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Mercado e Negócios | 10/10/2011 | 22h00

Preços da Kia subirão devagar, afirma Gandini

Alternativas à alta do IPI são estudadas

Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB

O presidente da Kia Motors do Brasil e da associação de importadores de veículos sem fábrica no País, a Abeiva, José Luiz Gandini, voltou nesta segunda-feira, 10, à sua cruzada verbal contra as medidas do governo, baixadas por decreto há quase um mês, para sobretaxar veículos importados com alta de 30 pontos porcentuais no IPI aplicado a modelos vindos de fora do Mercosul e México. “A xenofobia cobre os olhos dos nossos governantes e abre caminho às benesses para um pequeno grupo de empresas, ditas brasileiras (as montadoras instaladas no País), quando na verdade estão remunerando o capital estrangeiro”, acusou, em seu discurso na cerimônia da Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil (ADVB), em que recebeu pela segunda vez o prêmio “Personalidade de Vendas” – fato inédito nos 60 anos de história da premiação.

Gandini citou o desempenho da Kia no Brasil como justificativa para ser o único a ter recebido o prêmio da ADVB duas vezes (2009 e 2011): as vendas cresceram 125% em 2010 e em setembro passado a marca coreana foi a sétima mais vendida no País – “e só não terminou o mês em sexto por falta de produto”, segundo o executivo. Em seguida, concluiu: “Com o fato de a Kia Motors estar vivendo esse momento único, acabamos incomodando a indústria local. E digo local, não nacional, porque não tem nenhuma brasileira neste setor e todas são iguais a nós importadores, pois entraram no País como importadoras.”

Para Gandini, o novo IPI tira a possibilidade de os veículos importados competirem com os nacionais e, ao mesmo tempo, “acaba com a nossa principal função de balizar os preços praticados no Brasil”. No entanto, o executivo acredita que nenhum importador vá repassar integralmente a alta da taxação aos preços finais. No caso da Kia, ele revelou que a estratégia será “aumentar gradualmente os preços até o fim do ano”. Gandini também aposta que os valores dos modelos nacionais não ficarão tão distantes: “Sem competição as montadoras vão subir suas tabelas, é isso o que vai acontecer.”

Produção no Uruguai e no Brasil

Gandini disse que foi “acertada” a isenção da alta do IPI para carros montados no Uruguai, que têm baixo índice de utilização de conteúdo local. “São poucos carros e o imposto acabaria inviabilizando as empresas lá”, disse. Ele avalia que o aumento da produção no país vizinho, para escapar da sobretaxação, “pode ser uma solução”, contudo vê pouco espaço para isso: “Nós produzimos o Bongo no Uruguai, mas é difícil aumentar muito a operação lá.”

E sobre tirar da gaveta os planos de construir uma fábrica da Kia em Salto (SP), onde há anos foi comprado um terreno para isso, Gandini disse que ainda não há planos concretos. “É um objetivo nosso produzir no Brasil, mas não tenho nada planejado por enquanto.”

Recado aos sindicatos

O presidente da Kia e da Abeiva também mandou um recado aos trabalhadores: “Em médio prazo eles também serão afetados, porque a alta de imposto não aumenta a competitividade internacional de ninguém, nem atrai projetos de modelos modernos para o País, como acontecia nos anos 80. Assim a exportação de veículos tende a diminuir ainda mais, o que por consequência pode reduzir os postos de trabalho”, defendeu, informando inclusive que vai procurar conversar com representantes de sindicatos, para tentar mudar o pensamento geral de que existiria no Brasil uma invasão de importados que fecharia postos de trabalho.



Tags: José Luiz Gandini, Kia, Abeiva, ADVB, importados, IPI.

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