizacional da joint venture com a Chrysler, que passa a ter comando unificado. As alterações, efetivas a partir de 1º de setembro, serão complementadas por definições sobre o gerenciamento regional da operação conjunta.

Cledorvino Belini, até agora presidente do Grupo Fiat para a América Latina, terá posição de destaque na região e será um dos quatro pilares na estrutura de comando da Fiat Chrysler.

Uma das surpresas foi a nomeação de Vilmar Fistarol, desde meados de 2010 diretor de RH do Grupo Fiat América Latina, para comandar a área de compras globais, função que era ocupada por Gianni Coda. Fistarol já comandou a área de compras na região de 2005 a 2007, quando foi sucedido por Osias Galantine. Antes de assumir o RH, Fistarol passou pela presidência da fundição do grupo no Brasil, a Teksid.

No topo da organização ficará o Group Executive Council (GEC), dividido em quatro grupos responsáveis pela tomada de decisões, definição de objetivos para o desempenho, formulação de decisões estratégicas, investimentos e promoção de melhores práticas.

Os quatro grupos do GEC

O GEC 1 será composto por quatro Grupos Operacionais Regionais (Regional Operations Groups - ROGs), voltados para a produção de veículos e unidades de Peças e Serviços (MOPAR) para o mercado de reposição, Componentes Automotivos (especialmente Magneti Marelli) e Sistemas e Fundição (Comau e Teksid, respectivamente). Cada um dos ROGs terá um Chief Operation Officer (COO) responsável por uma equipe gerencial, a ser anunciada em 1º de setembro, e pelos resultados na região, como lucros e perdas, recursos humanos, manufatura e atividades comerciais. Os COOs regionais serão:

NAFTA (incluindo Chrysler): Sergio Marchionne
Europa, África e Oriente Médio: Gianni Coda
América Latina: Cledorvino Belini
Ásia: Michael Manley

Peças e Serviços (MOPAR): Pietro Gorlier
Componentes (Magneti Marelli): Eugenio Razelli
Teksid/Comau: Riccardo Tarantini

O GEC 2 refletirá o foco da organização em suas marcas, desenvolvimento do portfólio de produtos e suporte ao desenvolvimento de estratégias comerciais e de marketing para cada Grupo Operacional Regional. Os chefes de marca, que receberão o apoio de Olivier Francois, apontado Chief Creative Officer deste GOR, serão:

Fiat: Olivier Francois
Fiat Veículos Comerciais: Lorenzo Sistino
Fiat Alfa/Abarth/Maserati: Harald Wester
Fiat Lancia/Chrysler: Saad Chehab
Fiat Jeep: Michael Manley
Fiat Dodge: Reid Bigland

O GEC 3 será composto por executivos de processos industriais, encarregados de garantir consistência e rigor nas operações regionais, além de otimizar a alocação de capital nos próximos anos.

Chief Technology Officer: Harald Wester
Design: Lorenzo Ramaciotti
Tecnologia de Manufatura e Coordenação: Stefan Ketter
Grupo de Compras: Vilmar Fistarol
Qualidade: Doug Betts
Powertrain: Bob Lee
Portfólio de Produtos: Mark Chernoby

O GEC 4 reunirá funções corporativas e de suporte, tendo Alessandro Baldi como executivo coordenador:

Desenvolvimento de Negócios: Alfredo Altavilla
Fiat Services & Holdings: Alessandro Baldi
Chief Financial Officer: Richard Palmer
Chief Human Resources Officer: Linda Knoll

“Chegou o momento certo para acelerar a integração entre Fiat e Chrysler”, disse Sergio Marchionne, CEO da Fiat e Chrysler, no comunicado distribuído pela Fiat SpA. As nomeações para o GEC resultam de um extenso processo de avaliação das qualificações técnicas de liderança de cada um.

Marchionne entende que o grupo selecionado reflete a natureza multicultural e geográfica do negócio. “Reconhecemos nesses executivos o futuro da Fiat-Chrysler como um competidor multinacional no mercado automotivo global. É um privilégio ter oportunidade de liderar este grupo de pessoas e vê-las crescer e transformar desafios em sucesso.”

Brasil

O impacto da consolidação no comando da Fiat e Chrysler ainda precisa ser melhor compreendido na gestão das operações e integração entre grupos operacionais regionais, chefes de marcas, líderes de processos industriais e a equipe com funções corporativas e de suporte. Cledorvino Belini comandará as operações na América Latina e passará a concentrar novas responsabilidades, como o desenvolvimento da marca Chrysler na região.

Ainda não se sabe o alcance das medidas que serão anunciadas dia 1º de setembro em nível regional, em particular na América do Sul e Brasil. Vilmar Fistarol, que comanda a área de recursos humanos no Brasil e Amperica Latina, aparece na nova estrutura como líder global de compras, posição para a qual Gianni Coda era candidato.

Fistarol era apontado como um possível candidato a ocupar a presidência da Fiat Automóveis no Brasil caso a posição fosse deixada por Belini. Restam agora dúvidas sobre quem seria o possível escolhido, mas a sucessão na empresa ainda é uma incógnita.

A verdade é que o quartel general da Fiat na América Latina, em Betim, próximo a Belo Horizonte (MG), já não é mais o mesmo – e isso vai além da reforma de instalações, visível em várias áreas. Há um clima positivo de expectativa diante das mudanças e também uma onda de iniciativas para qualificar as equipes diante da integração global. Há livros didáticos da língua inglesa sobre as mesas e as reuniões são permeadas de debates sobre o real significado de inovação e competitividade.

Há, em tudo, um sentido prático, estimulado por Belini. Em entrevista a Automotive Business, na agitada quinta-feira, 28, em Betim, João Irineu Medeiros, diretor de engenharia da Fiat Powertrain, alertava: inovação só vale com resultados efetivos, inclusive na área financeira. Carlos Eugênio Dutra, diretor de desenvolvimento de produto e exportação, faz coro: inovação tem de ser um bom negócio, dar resultado.

Inovação, mudança, oportunidade, palavras que ganham denso significado em Betim, estão na cartilha de Belini desde 2004, quando assumiu a presidência da Fiat do Brasil e a superintendência da Fiat Automóveis, consolidando a cadeia de comando na região. Com determinação, o executivo levou a operação brasileira a dar a volta por cima, depois de um difícil período marcado por ótimos volumes de vendas e maus resultados financeiros.

Quem não se lembra das dificuldades enfrentadas pela Fiat Automóveis a partir de 2000, quando foi estabelecido o acordo de colaboração com a General Motors nas áreas de compras e powertrain? Na ocasião, havia a expectativa de que a corporação norte-americana absorvesse a empresa italiana, que já aparecia em alguns organogramas com papel secundário na GM.

Em 2003, a Fiat Automóveis, mesmo com market share de 25,3% no mercado brasileiro, registrou prejuízo de R$ 284,5 milhões em seu balanço e a venda de 341 mil veículos, uma queda de 4,8% em relação a 2002. Nesse cenário havia um clima de total descrédito na empresa, até mesmo nos escritórios mineiros.

Belini comandou a virada, trouxe confiança e desafiou as equipes a tornar a empresa rentável. O resultado, você já sabe. Resta aguardar os próximos passos ensaiados por Marchionne no domingo, 24, quando reuniu os principais diretores mundiais do grupo Fiat em Campinas (SP), no hotel Royal Palm Plaza, e depois em Betim.



Tags: Fiat, Chrysler, Sergio Marchionne, Cledorvino Belini, Vilmar Fistarol.

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