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Caminhões e Ônibus | 19/10/2011 | 21h18

MAN: consórcio modular ganhará mais de R$ 1 bi

Cortes anunciará novidades na Fenatran. E o segredo?

Paulo Ricardo Braga, Automotive Business

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Paulo Ricardo Braga, AB

O fanático corintiano Roberto Cortes (foto), presidente da MAN Latin America, vai mexer no time, que está ganhando. Dia 23 de outubro, na abertura da Fenatran, no Anhembi, em São Paulo, ele abrirá a maratona de coletivas com jornalistas, das 9h00 às 9h30, com anúncio de investimento superior a R$ 1 bilhão e revelará uma série de novidades para o consórcio modular da MAN em Resende (RJ), que completa 15 anos em 1º de novembro. "É Dia de Todos os Santos", lembra o CEO.

Para manter a liderança nas vendas de caminhões, Cortes propõe um jogo pesado aos sete parceiros de negócios em Resende, começando com o aporte bilionário a ser aplicado de 2012 a 201, na expansão das instalações e desenvolvimento de produtos e tecnologias, ampliando a força do polo sul-fluminense - que terá outros investimentos significativos da PSA Peugeot Citroën, em Porto Real, e da Nissan, que se tornará vizinha da MAN em Resende.

Os parceiros do consórcio modular acompanharão o passo da líder MAN. Em novembro começam as obras do parque de fornecedores, ao redor da fábrica de Resende, que terá na primeira fase a Meritor, Maxion e Suspensys. Em segunda etapa os outros quatro responsáveis pelos módulos na linha de montagem seguirão o mesmo caminho para executar pré-montagens e liberar espaço nas instalações principais.

O principal objetivo dos aportes é recuperar a agilidade da fábrica do consórcio modular, concebida na primeira metade nos anos 1990, sem perder a condição de obra prima. "Nada vai mudar na essência da fórmula", avisa Cortes, esclarecendo que a operação foi concebida para 77 veículos por dia, ou 18 mil por ano, e hoje, sob o mesmo telhado, a programação pode ter picos de 350 unidades diárias, o que eleva o potencial para 80 mil unidades/ano. O volume de produção este ano ficará pouco acima de 70 mil caminhões e chassis para ônibus. Em futuro próximo Resende terá capacidade para superar 100 mil veículos por ano.

Segredo começa em 3,5 t

"Estamos muito otimistas em relação ao futuro. Projetamos avanço de dois dígitos ao ano, depois de crescer 16% ao ano em uma década. Nesse ritmo precisamos de infraestrutura adicional", explica Cortes. Nada menos de R$ 150 milhões irão para os novos caminhões MAN, começando pelo TGX. Mas há uma grande novidade, ainda sob sigilo, confiada a um grupo chefiado por Paulo Alleo, diretor de engenharia brasileiro, que atua na Alemanha. Nos bastidores fala-se em uma nova família de veículos semileves, acima de 3,5 t.

O powertrain da MAN ganhará maior flexibilidade com tecnologias híbridas na área de combustíveis, combinando diesel, biodiesel, etanol e GNV, além de diesel de cana criado pela norte-americana LS9. Haverá sistemas hidráulicos para recuperação de energia em frenagem. "Motores elétricos ficarão para o futuro", admite Cortes.

Consórcio Modular

Inspiração de um grupo de brasileiros, baseada em conceitos do polêmico basco Ignácio López de Arriortúa, ex-vice-presidente mundial da Volkswagen que teve suas ideias desdenhadas pela General Motors, a fórmula do consórcio desconcertou a comunidade automotiva em meados dos anos 1990 e foi recebida com entusiasmo e incredulidade ao mesmo tempo.

Dois fatos precipitaram a aprovação dos planos para a fábrica de Resende, em 1994. O primeiro foi o fim da Autolatina, que reunia Volkswagen e Ford. O rompimento havia deixado a sócia alemã sem local para montar veículos comerciais, já que a unidade utilizada em comum, no Ipiranga, em São Paulo, pertencia à Ford. O segundo fato que apressou o sinal verde ao programa foi a falta de recursos para erguer uma planta convencional. A saída foi buscar sócios fortes, dispostos a colocar dinheiro no condomínio liderado pela então Volkswagen Caminhões e Ônibus. A proposta vingou e começou a corrida que, em prazo recorde, levou à inauguração da fábrica de Resende em 1º de novembro de 1996.

Enquanto desafiava modelos de manufatura em voga, a unidade automotiva fluminense propunha a redução de custos em 25%, com economia de estoques, transporte e armazenamento. A simplicidade logística também deveria contribuir para os resultados, com a Volkswagen no comando, mobilizando 200 profissionais e oferecendo suporte a outros 1,2 mil das parceiras do consórcio modular. As sete sócias passaram a enfrentar grau de complexidade exponencial e atravessaram aprendizado sem precedente. A Maxion, primeira na fila de montagem, passou a movimentar três centenas de componentes, enquanto no passado se limitava a entregar dois itens dos chassis.

Versão 2.0

Quinze anos depois, com resultados surpreendentes e a consolidação do condomínio, agora sob a liderança da MAN, dona da VWCO, os sócios foram convidados a implantar a versão dois-ponto-zero do consórcio modular, depois de diagnósticado o avanço de um inimigo mortal, capaz de asfixiar operações enxutas: o excesso de estoques. A fábrica voltará a ter agilidade com um tratamento de choque e deve recuperar o fôlego com obras de expansão e a criação do parque de fornecedores, onde Meritor, Maxion e Suspensys executarão tarefas de manufatura e pré-montagem.

A nova linha dos caminhões e chassis da marca MAN conviverá, lado a lado, com a produção dos veículos Volkswagen. Os limites atuais entre as marcas e entre os módulos são quase virtuais, permitindo o entrelaçamento e a otimização de recursos - não há paredes ou divisórias, desde a origem do projeto, concebido para a montagem de 50 caminhões por dia. Em 1981, quando a Volkswagen começou a fazer caminhões no ABC, foram montados 1.488, dos quais 1.344 foram comercializados.

Com mercado aquecido e uma boa dose de criatividade, a MAN se avizinha da contagem de 350 unidades por dia, alimentando o mercado local e as exportações em SKD, para México e a África do Sul. Em 2010 foram montados 57.442 caminhões e 10.625 chassis de ônibus, totalizando 68.067 unidades e registrando evolução superior a 5.000% em 29 anos.



Tags: MAN, Consórcio Modular, Volkswagen, Nissan, PSA Peugeot Citroën, TGX.

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