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Mercado e Negócios | 30/09/2011 | 12h38

Governo negocia fábricas, mas IPI de importado não cai

JAC suspende programa e quer negociar, como Hyundai, Chery e BMW

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Paulo Ricardo Braga, AB

A presidente Dilma Roussef mandou a equipe ministerial negociar e preservar os programas de investimentos de montadoras recém-chegadas na construção de fábricas de veículos no País. Fernando Pimentel, do MDIC, deve aliviar essas montadoras do imposto mais alto, desde que se comprometam com um cronograma para atingir no médio prazo 65% de conteúdo local. Segundo a Folha de S.Paulo, Hyundai e BMW já estariam conversando com o governo. A JAC Motors e a Chery também manifestaram interesse em discutir seus programas no Brasil.

A lógica é a convivência de duas alternativas no regime automotivo: uma relativa a carros simplesmente importados, com 30 pontos a mais no IPI; e outra para empresas já instaladas no País ou com programa para construção de fábrica local.

Posição da JAC Motors

She Cairong, general manager da JAC International, enviou comunicado a Automotive Business nesta sexta-feira, 30, informando que as condições do decreto 7567, que disciplina o novo regime automotivo, impedem o prosseguimento do programa para implantação de fábrica da marca no Brasil. No topo das razões que levam a essa decisão está o aumento do IPI para veículos que não atinjam 65% de conteúdo regional a partir do lançamento dos produtos, quando a fábrica estiver pronta.

"A JAC Motors espera que o governo brasileiro, signatário das Organização Mundial do Comércio e um parceiro importante da China na área econômica, reconsidere sua posição. Estamos otimistas quanto a uma compreensão mútua da questão, especialmente depois de conversar com Sérgio Habib, chairman do Grupo SHC, nosso parceiro no Brasil", afirmou Cairong, assegurando que a corporação pretende investir no país e aguarda pela ocasião adequada.

No comunicado, Cairong informa que a JAC Motors iniciou as negociações com o Grupo SHC em março de 2011, estabelecendo uma parceria, e desde então houve um trabalho importante de construção de marca no mercado brasileiro. "Oferecemos veículos bem equipados, incluindo itens de segurança que nossos competidores no segmento não oferecem e estendemos a garantia para um período de seis anos. A marca oferece também a melhor relação entre custo e benefícios", observa.

Segundo a executiva, o Grupo SHC investiu US$ 200 milhões na abertura da rede de concessionários, em despesas pré-operacionais e de marketing. A empresa chinesa, em contrapartida, realizou todas as alterações solicitadas para adequar os veículos ao mercado local e promoveu testes por mais de dois milhões de quilômetros. O sucesso no lançamento dos veículos teria apressado o acordo para a construção da fábrica no Brasil, com a assinatura de documento entre a JAC Motors e o Grupo SHC, definindo a inauguração da unidade em 2014, com investimento de US$ 600 milhões e a produção de 100 mil unidades por ano. Seriam criados 3,5 mil postos de trabalho.

Em setembro, no entanto, o decreto 7567 definiu regras que implicam em elevação de 30 pontos percentuais no IPI de veículos importados, como os da JAC, provocando um aumento de 13% para 43% no imposto. "A partir daí nossos planos mudaram, já que o avanço do IPI equivale a um aumento da taxa de importação de 85%", afirmou Cairong.

Os veículos da JAC continuam sendo comercializados na rede de distribuidores, com a manutenção de preços para os estoques existentes. No futuro próximo deve ocorrer uma correção da ordem de 10% para compensar o novo IPI.

A decisão da JAC Motors pode ser encarada como uma forma de pressionar o governo a formalizar a flexibilização no programa de nacionalização dos veículos e seus componentes. "Por enquanto há apenas notícias circulando no mercado", disse a Automotive Business a assessoria de comunicação da JAC Motors.



Tags: JAC Motors, Chery, Hyundai, BMW, MDIC, regime automotivo, decreto 7567.

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