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Política e Legislação | 16/09/2011 | 23h15

JAC reavalia fábrica no Brasil

Habib quer negociar com o governo

Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB

Depois das medidas anunciadas pelo governo na quinta-feira, 15, com a elevação em 30 pontos porcentuais do IPI cobrado de veículos importados e desconto dos mesmos 30 pontos somente para quem fabricar carros no País com conteúdo nacional mínimo de 65%, a chinesa JAC já reavalia sua decisão de ter fábrica no Brasil em sociedade com o empresário Sergio Habib, atual importador da marca. Embora a majoração do imposto, em princípio, seja válida só até dezembro de 2012 e a unidade da JAC esteja prevista para operar a partir de 2014, Habib disse que “não dá para tocar o projeto adiante com essa insegurança jurídica”, disse, em alusão a uma possível extensão das medidas. "Do jeito que está o Brasil virou o clube do Bolinha das montadoras. Ninguém mais pode entrar."

Segundo Habib, não é difícil executar no País o mínimo de seis de onze processos industriais exigidos pelo governo para concessão do desconto no IPI, nem destinar 0,5% do faturamento à pesquisa e desenvolvimento, “mas não dá para começar a produção com nível de nacionalização de peças de 65%”. Por isso o empresário diz que vai a Brasília negociar prazos maiores para aumentar o conteúdo local dos carros que a JAC que pretende produzir no País.

“A minha opinião é que vamos nos entender. O governo tem interesse em atrair capital externo para o País”, apostou. “Depois de abrir a fábrica leva de dois a três anos para conseguir esse nível de nacionalização de componentes”, avaliou.

Caso não receba as garantias que precisa do governo, Habib destacou que ainda assim não vai desistir do projeto da fábrica, mas alguns processos serão atrasados até que exista segurança jurídica para ir adiante. Ele lembrou que no ano que vem o cronograma envolve a escolha do local da planta, início das adaptações de engenharia do carro a ser fabricado aqui e a encomenda de ferramentais.

Sem alta nos preços, por enquanto

Habib disse que tem estoque nacionalizado de carros da JAC para mais de um mês e, por isso, não aumentará imediatamente seus preços em função do IPI maior. E depois que os estoques terminarem a ideia não é repassar integralmente o aumento aos consumidores: “Vamos tentar cortar alguns custos e segurar o máximo”, disse. Segundo cálculos de Automotive Business, entre o custo de nacionalização (valor CIF mais todos os impostos pagos) e o preço final ao consumidor, a JAC tem margem de quase 100%, que usa para pagar despesas comerciais, estrutura física, frete, armazenagem, publicidade e embolsar lucros. Agora parte dessa margem poderá ser usada para absorver um pedaço do imposto maior e sustentar preços menores, mas não se sabe em qual medida.

Para as marcas de luxo que também vende no País (Jaguar e Aston Martin), no entanto, Habib não precisará usar a mesma estratégia, pois são seus clientes que absorverão o IPI aumentado. “Nesses carros o repasse ao preço será substancialmente maior”, informa.

“Sempre digo aos franceses, chineses e ingleses das marcas que eu represento aqui que o Brasil se tornou um país estável. Esse tipo de medida do governo na base da canetada joga para baixo a nossa reputação”, avaliou Habib.



Tags: Habib, JAC, importados, importadores, IPI, imposto, regime automotivo, Pano Brasil Maior, política industrial.

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